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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


domingo, 31 de agosto de 2025

Zuca Sampaio, arquétipo da aristocracia caririense – por Armando Lopes Rafael – Parte 1

    Arquétipo, nos dicionários, é uma palavra definida como exemplo de pessoa dotada de alto padrão em qualidades e virtudes. Nos dois últimos quartéis do século XIX e primeiras décadas do século XX, a cidade de Barbalha tinha uma elite exemplar. Esta se constituía numa aristocracia honrada, digna e filantrópica. Amparar a pobreza em suas necessidades é uma das características exigidas de um verdadeiro aristocrata. Lamentavelmente, nos tempos atuais, a palavra aristocracia é “estigmatizada”. Pior. Seu significado é apresentado propositadamente de forma deturpada. Tanto na “velha mídia” brasileira, como no ensino ministrado pelas universidades públicas. Isso ocorre, também, noutros ambientes – os quais deveriam primar pela ética e verdade – mas resolveram acompanhar “a onda progressista” (sic) que varre a sociedade atual. Essa minoria confia que ainda assistirá a ruína e humilhação dos inimigos da civilização cristã, que estão infiltrados nas instituições brasileiras, seguindo a ideologia pregada por Gramsci (o famoso marxista italiano que hoje é idolatrado nas universidades públicas).  

Bandeira de Barbalha

   José de Sá Barreto Sampaio, conhecido por todos por Zuca Sampaio, foi um desses aristocratas do passado. Quiçá, seja ele o arquétipo daquela aristocracia existente no Cariri de antanho. Zuca Sampaio tinha consciência de que suas qualidades e atributos morais eram dádivas concedidas graciosamente por Deus. E usou suas aptidões para melhorar o nível de vida de pessoas pobres ao seu tempo. Zuca Sampaio dispunha de bens materiais, legitimamente conseguidos, e utilizou-os para elevar o estamento social da sua cidade natal. Fê-lo dando um tônus cristão e moralizador não somente ao seu núcleo familiar, mas, e sobretudo, ao “povinho simples” como eram chamadas, naquela época, as camadas mais humildes da população, hoje grosseiramente apelidadas de “povão”.

   Zuca Sampaio nasceu em Barbalha, em 7 de agosto de 1861, filho de um casal genuinamente católico, bom e cordato, Sebastião Manuel de Sampaio e Francisca de Sá Barreto Sampaio, integrantes da “nobreza da terra”, como se dizia àquela época. Sua mãe, antes de falecer, pediu para ser sepultada no adro da igreja-matriz de Santo Antônio. Ainda hoje se vê, no chão do patamar daquele vetusto templo, próximo à porta central, a seguinte inscrição numa lápide mortuária:

Francisca de Sá Barreto Sampaio pediu ser sepultada aqui, para sobre  suas cinzas passar o Santíssimo Sacramento e para ficar perto de sua querida imagem de Nossa Senhora das Dores.


(continua abaixo)

Um comentário:

  1. Não existem mais "Zuca Sampaio".

    A republica de Deodoro da Fonseca deteriorou a nação. Os homens de bem se afastaram da atividade politica e os canalhas se apossaram dos poderes. A desordem e a corrupção levaram a pátria a "INIQUIDADE".

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