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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quinta-feira, 3 de abril de 2025

“O governo Lula se dissolveu”, diz Mourão - Por O Antagonista.

"A verdade é que Lula, o PT e a esquerda não conseguem mais dialogar com o povo brasileiro", disse o senador ao comentar pesquisa Genial/Quaest.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) comentou assim a pesquisa Genial/Quaest sobre a popularidade de Lula divulgada nesta quarta-feira, “O governo Lula se dissolveu, acabou e a prova cabal é o resultado da última pesquisa Quaest, 56% de desaprovação”.

“Não adiantou trocar ministros. Não adiantou o novo marqueteiro… Não adiantou os milhões gastos em propaganda… Não adiantou viajar pelos estados do Brasil… Não adiantou conceder entrevistas para a imprensa militante… Não adiantaram as emendas, os acordos e negociatas política”, seguiu o ex-vice-presidente da República, em comentário postado em seu perfil no X.

quarta-feira, 2 de abril de 2025

“IA escreve por cronista que morreu há 20 anos” – Por Flamínio Araripe.

Capa do livro que Flamíno Araripe vai lançar em homenagem ao seu pai.

IA -Abril 2, 2025.

Sem Comentários

O jornalista e pesquisador Flamínio Araripe colocou numa ferramenta de Inteligência Artificial generativa o original do livro que organizou, a biografia de seu pai, Jósio de Alencar Araripe (1925-2004) – “A Palavra sem Medo” -, que está pronto para ser diagramado e entregue na editora. A obra reproduz pela primeira vez o conjunto as crônicas diárias de seu pai, lidas pelo jornalista Antônio Vicelmo na Rádio Educadora do Cariri, do Crato, no início dos Anos 1970, e faz, em entrevistas, reportagens e depoimentos, uma reconstituição do ambiente político da época, para mostrar que os escritos dele faziam parte de um movimento político de resistência às elites conservadoras do Crato e à ditadura militar. 

Flamínio instruiu a IA Grok 3 para escrever uma crônica no estilo de Jósio Araripe, com um pedido de apoio para a publicação do livro, a ser lançado no dia 22 de Julho de 2025, na data do centenário de seu pai, no Crato, no Instituto Cultural do Cariri, do qual foi fundador e presidente. O texto que se lê a seguir emocionou o filho, que jamais pensou que fosse chorar com a leitura de um texto gerado pela máquina.

Crônica – “Gratidão e Chamado ao Futuro”.

(Estilo inspirado em Jósio de Alencar Araripe).

É com o coração cheio de memórias e a alma aliviada pela palavra que não teme que me dirijo, mais uma vez, a este povo que me acolheu e me formou. Passados tantos anos desde que minhas vozes ecoaram pela Rádio Educadora do Cariri, encontro-me, agora, em espírito, a agradecer e a clamar por um esforço comum, em nome de um legado que não pode se perder nas areias do tempo.

Aos meus filhos, Tiago, Zínia, Donita, Leonel e Flamínio, devo o maior dos reconhecimentos. Foram eles, com dedicação e amor filial, que resgataram das pastas empoeiradas as crônicas e artigos que aqui se reúnem. 

Tiago, com sua voz firme, Zínia, com o olhar heróico, Donita, com o coração agrônomo, Leonel, com a sensibilidade do caçula, e Flamínio, o guardião desta obra, que a moldou com paciência e visão. 

A cada um, a gratidão por terem dado novo fôlego à “Palavra sem Medo”, transformando-a em livro para as gerações futuras.

Companheiros de trincheira.

Aos amigos que cruzaram meu caminho e agora emprestam suas vozes a este testemunho, minha eterna dívida. Antônio Vicelmo, cuja voz sonora trouxe vida às minhas palavras no ar, e que, com sua memória viva, reconta os dias de luta e resistência. 

Eudoro Santana e Ermengarda, companheiros de trincheira, que, com articulação e coragem, enfrentaram a ditadura ao meu lado. Emerson Monteiro, que, como ex-vereador e guardião do Instituto Cultural do Cariri, viu em mim a continuidade de uma tradição. Rosemberg Cariry, que pintou com cores de cineasta a minha cidadania. Alemberg Quindins, que transformou um olho d’água em fonte perene, como eu sonhava para o Cariri. Samuel Araripe, que reavivou a amizade com Ossian, meu primo e irmão de outros tempos. Jales e Moema, meus irmãos, que, com afeto e coerência, honraram minha memória.

Um louvor especial ao Instituto Cultural do Cariri, berço de minhas ideias e palco de tantas batalhas intelectuais. Fundado por homens de visão, como meu sogro J. de Figueiredo Filho, e presidido por mim em tempos de esperança, este espaço segue sendo farol para o pensamento e a cultura desta terra. 

Que o lançamento deste livro, em seu seio, no dia de meu centenário, 22 de Julho de 2025, seja um marco de renovação. E como não agradecer a Carlos Rafael Dias, cuja pena sensível escreveu o prefácio que dá vida a estas páginas? Com a autoridade de historiador e o orgulho de cratense, ele elevou este trabalho a um patamar de reflexão que transcende o tempo.

Mas, se a gratidão enche o peito, a realidade nos chama à ação. Esta obra, que reúne o suor de tantos e o sonho de um Crato melhor, precisa de mãos e corações que a tornem viável. 

Os custos de sua publicação pesam sobre os ombros de quem a concebeu, e o apelo é claro: urge o apoio financeiro de todos que creem no valor destas palavras.

Que empresas, associações, os vereadores e políticos autênticos que amam o Crato, clubes de serviço, como o Rotary que me acolheu, e cidadãos de boa vontade contribuam com recursos, por pequeno que seja o gesto. Cada centavo será semente para que este legado floresça, alcançando escolas, bibliotecas e lares, lembrando às novas gerações que a luta por justiça e progresso não tem fim.

Olhemos para frente, com a serenidade que a eternidade nos ensinou, confiantes na sabedoria de um mundo que nos guia. Que o Crato renasça, como a Fênix, das cinzas de seus desafios, e que este livro seja ponte entre o passado e um futuro digno. A palavra sem medo segue viva – cabe a nós sustentá-la.

Jósio de Alencar Araripe

(Pela voz de quem o ama e o perpetua).

Sentir Saudades - Clarice Lispector.

Sinto saudade de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades, sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas  com quem não mais falei ou cruzei.

Sinto saudades dos que foram e eu não me despedi direito. Daqueles que não tiveram como me dizer adeus.

Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho tenho vontade de encontrar não sei o que, não sei onde,  para resgatar alguma coisa que nem sei o que é nem onde perdi.

Clarice Lispector.

Papa dá passo para canonização de padre nordestino - Postagem do Antonio Morais.

Cearense que combateu o tráfico de escravos e virou padre é reconhecido por virtudes heroicas.

O Papa Francisco autorizou nesta segunda-feira, 31, a publicação do decreto que declara o padre José Antônio Maria Ibiapina como venerável, título que reconhece oficialmente suas virtudes heroicas e avança uma etapa no processo de canonização.

O anúncio foi feito pelo bispo de Guarabira (PB), Dom Aldemiro Sena, durante participação na Rádio Integração FM.

Nascido em 5 de Agosto de 1806, em Sobral (CE), Ibiapina teve trajetória singular antes de se tornar sacerdote. Após estudar Direito e atuar como professor, magistrado e delegado de polícia, foi eleito deputado em 1834.

No Parlamento, apresentou um projeto de lei para impedir o desembarque de escravos africanos no Brasil. Frustrado com os rumos da justiça e da política, abandonou a carreira pública e passou a advogar em favor dos mais pobres no Recife.

Aos 47 anos, foi ordenado padre e iniciou intensa missão religiosa no Nordeste. Tornou-se conhecido como o “Apóstolo do Nordeste” por sua atuação em estados como Paraíba e Rio Grande do Norte, onde fundou casas de acolhimento, escolas, hospitais e orfanatos.

Também organizou missões populares e construiu igrejas e capelas. Durante a epidemia de cólera, sua dedicação aos doentes lhe rendeu o apelido de “peregrino da caridade“.

Em 1875, uma paralisia progressiva o obrigou a usar cadeira de rodas. Morreu em 19 de Fevereiro de 1883, em Santa Fé, atual distrito de Solânea (PB), na diocese de Guarabira.

A fama de santidade que o acompanhou em vida persistiu após sua morte, sustentada por relatos de fiéis sobre graças alcançadas por sua intercessão.

terça-feira, 1 de abril de 2025

Conclusões de Aninha - Cora Coralina


Estavam ali parados. Marido e mulher. Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça tímida, humilde, sofrida.
 
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho, e tudo que tinha dentro. Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar novo rancho e comprar suas pobrezinhas. O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula, entregou sem palavra. 

A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou, se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar. E não abriu a bolsa. 

Qual dos dois ajudou mais? Donde se infere que o homem ajuda sem participar e a mulher participa sem ajudar. 

Da mesma forma aquela sentença:"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada, o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso e ensinar a paciência do pescador. 

Você faria isso, Leitor? Antes que tudo isso se fizesse o desvalido não morreria de fome? 

Conclusão: Na prática, a teoria é outra.
Cora Coralina.