sábado, 14 de novembro de 2009

Alice não mora mais aqui - por Glória Pinheiro


Bem, meus amigos, este "causo" que afirmo ser verdadeiro não aconteceu na roça e sim na cidade grande. Alguns nomes guardarei sigilo, por uma questão de prudência.
Vamos lá!
Para aliviar o cansaço do trabalho intenso, durante a semana, algum tempo atrás, Vicente costumava jogar futebol aos sábados. Acabava o jogo iam beber cerveja regada a uma conversa agradável. Enquanto isso eu ia ao Iguatemi ou a um salão de beleza. Geralmente Vicente retornava no início da tarde. Quando retornava lá vinham as novidades! Um dia passaram a jogar num campo de futebol de Rivelino; outro dia era um repóter da Globo, sempre a trazer novidades... Um dos amigos, - desde meados dos anos 70 - tinha sido presidente do CNPq, antes já havia presidido uma estatal no Chile, de Allende, um nordestino fanático por futebol, bastante espirituoso. Era daqueles que apreciava uma boa seresta, para isso, gostava de levar Luiz Vieira para cantar em sua casa. A turma era bastante amiga, unida e divertida.
Alice, mineira de Belo Horizonte, uma senhora já beirando 70 anos de idade, batalhadora, desde a época da Jovem Guarda, possuía seu salão de beleza à Rua Oscar Freire ao lado da Rua Augusta, maquiadora de algumas cantoras daquela época, mantinha boa amizade com a cantora Vanderléia, até então. Nos últimos quinze anos Alice transferiu seu salão para um sobrado conjugado e recuado numa rua mais simples, nem por isso perdeu a clientela de toda a família de um certo empresário, naquela época, presidente da FIESP. Alice tinha um coração do tamanho do mundo. Treinava muito bem suas funcionárias. Uma vez por ano costumava ir à Portugal, tinha por hábito levar uma ou outra funcionária para que melhorasse de vida naquele país. Uma delas com o casamento recentemente desfeito e muito breve, com a desilusão amorosa, resolvera aproveitar aquela oportunidade, esta era uma de suas melhores funcionárias, embora pouco importasse para Alice, levava mesmo assim e recomendava aos seus familiares, quando voltava para o Brasil a moça já estava empregada.
Por outro lado, Alice tinha verdadeiro pânico de assalto. Certa vez chegou um casal no salão, como a mulher, muito curiosa, fez algumas perguntas sobre o salão, no que se refere aos produtos e equipamentos já foi o suficiente para Alice, com a pulga atrás da orelha, sair na pontinha dos pés, dirigindo-se à casa ao lado. De lá, telefonou alertando que tivessem bastante cuidado que aqueles dois eram assaltantes. Ou seja, livrou sua pele numa boa sem com isso deixar de assustar quem recebeu a mensagem que por sua vez passou o "comunicado" adiante.
Certo sábado toca a campanhia um homem de camiseta, bermuda, uma pochete preta na cintura, cabeça abaixada procurando algo na pochete. Alice da janelinha da porta observando aquele movimento, pergunta se é um assaltato e se o homem estava armado, quando escuta a confirmação. Nisso entra Alice toda esbaforida, correndo e muito agitada anunciando que o assaltante estava armado com um revólver. Querendo proteção e proteger a todos, mas sem saber o que fazer, embora a porta continuasse fechada. Naquele instante imaginei que o assaltante já estava na recepção, já havia dominado dona Catarina, a recepcionista sueca, muito amiga de Alice há mais de 40 anos. Quase pulei uma janela que dava para uma escadaria que levava ao porão da casa, no mínimo quebraria uma perna. Instante depois aparece Alice, dizendo: - Ahhhhh é o esposo da G l ó r i a, não reconheci... O susto foi grande e o alívio foi geral.
Em 1995 mudamos para os arredores de São Paulo, algum tempo passado, ainda retornei àquele salão aconchegante. Depois retornei, mas Alice estava viúva e resolveu juntar-se aos irmãos que vivem em Belo Horizonte. Desejo a você Alice, tudo o que for de melhor.

Por: Glória Pinheiro

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

DENTIQUEIRO - Por Mundim do vale

Uma vez Zé Vieira do Chico, programou um adjunto para a apanha do seu arroz e para tanto convidou uns amigos da Varzinha, das Panelas, do Sanharol e da Boa Vista. No dia marcado os convidados chegaram às sete horas e já começaram a colheita. Por volta das nove e meia, chegou Roldão que não tinha sido convidado. Pegou uma faquinha daquelas feita de serra e passou meia hora amolando. Os outros já estavam com seis potes de arroz, quando Roldão começou a catar lento e gradual como se estivesse contando os grãos. As dez e meia ele já começou a reclamar que o almoço estava atrasando. Quando o almoço chegou, ele comeu mais do que os outros e ainda reclamou que a comida não estava boa. Os trabalhadores voltaram e ele ficou debaixo das moitas durante meia hora.
Por volta das duas e meia, ele deu um “ Inté ôto dia, se o dicumer tiver mió “ E foi embora. No final do dia os convidados comentavam sobre a preguiça de Roldão.
Um dizia:
- Mais minino, Roldão incheu o rabo de baião de dois, e adispois foi dizer qui o cumer num prestava.
Outro dizia:
- Ome o arroz qui Roldão catou num dá nem pra dá o dicumer duma patativa cum fastio. Depois de alguns comentários foi a vez de Joaquim Fiúsa: Minha gente, Roldão é igual a dentiqueiro. É o último chega, é o que mais perturba e o primeiro que arriba.
Mundim do Vale

Jogos da Copa - Por Glória Pinheiro

Praias maranhenses que o Papa não viu.
Esta também é de domínio público.
Em 1970 não havia nenhum canal de televisão no Piauí. Para assistir aos jogos da Copa, o pessoal tinha de se deslocar até o Maranhão. Geralmente iam de caravanas e eram recebidos com faixas:
"Bem-vindos ao México".
Em 80, o Papa visita o Piauí e não vai ao Maranhão. Os fiéis maranhenses fazem caravanas para irem ver Sua Santidade no Piauí lá são também saudados com faixas:
"Bem-vindos ao Vaticano".
Postado Por Glória Pinheiro

Políticos - Por Glória Pinheiro.

Ipê amarelo - Arvore tipica das Minas Gerais.
Infeliz do político que vira figura folclórica, ainda em vida, na boca do povo. É alvo de tudo quanto é piada. Bom, melhor para nós aqui. Então, aí vão algumas com um certo político que já foi governador de Minas Gerais.
Dia 21 de abril. Cardoso recebe vários governadores em Ouro Preto para as comemorações do aniversário da Inconfidência Mineira. Leva os convidados ao Museu. Diante de um esqueleto, o governador do Rio indaga:
- Quem foi esse inconfidente?
O conhecido político mineiro responde de pronto:
- Foi o protomártir Tiradentes.
Mais adiante. O governador carioca vê um esqueleto menor e volta a perguntar:
- E esse, a quem pertenceu?
Cardoso dispara a pérola:
- É do próprio Tiradentes, quando era criança.
O governador assiste a televisão num domingo à tarde. Chega um assessor e pergunta:- Firme, governador?
Ao que o governador mineiro responde:
- Firme, não. Por enquanto é o Sirvo Santos.
Newton Cardoso recebe o Presidente e o leva a um espetáculo de balé, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. O mandatário cochila e o governador observa. No final, comenta com o Presidente:
- Eu recomendei às bailarinas para dançarem nas pontas dos pés para o senhor dormir sossegado. E olha que elas acataram a minha ordem...
Assim que assume, o conhecido governador mineiro quer desfazer a imagem de seu antecessor, Hélio Garcia. No aeroporto da Pampulha, pergunta a um oficial que o acompanha:
- De que vamos?
- De helicóptero, excelência.
- Nada disso! Vamos de Newtoncóptero, pois o governador agora é Newton!
O governador vai se confessar com uma autoridade religiosa e durante a confissão é chamado de prefeito. Irritado, tenta corrigir, mas recebe o troco:
- Está bem, senhor governador. Mas fique sabendo que epístola não é mulher de apóstolo, sumo pontífice não é sumo patife e anos santos não é orifício abençoado coisíssima nenhuma!
Glória Pinheiro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

FLAGRADO COM O SOBRECU - Por Mundim do Vale

Certa vez uma prostituta do frejo de Várzea Alegre, sentiu a falta de uma franga de galinha pedrez. Inconformada ela se dirigiu a delegacia registrou a queixa de furto e pediu empenho da autoridade policial para que o criminoso fosse preso e punido pelo furto. Antes de sair o delegado perguntou se a denunciante suspeitava de alguém, ela disse que não tinha certeza, mas desconfiava de Zé de Chicão. Zé era um preto que de vez em quando era visto nas cumieiras das casas.
Assim que a queixosa saiu da delegacia, chegou Santana do Alfinim dizendo: - Seu delegado, eu vi lá no oitão da casa de Zé de Chicão um bocado de penas de galinha pedrez. Se quiser pode perguntar a Zé Félix,que ele também viu. O delegado chamou um cabo e um soldado e ordenou: - Vocês vão apreender Zé de Chicão e as penas da galinha, mas tragam o denunciado com jeito, porque por enquanto ele é apenas suspeito.
Os policiais se dirigiram para a casa de Zé, quando chegaram no oitão colocaram as penas num saco plástico e como não tinha portas na casa, foram direto para a cozinha, onde encontraram Zé com o sobrecu da galinha na mão. Quando Zé viu os dois do lado dele, falou: - É sirvido Seu cabo?
- Servido uma ova! Têje preso!
- Preso pruque? Já é crime comer galinha?
- Sendo furtada é. E vamos logo que o delegado quer lhe ver.
- Cadê o mandado?
- Taqui Hó!
Dizendo isso o cabo desceu o cassetete na cabeça de Zé de Chicão. Zé quis correr mas os dois flexaram em cima dele, aí o pau cantou. Com uns quinze minutos estava Zé amarrado e sem o couro da testa, o cabo com a farda rasgada e o soldado sem os dentes da frente. Os policiais pegaram o suspeito, as penas e o sobrecu e levaram para apresentar ao delegado.
Chegando na delegacia disseram: - Pronto seu delegado, taqui o suspeito e as provas do crime.
O delegado lavrou o flagrante, abriu o inquérito e ouviu o denunciado. Depois remeteu os autos e as provas, para o poder judiciário. - O promotor ofereceu a denuncia, o juiz ouviu o denunciado, arrolou as testemunhas, nomeou um defensor público e marcou a audiência de instrução para a semana seguinte. No dia da audiência compareceu Zé Félix e Santana do Alfinim. O juiz mandou que Zé Félix entrasse, fez a qualificação e perguntou:
- O Senhor conhece Zé de Chicâo?
- Conheço sim Senhor.
- Ele é casado?
- É sim Senhor.
- Com quem?
- Com uma mulher.
- O Senhor parece que é besta? Já viu alguém casado com homem?
- Já sim Senhor, a minha irmã Damiana é casada com um.
O juiz irritado dispensou a testemunha e mandou Santana do Alfinim entrar. Feita a qualificação perguntou:
- A Senhora conhece Zé de Chicão?
- Conheço sim Senhor.
- Sabe dizer se ele costuma furtar coisas alheias?
- Bem. Tirando da pata de Sá Nem e do galo de Mestre Helói que ele afanou, eu só vi falar do bode de Raimundo Belo.
O juiz dispensou as testemunhas, o processo ficou tramitando quando foi com nove dias, foi proferida a sentença condenando Zé a seis meses de reclusão em regime fechado.
Depois do cumpra-se Zé foi recolhido a cadeia pública. No dia seguinte o defensor foi visitar o constituinte tentando justificar a condenação: - Eu lamento muito Zé. Mas eu fiz tudo que deu para fazer, quem cagou o pau foi o juiz e as testemunhas. Mas não fique triste não, que hoje mesmo eu vou recorrer da sentença.
Zé aparentando tranqüilidade disse: - Precisa não doutor. Deixe do jeito que tá mesmo. O juiz me deu seis meses de cadeia só porque eu comi uma franga de galinha. Se aquele infeliz souber que eu tombém comi a dona da franguinha, vai querer me dar vinte anos.

Mundim do Vale.

Geisy - Miguezim de Princesa.


Quando Geisy apareceu
Balançando o mucumbu
Na Faculdade Uniban,
Foi o maior sururu:
Teve reza e ladainha;
Não sabia que uma calcinha
Causava tanto rebu.
Trajava um mini-vestido,
Arrochado e cor de rosa;
Perfumada de extrato,
Toda ancha e toda prosa,
Pensou que estava abafando
E ia ter rapaz gritando:
"Arrocha a tampa, gostosa!"
Mas Geisy se enganou,
O paulista é acanhado:
Quando vê lance de perna,
Fica logo indignado.
Os motivos eu não sei,
Mas pra passeata gay
Vai todo mundo animado!
Ainda na escadaria,
Só se ouvia a estudantada
Dando urros, dando gritos,
Colérica e indignada
Como quem vai para a luta,
Chamando-a de prostituta
E de mulherzinha safada.
Geisy ficou acuada,
Num canto, triste a chorar,
Procurou um agasalho
Para cobrir o lugar,
Quando um rapaz inocente
Disse: "oh troço mais indecente,
Acho que vou desmaiar!"
A Faculdade Uniban,
Que está em último lugar
Nas provas que o MEC faz,
Quis logo se destacar:
Decidiu no mesmo instante
Expulsar a estudante
Do seu quadro regular.
Totalmente escorraçada,
Sem ter mais onde estudar,
Geisy precisa de ajuda
Para a vida retomar,
Mas na novela das oito
É um tal de molhar biscoito
E ninguém pra reclamar.
O fato repercutiu
De Paris até Omã.
Soube que Ahmadinejad
Festejou lá no Irã,
Foi uma festa de arromba
Com direito a carro-bomba
Da milícia Talibã.
E o rico Osama Bin Laden,
Agradecendo a Alá,
Nas montanhas cazaquistãs
Onde foi se homiziar
Com uma cigana turca,
Mandou fazer uma burca
Para a brasileira usar
Fica pra Geisy a lição
Desse poeta matuto:
Proteja seu bom guardado
Da cólera dos impolutos,
Guarde bem o tacacá
E só resolva mostrar
A quem gosta do produto.
Enviado por Mundim do Vale

Nova York, Londres e Paris - Por Giovani Costa

Raimundo Bitu, Padim, era proprietário das melhores e mais férteis terras do Sanharol. Certa vez, Otoniel Fiúza, passando por sua casa, disse pra ele: Essa hora em casa Padim?
Otoniel eu era prá ter nascido em Nova York, Londres ou Paris. - Prá que Padim? Ora mais tá - prá eu nunca escutar um badalo de um chocalho nem a batida de uma marreta numa enxada! Padrinho não gostava de roça, nunca foi por lá, mas, seu receio era perder os parceiros do biriba.

Giovani Costa

Comer peba - Antonio Alves de Morais

Zé de Lula Goteira chegou no Bar do João sem Braço se abancou e ficou aguardando os colegas da meropeia para iniciarem mais um dia de bebedeira. Em pouco tempo chegou Antonio de Sota e logo depois o Jesus Catita. Depois de umas cinco raizadas começaram a falar de comida. Um dizia: rapaz, outra dia, a muié lá de casa preparou um preá que nunca vi mistura mais saborosa. O outro elogiava as qualidades do teju comparando-o ao sabor da carne de galinha. Por fim Jesus Catita apresentou o seu prato predileto: – peba ao molho.
Por conta da aproximação do meio dia e da fome, foi consenso, ninguém botou defeito nos pratos apresentados. Por sua vez o Jesus Catita convidou os amigos para almoçarem em sua casa. Para almoçarem o tal peba. Para comprovar o sabor da iguaria todos aceitaram de bom grado. Cada um tomou mais umas cinco lapadas de teimosa para abrir bem o apetite. Quando chegaram á casa de Catita a mulher foi autorizada a colocar a mesa. A expectativa era tamanha que fizeram carreira em direção a sala como quem estivesse adivinhando uma tragédia. No centro da mesa um prato de louça com um bolão de arroz branco, uma concha de feijão e um ovo em cima. Os convidados pra lá de decepcionados perguntaram ao Catita: e você não falou que era peba. Catita passou uma mão na outra, arregalou os zoios e respondeu: e vocês querem mais peba do que isto!



Cadê o corredor - Por Giovani Costa

Em 1958, uma seca medonha, na casa de Joaquim Fiuza, um dos meninos mais exigente chorava porque não tinha mistura. Joaquim Fiuza, muito carinhoso, consolava:
Meu filho, coma, assim mesmo, quando for sábado papai vai á feira e trás um corredor de boi prá nós comermos com arroz e cuscus.
No sábado, ainda antes do almoço, um teju caiu na besteira de aparecer no terreiro da casa de Joaquim Fiúza - que foi logo abatido de tiro de socadeira.
Dona Isabel, caprichosa, preparou o bicho e na hora do almoço, o menino choromingava - Eu não quero: - papai disse que hoje trazia um corredor? Oh, meu filho, e, tem um bicho, no mundo, mais corredor do que um teú? Respondeu o pai
Por Giovani Costa

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Zelim - Por Giovani Costa

Jose Alves de Morais, o conhecido Zelim, falecido há pouco tempo, tinha um limoeiro e vez por outra saia vendendo os frutos ao preço de hum real a dúzia. Certa vez chegando ao Mercantil de Antonio Cavalcante Cassundé, Pista, colocou o balaio em cima do balcão e o Pista começou a separa os frutos. Um, dois, três, trinta - Pronto Zelim, aqui está o dinheiro das duas dúzias de limão - o Lula mudou a matemática, uma dúzia agora são 15 unidades, disse Pista. Zelim recebeu o dinheiro e saiu para atender a outros clientes. Quando retornava para casa, entrou no Mercantil de Pista e separou trinta ovos e disse: Pista cobre aqui as duas dúzias de ovos. Pista respondeu: mas são 30 ovos, são duas dúzias e meia. E Zelim: espere e Lula na mudou a contabilidade. Uma dúzia já voltou a ser doze?
Giovani Costa

SÓ SE ELE TOCA DE OUVIDO - por Mundim do Vale

Quando o peruano Mário Figuerôa passou fazendo shows em Várzea Alegre, chamou à atenção da cidade pela habilidade que ele tinha em exercer certas atividades difícil até para pessoas normais. Entre as suas limitações, lhe faltavam as mãos e os pés, mas mesmo assim ele colocava linha em agulha, tocava realejo, maracá e violão.
Antonito de Antônio Souza assistiu o show no Recreio Social e ficou impressionado. No outro dia chegou no Roçado de Dentro e foi contar para seu irmão Pedro que era um excelente músico:
- Meu irmão você precisa ir olhar o aleijadinho peruano. Ele não tem mãos e toca violão melhor do que Chico Danga.
Pedro Souza botou o dedo no queixo com uma expressão de dúvida e falou:
- Pera Antonito! Se o homem não tem mãos como é que toca violão?
Antonito sem jeito respondeu:
- Pois é, só se ele toca de ouvido.
Mundim do Vale.

O Poder da Virgula - Blogdapontadaserra.blogspot.com

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.
Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!
Comentário do Blog do Sanharol:

Coloque a vírgula na frase: - “ Um fazendeiro tinha um bezerro e a mãe do fazendeiro era também o pai do bezerro”.

Responda nos comentários - Que os professores deixem a resposta para os alunos. Sinceramente não sei usar corretamente a virgula - já fiz uma grande lambança por conta do seu uso inadequado.
Postado por A. Morais

terça-feira, 10 de novembro de 2009

MAXIXE MADURO E MANGA MURCHA- Por Mundim do Vale


O ano de 1.955, foi um ano de muita fartura na terra de São Raimundo. Melancia, jerimum, e maxixe, ninguém vendia, porque ninguém comprava. Todo mundo tinha de sobra. Para que o leitor tenha uma idéia do tamanho da fartura, os conterrâneos enchiam dois caçuás de maxixes apenas num curral abandonado. Antônio de Irineu, que não tinha profissão definida e nem disposição para o trabalho, resolveu vender maxixes, que não demandava custos e nem muito trabalho. Mas ele não conhecia bem o produto nem tinha noção que por conta da fartura não havia mercado.
Arranjou um balaio grande e foi até uma grota que tinha atrás da casa de Raimundo Gibão, onde encheu o balaio catando maxixe apenas numa rama do pé. Saiu na rua a procura da venda e a primeira casa que visitou foi a de João Teixeira. Bateu palmas, João Teixeira saiu e quando viu Antônio muito suado na sua porta falou: Ou Antônio tu quer ir ali no meu quintal, catar uns maxixes para fazer um cozido pra tu? A segunda casa que também foi a última, foi a de Chico Francisco. Chico também querendo se ver livre do incômodo vendedor disse: Quero não Antônio! Eu vi falar que tu só vende maxixe verde. O qui é isso Seu Chico? Eu sou um ome dereito. O Sinhor tá pensando qui eu sou quiném seu cunhado João André? Qui vindia Manga mucha na Rajalegue?
Mundim do Vale.