segunda-feira, 4 de julho de 2011

A República proclamada por acaso -- Por Carlos Chagas (*)




O saudoso e incomparável Hélio Silva, dos maiores historiadores brasileiros, titulou um de seus múltiplos livros de "A República não viu o amanhecer". Contou em detalhes, fruto de muita pesquisa, que a República foi proclamada por acaso. As lições daquele episódio não devem ser esquecidas. Vale lembrá-las com outras palavras e um pouquinho de adendos que a gente colhe com o passar do tempo, junto a outros historiadores e, em especial, pela leitura dos jornais da época.

Desde junho que o primeiro-ministro do Império era o Visconde de Ouro Preto. Vetusto, turrão, exprimia os estertores do chamado "poder civil" da época, muito mais poder do que civil, porque concentrado nas mãos da nobreza e dos barões do café, com limitadíssimas relações com o cidadão comum. O Brasil havia saído da Guerra do Paraguai com cicatrizes profundas, a começar pela dívida com a Inglaterra, mas com novos personagens no palco. O principal era o Exército, composto em maioria por cidadãos da classe média, com ênfase para os menos favorecidos. Escravos aos montes também haviam sido libertados para lutar nos pântanos e charcos paraguaios. Nobres lutaram, como Caxias e Osório, mas a maioria era composta daquilo que se formava como o brasileiro médio.

Ouro Preto, como a maior parte da nobreza, ressentia-se daqueles patrícios fardados que começavam a opinar e a participar da vida política. Haviam sido peça fundamental na abolição da escravatura, em 1888. Assim, com o Imperador já pouco interessado no futuro, o governo imperial tratou de limitar os militares. Foram proibidos de manifestações políticas, humilhados e punidos, como Sena Madureira e tantos outros.

Havia, nos quartéis e em certos círculos políticos, um anseio por mudanças. Até o Partido Republicano tinha sido criado no Rio e depois em São Paulo, mas seus integrantes estavam unidos por um denominador comum: República, só depois que o "velho" morresse, pois era queridíssimo pela população. E quem passaria a mandar no Brasil seria um estrangeiro, o Conde d'Eu, francês, marido da sucessora, a princesa Isabel.
Cogitava, aquele poder civil elitista, de dissolver o Exército, restabelecendo o primado da Guarda Nacional, onde os coronéis e altos oficiais careciam de formação militar. Eram fazendeiros, em maioria. Os boatos ganhavam a rua do Ouvidor, no Rio, onde localizavam-se as redações de jornal.

Na tarde de 14 de novembro movimentam-se um regimento e dois batalhões sediados em São Cristóvão. Com canhões e alguma metralha, ocupam o Campo de Santana, defronte ao prédio onde se localizava o ministério da Guerra, na região da hoje Central do Brasil. Declararam-se rebelados e exigiam a substituição do primeiro-ministro, que lá se encontrava com seus companheiros. Comandados por majores, estava criado o impasse: não tinham como invadir o prédio, por falta de um chefe de prestígio, mas não podiam ser expulsos, já que as tropas imperiais postadas nos fundos do ministério não se dispunham a atacá-los. O Secretário-Geral do ministério da Guerra era o marechal Floriano Peixoto, que quando exortado por Ouro Preto a investir à baioneta contra os revoltosos, pois no Paraguai haviam praticado feitos muito mais heróicos, saiu-se com frase que ficou para a História: "Mas no Paraguai, senhor primeiro-ministro, lutávamos contra paraguaios..."

Madrugada do dia 15 e os majores, acampados com a tropa revoltada, lembram-se de que ali perto, numa casinha modesta, morava o marechal Deodoro da Fonseca, há meses perseguido pelo governo imperial, sem comissão e doente. Dias atrás o próprio Deodoro recebera um grupo de republicanos, com Benjamim Constant, Aristides Lobo e outros, aos quais repetira que não contassem com ele para derrubar o Imperador, seu amigo.

Acordado, Deodoro ouve que dali a poucas horas Ouro Preto assinaria decreto dissolvendo o Exército. Não era verdade, mas irrita-se, veste a farda e dispõe-se a liderar a tropa. Não consegue montar a cavalo, tão fraco estava. Entra numa carruagem e acaba no pátio fronteiriço ao ministério da Guerra. Lá, monta um cavalo baio e invade o prédio, com os soldados ao lado, todos gritando "Viva Deodoro! Viva Deodoro!" Saudando-os com o agitar o boné na mão direita, grita "Viva o Imperador! Viva o Imperador!". Apeia e sobe as escadarias, para considerar Ouro Preto deposto. Repete diversas vezes : "Nós que nos sacrificamos nos pântanos do Paraguai rejeitamos a dissolução do Exército." Estava com febre de 40 graus. O Visconde, corajoso e cruel, retruca que "maior sacrifício estava fazendo ele ouvindo as baboseiras de Vossa Excelência!" Foi o limite para Deodoro dizer que estava todo mundo preso.

O marechal já ia voltando, o sol ainda não tinha nascido e os republicanos, a seu lado, insistem para que aproveite a oportunidade e determine o fim do Império. Ele reluta. Benjamin Constant lembra que se a República fosse proclamada naquela hora, seria governada por um ditador. E o ditador seria ele, Deodoro. Conta a lenda que os olhos do velho militar se arregalaram, a febre passou e ele desceu ao andar térreo, onde montou outra vez o cavalo baio. A tropa recrudesceu com o "Viva Deodoro! Viva Deodoro!" e ele agradeceu com os gritos de "Viva a República! Viva a República!"

Não havia populares nas proximidades, muito menos operários. Aristides Lobo escreverá depois em suas memórias que "o povo assistiu bestificado a proclamação da República."
Preso no Paço da Quinta da Boa Vista, com a família, o Imperador teve 48 horas para deixar o Brasil. Deodoro quis votar uma dotação orçamentária para que subsistissem no exílio. D. Pedro II recusou, levando apenas pertences pessoais. A República estava proclamada.
A História do Brasil é feita de episódios como esse...
(*) Carlos Chagas é jornalista

CORRUPÇÃO - POR JOSE JURANDI BRITO DOS SANTOS

As instituições do nosso país estão podres. O brasileiro em geral está sofrendo, há décadas, de uma doença crônica, até hoje incurável, e nossa esperança é que, um dia, se descubra o tratamento adequado. O nome dessa doença é CORRUPÇÃO.

A doença atinge todas as esferas do poder, em todos os níveis hierárquicos, sendo mais visíveis seus sintomas nos Poderes Legislativo e Executivo onde campeia abertamente, às claras, todos sabem, a imprensa divulga, os processos são abertos, mas nada é feito para punir os culpados. Ou eles renunciam antes da condenação e se livram, ou são simplesmente absolvidos por seus pares, colegas também corruptos, ou se sofrem alguma penalidade é só um constrangimento momentâneo, pois nunca devolvem o que roubaram, e voltam acintosamente aos mesmos cargos, ( e por incrível que pareça, voltam através do voto do eleitor humilde, subornado por um saco de cimento, uma consulta médica, um colchão ou uma cesta básica ) na primeira oportunidade, para roubarem mais.

Sabemos que a corrupção não é privilégio único dos brasileiros. Existe em todo o mundo. Basta dar algum poder ou alguma oportunidade ao ser humano e ele é tentado a tirar vantagem ilegal, puxando a brasa para sua sardinha como se diz. Mas em alguns outros países, o número de casos divulgados e de pessoas punidas é muito maior e isso inibe; a necessidade da ação ilegal ser totalmente camuflada, escondida, o medo da punição, se descoberta a tramóia, certamente coloca a corrupção dentro de limites mais toleráveis.

Sabemos também que não é doença nova. Lemos sobre corrupção na antiguidade, como por exemplo, no Império Romano. Mas o exemplo que a história nos mostra é que a corrupção pode crescer desenfreadamente acabando por destruir o próprio governo, enfraquecendo-o e levando-o à derrocada. Quando não é o próprio povo que se revolta, o país enfraquecido é invadido e subjugado por inimigos.

Um estudo demonstra a existência de fortes laços entre altos níveis de corrupção e baixos índices sociais. O dinheiro desviado pelo superfaturamento de obras públicas, pela apropriação indevida, e até pela sonegação de impostos, faz falta para investir em infra-estrutura e saúde pública, entre tantas outras necessidades urgentes do povo. Maracutaias, desvios do nosso dinheiro para o bolso de alguns, não apenas diminuem a eficiência da aplicação dos recursos arrecadados, mas também têm efeito devastador na criação de postos de trabalho.

Jose Jurandi Brito dos Santos.

domingo, 3 de julho de 2011

Ainda existem políticos honestos no Brasil – por Armando Lopes Rafael

Dias atrás o escritor e cronista Emerson Monteiro publicou um artigo com o título: “Ainda existem juízes em Berlim”. Pois hoje, fazendo uma analogia ao escrito de Emerson, eu escrevo: Ainda existem políticos honestos no Brasil.
O ex-presidente da República, senador Itamar Franco, era um deles...

E tal era a irradiação da sua honestidade pessoal, que sua família recusou a oferta do Palácio do Planalto de disponibilizar um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para trasladar o corpo do ex-presidente da capital paulista, onde morreu, até a cidade de Juiz de Fora, onde está sendo velado. Neste domingo, o corpo de Itamar Franco foi transportado em voo comercial, com as despesas desse transporte pagas por sua família, que também recusou o velório no Palácio do Planalto, em Brasília.

Itamar Franco foi Presidente da República por apenas dois anos, em face do impeachment de Collor de Melo. Mesmo assim deixou duas marcas profundas quando de sua curta passagem como titular do Palácio do Planalto. Primeiro, foi sua coragem de implantar – em 1994 – o Plano Real, o qual acabou com inflação brasileira, que vinha se arrastando desde a Proclamação da República, esta feita através do golpe militar de 15 de novembro de 1889. Segundo, foi o fato de não só no exercício da Presidência da República, mas em todos os cargos que exerceu ao longo de sua vida pública, nunca se envolveu em roubalheiras nem foi acusado de corrupção.

Foi isto que levou a Associação Mineira de Imprensa a inserir na sua nota de pesar pelo falecimento do ex-presidente, a seguinte frase: “Itamar Franco foi um homem público possuidor de uma trajetória honrada, pautada na ética e honestidade, com relevantes serviços prestados ao Brasil, onde destacamos a sua idealização do Plano Real, importante legado para o país. O Brasil e Minas Gerais sentirão a sua falta, mas sempre vamos tê-lo na lembrança como exemplo de homem público ideal”.

Como presidente, Itamar Franco criou o Programa de Combate à Fome, que foi entregue ao sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e ao bispo dom Mauro Morelli. E fez isso sem demagogia e sem utilizar a medida como troco de moeda eleitoral, como fizeram outros que o sucederam na Presidência da República.
O falecido ex-presidente era, enfim, um homem sério, simples e honesto. Um paradigma nesses tempos tristes e caóticos, assinalados por denúncias diárias de roubalheiras, falta de espírito público e deslavada corrupção.
Descanse em paz, honrado e digno senador Itamar Franco!
Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

sábado, 2 de julho de 2011

O OURO DA FORTUNA - Por Mundim do Vale.

No tempo da descoberta do ouro da fortuna. Várzea Alegre perdeu a tranqüilidade de cidade pequena. Na corrida do ouro apareceu gente de toda parte do Brasil. Era jeep, pic-up e rural chegando toda hora na cidade. Meus conterrâneos já estavam com diversos projetos de mudanças para o desenvolvimento da região.
- Mudar o nome da pensão de Leontina para: Hotel Vale do ouro
- Instalar uma emissora de rádio com o nome: Estação do Vale.
- Fundar o jornal: Diário do Vale.
- Construir o teatro: Gaurani, da Fundação Papai Raimundo.
- Mudar o nome de Várzea Alegre para: Várzea Dourada.
- Construir um viaduto na Vazante.
- Criar a orquestra sinfônica do mestre Antônio.
- Montar o banco Fortuna.
Foi tanta especulação que a história do ouro chegava em toda parte do Brasil.
Na época eu estava em Fortaleza e passando na praça do Ferreira, escutei uma discussão entre torcedores do Fortaleza e Ceará
Mais ou menos assim:
- Vocês vão ver! O Ceará vai comprar dois jogadores do Santos,
aí respeite o timaço que vai ficar.
- Com que dinheiro? Será que é com o ouro da mina da fortuna
lá de Várzea Alegre?

Depois que a mina foi explorada, toda a produção do ouro só deu pra colocar um dente na boca de um cigano.

A DIVINA COMÉDIA - Canto XII - O Inferno - Por Vicente Almeida

Canto XII

Minotauro - Centauros
Círculo da violência (7) - Rio de sangue

O Minotauro na encosta do penhasco
Ilustração de Gustave Doré

Descemos por uma rampa formada por um enorme deslizamento de pedras, causado provavelmente por um terremoto ou pela contínua erosão. O barranco derrubado esculpia vários caminhos íngremes e irregulares da beira do precipício até embaixo, permitindo a descida com dificuldade. Quando descíamos por esse caminho tortuoso, encontramos, na beira do barranco destruído, o Minotauro de Creta. O touro ficou tão enfurecido quando nos viu que mordeu suas próprias mãos de raiva. Mas Virgílio logo o afastou, gritando:

- Pensas talvez que estás vendo o duque de Atenas, que no mundo te trouxe a morte? Vai embora, besta, que este só vem aqui para conhecer vossas penas!

Tentando escapar, assustado com aquela voz revestida de autoridade, o Minotauro começou a bufar e espernear, escoiceando como se tivesse sido ferido. O mestre, alerta, gritou:

- Vamos andando! Rápido! Vamos aproveitar para escapar enquanto ele se consome em sua fúria.

Seguimos então pelas pedras, que eu freqüentemente sentia balançarem sob os meus pés. Eu pensava sobre as ruínas quando o mestre falou:

- Imagino que pensas sobre estas ruínas, guardadas por aquela fera semi-humana. Quero que saibas que, quando aqui estive da última vez, esta avalanche ainda não havia acontecido. Se eu bem lembro, ela ocorreu pouco antes da descida Daquele que veio ao inferno para levar os justos para o céu. Na ocasião, todo este abismo tremeu. Não só aqui houve destruição, mas também em outras partes. Mas olha lá para baixo que em breve avistarás o rio de sangue fervendo as almas dos violentos contra seus semelhantes.

Centauros aguardando Dante e Virgílio diante do rio de sangue
Ilustração de Gustave Doré

De lá do alto vi uma larga fossa, curva como um arco, assim como o mestre me descrevera, que se estendia por todo o plano abaixo. Na base do penhasco apareceu uma ala de centauros, armados com flechas. Quando nos viram, três deles se afastaram do grupo e vieram na nossa direção, armados, com as flechas esticadas, prontas para atirar. Um deles então gritou:

- Vocês aí! O que querem? Que tortura procuram? Falem logo ou eu atiro!

- Nossa resposta daremos somente a Quirón, teu chefe! - gritou o mestre de volta. - Só com ele falaremos pois tu estás demasiado nervoso. - Depois ele voltou-se para mim e disse - Aquele ali é Nesso, que morreu pela bela Dejanira, e fez do seu sangue sua própria vingança. O do meio, que contempla seu peito, é o grande Quirón, que educou Aquiles; o último é Fólo, aquele que nos ameaçou cheio de ira.

Centauros impedindo os culpados da violencia de sairem do rio de Sangue
Ilustração de Gustave Doré

Quando estávamos diante dos centauros, ouvimos Quirón falar aos outros dois:

- Vocês perceberam que aquele que está atrás move tudo o que toca? Isto não é o que fazem normalmente os pés de um morto!

O mestre, que já estava diante do centauro e ouvira o final da conversa logo lhe esclareceu:

- Ele está, de fato, vivo, e eu fui designado para guiá-lo por este caminho. Ele faz esta viagem por necessidade e não por prazer. Ele não é ladrão nem eu alma criminosa. - e pediu - Dá-me para nos guiar um do teu povo, para que nos leve à passagem onde o rio fica raso e possa levar este nas costas, pois ele não é espírito que voa.

Quirón, então, voltou-se para Nesso e ordenou-lhe que nos mostrasse o caminho. Partimos com a fiel escolta, margeando o rio de sangue, onde almas ferviam e gritavam de dor. Lá eu vi almas submersas até os olhos.

- Esses que tu vês mergulhados até os olhos - explicou o centauro -, são os tiranos que tiraram o sangue e os bens de suas vítimas. Aqui choram por seus feitos desumanos Alexandre e Dionísio, que fez a Sicília sofrer durante anos. Aquele de cabelos negros é Azzolino e o outro, louro, é Obizzo d'Este.

Pouco adiante, parou outra vez o centauro, e mostrou-nos alguns que ficavam submersos no sangue até a garganta.

- Eis aquele que assassinou, durante a missa, aquele outro cujo coração ainda sangra sobre o Tâmisa - indicou Nesso.

Mais adiante, eu mesmo pude reconhecer alguns dos réus cujo peito já emergia. À medida em que caminhávamos o nível do sangue ia baixando até que enfim só ardia a sola dos pés. Lá finalmente encontramos um trecho raso por onde podíamos atravessar.

- Assim como vês o rio fervente aqui, deste lado, ficando cada vez mais raso - disse o centauro -, do outro lado ele se torna cada vez mais fundo, até chegar ao ponto de maior profundidade que é onde sofrem os tiranos. É lá que a divina justiça atinge Átila, que foi um flagelo na terra, e Pirro e Sexto; e para sempre espreme as lágrimas que o sangue escaldante produz de Rinier da Cornetto e Rinier Pazzo, que transformaram as estradas em campo de guerra.

Chegando a outra margem, descemos da garupa de Nesso. Ele então, atravessou o rio novamente e se foi.

No Canto XIII - veremos a história das hárpias e a selva dos suicidas
02/07/2011

Blog do Sanharol - Esclarecimento.

Amplie a foto - O Sanharol é isto.

Escolha da melhor Postagem. No ultimo processo para escolha da postagem de Junho de 2011 ficaram algumas duvidas. Alguns entendiam que havia a necessidade de identificar o titulo e o tema. Existem postagens como: Sexta de textos - Dr. Savio, Coisas Nossas - Professor Zenilton, Divina Comedia - Vicente Almeida, Desafio do Blog - Magnolia Fiuza, Historias de varzealegrenses - Blog do Sanharol que não podemos separar as postagens, pois tratam de um mesmo tema, assunto, finalidade e sentido. Qualquer uma postagem dessas sendo escolhida conta a indicação para o autor.

O fato concreto é que a escolha é unicamente do gosto do leitor e comentarista. Escolheu está escolhido.

Abraços.

Blog Humor.

Quando o amor acaba.

Ao ver o marido vestindo o paletó, a esposa perguntou:
"Aonde você vai?"
"Vou ao médico" - respondeu ele.
E ela:
"Por que?! Você está doente?"
"Não. Vou ver se ele me receita esse tal de 'Viagra' ".
A esposa levantou-se da cadeira de balanço e começou a vestir o casaco.
Ele perguntou:
"E você? Aonde você vai?"
"Ao médico, também" - respondeu ela.
"Por que?"
"Quero pedir para tomar uma antitetânica".
"Mas... Por que?"
"Vai que essa coisa velha e enferrujada volte a funcionar..."

Pense nisso.

Família...

PENSE NISSO!
Tropecei em um estranho que passava e lhe pedi perdão.
Ele respondeu: "Desculpe-me, por favor, também não a vi."
Fomos muito educados, seguimos nosso caminhos e nos despedimos.

Mais tarde, eu estava cozinhando e meu filho estava muito perto de mim.

Ao me virar quase esbarro nele. Imediatamente

gritei com ele,

ele se retirou sentido,

sem que eu notasse

quão dura que

lhe falei.

Ao me deitar Deus me disse suavemente: "Você tratou a um estranho de forma cortês, mas destratou o filho que você ama.

Vá a cozinha e irá encontrar umas flores no chão, perto da porta.

São as flores que ele cortou e te trouxe: rosa, amarela e azul.

Estava calado para te entregar a surpresa e você não viu as lágrimas que chegaram aos seus olhos…"


Me senti miserável e comecei a chorar. Suavemente me aproximei de sua cama e lhe disse:

"Acorde querido! Acorde!

Estas são as flores que você cortou para mim?"

Ele sorriu e disse:

"Eu as encontrei junto de uma árvore, e as cortei, porque são bonitas como você,

em especial a azul."

Filho sinto muito pelo que disse hoje, não devia gritar com você.

Ele respondeu:

"está bem mamãe, te amo de todas as formas."

Eu também te amo e adorei as flores,

especialmente a azul.

Entenda que se você morrer amanhã, em questão de dias a empresa onde você trabalha cobrirá seu lugar. Porém, a família que deixamos sentirá a perda pelo resto da vida.

Pense neles, porque geralmente nos entregamos mais ao trabalho que a nossa Família.

Será que não é uma inversão

pouco inteligente?

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Louvando a Paraiba.

Há exatamente 41 anos, numa semana da Pátria, viajei a Sousa - Paraíba a convite de meus colegas de gisasio Dê e Demir. Viagem agradável na cabine de um caminhão de propriedade do pai deles Senhor João Rodrigues. Viagem de poucos dias, mas recheada de fatos e ocorrências importantes. A retreta no patamar da igreja da padroeira, a troca de bilhetes entre jovens, a pescaria no Rio Piranhas com os Gadelha - Petronio e Negrito e, por fim a volta carregado de coco verde produzidos na cidade de São Gonçalo e consumidos no cariri. O vídeo mostra porque o paraibano gosta tanto de sua terra.

FALÊNCIA COLETIVA - Por Mundim do Vale.

No tempo da corrida do ouro da Fortuna. Em Várzea Alegre, foram criadas algumas micro-empresas por conta do entusiasmo dos empreendedores.
Pedro Severino alugou uma casa na Betânia e comprou todos os chifres da matança para fabricação de *tabaqueiros. Colocou o nome da empresa de: Chama Viva.
Alexandre Cabeleira alugou um prédio no mercado velho e contratou dois funcionários para o trabalho de moer sal que na época só existia em pedra. Colocou o nome de: Salpilado do Alex.
Manoel Balbino alugou uma casa na rua do puxado para a fabricação de aluá de cascas de abacaxi, estocou quarenta potes do produto e pôs o nome da empresa de: Aluá do Balbino.
Vicente David se estabeleceu na rua do juazeiro. Picava fumo de rolo enrolava em papelim ou palha de milho e vendia já fechados. Pôs o nome da empresa de: Cheiro de Tabaco.
Inácio do Doce comprou toda a produção de coco catolé da Serra dos Cavalos e montou no alto da prefeitura uma fábrica de rosários de cocos. Colocou o nome da firma de: Rosário Bento. E dizia ainda que a fábrica tinha sido benta por Frei Damião.
Com a frustração do ouro da Fortuna e a chegada de alguns produtos novos na cidade, as micro-empresas sofreram uma crise financeira, por falta de mercado para seus produtos.
De início chegaram os revolucionários isqueiros sete lapadas e a empresa Chama Viva ficou com o estoque de *tabaqueiros todos encalhados, o que causou falência total.
Ao mesmo tempo chegou na cidade o sal pilado em pacotes de quilos, O que fez com que a empresa Salpilado do Alex entrasse em falência.
Em seguida chegaram os refrigerantes Crush e Grapete, que invadiram o mercado fazendo com que todo o estoque de aluá ficasse estragado, causando assim a falência também da: Aluá do Balbino.
Depois foi a vez da chegada dos cigarros BB e Globo para invadir o mercado do Cheiro de Tabaco.
Só quem resistiu a crise foi a Rosário Bento, que trocou a atividade de rosário de coco para quebra queixo.

* Tabaqueiro, na linguagem popular é a mesma coisa de artifício. Que funciona como isqueiro.


Para aqueles que chegaram por último no Sanharol.

SEXTA DE TEXTOS - Sávio Pinheiro

GUARDAR O DOMINGO –
UMA PRÁTICA CRISTÃ



“Só fico morando com você, se for assim!” falava com muita sinceridade o senhor alto, elegante, extrovertido e de olhos claros, Severino Piquiá. “Mas eu não quero que seja assim, o povo vai falar!” respondia Miudinha, trêmula, tentando mudar o imutável senhor. “Sou simpatizante de Abraão, Jacó, Davi e Salomão, homens importantes na Bíblia do Velho Testamento. E não vai ser você, uma marrãzinha cheirando a leite, que mudará o meu pensamento sagrado”, insistia Piquiá.

Miudinha era uma mulher, que apesar da sua pouca idade e estatura, tinha formas perfeitas e atitudes fortes, e os olhos esverdeados que se confundiam com a plantação de capim daquela roça recém-desenhada pelas chuvas de São José eram os mesmos que tentavam colocar o seu recém-namorado na linha da fidelidade e do respeito.

“Não pense que vou abandonar as minhas outras duas mulheres por sua causa, não! Gosto de você, não nego, mas também gosto de Pretinha e de Raimundinha”, retrucava Severino, cheio de boas intenções matrimoniais. “A minha primeira mulher está meio velha, é verdade, mas continua uma campeã, na cozinha. É ela que tem o melhor tempero da região, e o meu paladar lhe é muito grato, portanto não posso abandoná-la.”

“De Raimundinha, não tenho nem o que falar... É uma mulher sensível, mas não se deixa abater pelos fuxicos mundanos. Todos tentam jogá-la contra mim, mas jamais conseguiram”. Quando se transporta a falar da sua segunda mulher, demonstra carinho, respeito e uma sincera simpatia pela moça. Não lhe poupa elogios e quase chega a citar os seus predicativos amorosos. Faz citações seguras e despretensiosas. Um verdadeiro cavaleiro.

De olhos semicerrados, Severino enxerga a poligamia fazendo parte da sua cultura numa comunidade rural pobre e de alto índice de natalidade feminina. Ver a vida de forma simplista, com praticidade econômica, sem preconceito e sem estereótipos. Sente-se um mórmon fundamentalista não excomungado a procura da felicidade plena longe das normas impostas por uma sociedade monogâmica. Enfim, vê-se a si próprio como sendo ele mesmo, junto às suas, na sua visão pessoal das coisas.

Certo domingo, num movimentado balneário às margens de um açude recheado de azul e céu, com um sorriso transfigurado de tanta felicidade, encontro o senhor da vida e da liberdade pilotando uma potente motocicleta de asas celestiais conduzindo uma voluptuosa mulher no assento traseiro. E aí, Severino, qual das suas três mulheres, teve a honra desse magnífico passeio? “Nenhuma delas!” Responde secamente. “Quando discutimos a nossa relação, fui franco com todas. Quero viver em paz com vocês, dando amor, carinho, comida e moradia, numa tríplice igualdade. Porém, fui muito sincero, quando lhes falei: O Domingo será só meu. Ele está guardado só pra mim”.

TRES CONSELHOS.

Um casal de jovens recém-casados, era muito pobre e vivia de favores num sítio do interior. Um dia o marido fez a seguinte proposta para a esposa:"Querida eu vou sair de casa, vou viajar para bem longe, arrumar um emprego e trabalhar até ter condições para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortável. Não sei quanto tempo vou ficar longe, só peço uma coisa, que você me espere e enquanto eu estiver fora, seja FIEL a mim, pois eu serei fiel a você. "

Assim sendo, o jovem saiu. Andou muitos dias a pé, até que encontrou um fazendeiro que estava precisando de alguém para ajudá-lo em sua fazenda. O jovem chegou e ofereceu-se para trabalhar, no que foi aceito. Pediu para fazer um pacto com o patrão, o que também foi aceito. O pacto foi o seguinte: "Me deixe trabalhar pelo tempo que eu quiser e quando eu achar que devo ir, o senhor me dispensa das minhas obrigações. EU NÃO QUERO RECEBER O MEU SALÁRIO. Peço que o senhor o coloque na poupança até o dia em que eu for embora. No dia em que eu sair o senhor me dá o dinheiro e eu sigo o meu caminho". Tudo combinado.

Aquele jovem trabalhou DURANTE VINTE ANOS, sem férias e sem descanso. Depois de vinte anos chegou para o patrão e disse: "Patrão, eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para a minha casa." O patrão então lhe respondeu: "Tudo bem, afinal, fizemos um pacto e vou cumpri-lo, só que antes quero lhe fazer uma proposta, tudo bem? Eu lhe dou o seu dinheiro e você vai embora, ou LHE DOU TRÊS CONSELHOS e não lhe dou o dinheiro e você vai embora. Se eu lhe der o dinheiro eu não lhe dou os conselhos; se eu lhe der os conselhos, eu não lhe dou o dinheiro. Vá para o seu quarto, pense e depois me dê a resposta. Ele pensou durante dois dias, procurou o patrão e disse-lhe: "QUERO OS TRÊS CONSELHOS." O patrão novamente frisou: "Se lhe der os conselhos, não lhe dou o dinheiro. E o empregado respondeu: "Quero os conselhos."

O patrão então lhe falou:

1. NUNCA TOME ATALHOS EM SUA VIDA. Caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar a sua vida.
2. NUNCA SEJA CURIOSO PARA AQUILO QUE É MAL, pois a curiosidade para o mal pode ser mortal.
3. NUNCA TOME DECISÕES EM MOMENTOS DE ÓDIO OU DE DOR, pois você pode se arrepender e ser tarde demais.

Após dar os conselhos, o patrão disse ao rapaz, que já não era tão jovem assim: "AQUI VOCÊ TEM TRÊS PÃES, estes dois são para você comer durante a viagem e este terceiro é para comer com sua esposa quando chegar a sua casa.“ O homem então, seguiu seu caminho de volta, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que tanto amava.

Após primeiro dia de viagem, encontrou um andarilho que o cumprimentou e lhe perguntou:"Pra onde você vai?“ Ele respondeu: "Vou para um lugar muito distante que fica a mais de vinte dias de caminhada por essa estrada." O andarilho disse-lhe então: "Rapaz, este caminho é muito longo, eu conheço um atalho que é dez, e você chega em poucos dias.“ O rapaz contente, começou a seguir pelo atalho, quando lembrou-se do primeiro conselho, então voltou e seguiu o caminho normal.

Dias depois soube que o atalho levava a uma emboscada. Depois de alguns dias de viagem, cansado ao extremo, achou pensão à beira da estrada, onde pode hospedar-se. Pagou a diária e após tomar um banho deitou-se para dormir. De madrugada acordou assustado com um grito estarrecedor. Levantou-se de um salto só e dirigiu-se à porta para ir até o local do grito. Quando estava abrindo a porta, lembrou-se do segundo conselho. Voltou, deitou-se e dormiu.

Ao amanhecer, após tomar café, o dono da hospedagem lhe perguntou se ele não havia escutado gritos durante a noite, e ele respondeu que sim. O hospedeiro perguntou-lhe se não estava curioso a respeito, e ele respondeu que não. O hospedeiro prosseguiu: “VOCÊ É O PRIMEIRO HÓSPEDE A SAIR DAQUI VIVO, pois meu filho tem crises de loucura, grita durante a noite... e quando o hóspede sai, mata-o e enterra-o no quintal.”

O rapaz prosseguiu na sua longa jornada, ansioso por chegar a sua casa. Depois de muitos dias e noites de caminhada... Já ao entardecer, viu entre as árvores a fumaça de sua casinha, andou e logo viu entre os arbustos a silhueta de sua esposa. Estava anoitecendo, mas ele pode ver que ela não estava só. Andou mais um pouco e viu que ela tinha entre as pernas, um homem a quem estava acariciando os cabelos. Quando viu aquela cena, seu coração se encheu de ódio e amargura e decidiu-se a correr de encontro aos dois e a matá-los sem piedade.Respirou fundo, apressou os passos, quando lembrou-se do terceiro conselho. Então parou, refletiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo e no dia seguinte tomar uma decisão.

Ao amanhecer, já com a cabeça fria, ele pensou: "NÃO VOU MATAR MINHA ESPOSA E NEM O SEU AMANTE. Vou voltar para o meu patrão e pedir que ele me aceite de volta. Só que antes, quero dizer a minha esposa que eu sempre FUI FIEL A ELA". Dirigiu-se à porta da casa e bateu.

Quando a esposa abre a porta e o reconhece, se atira em seu pescoço e o abraça afetuosamente. Ele tenta afastá-la, mas não consegue. Então, com lágrimas nos olhos lhe diz: "Eu fui fiel a você e você me traiu..."Ela espantada lhe responde: "Como? Eu nunca lhe trai, esperei durante esses vintes anos!"Ele então lhe perguntou: "E aquele homem que você estava acariciando ontem ao entardecer?"

"AQUELE HOMEM É NOSSO FILHO. Quando você foi embora, descobri que estava grávida. Hoje ele está com vinte anos de idade.“ Então o marido entrou, conheceu, abraçou o filho e contou-lhes toda a sua história, enquanto a esposa preparava o café. Sentaram-se para tomar café e comer juntos o último pão.

APÓS A ORAÇÃO DE AGRADECIMENTO, COM LÁGRIMAS DE EMOÇÃO, ele parte o pão e, ao abri-lo, encontra todo o seu dinheiro, o pagamento por seus vinte anos de dedicação!

Muitas vezes achamos que o atalho "queima etapas" e nos faz chegar mais rápido, o que nem sempre é verdade... Muitas vezes somos curiosos, queremos saber de coisas que nem ao menos nos dizem respeito e que nada de bom nos acrescentará... Outras vezes, agimos por impulso, na hora da raiva, e fatalmente nos arrependemos depois...
Espero que você, assim como eu, não se esqueça desses três conselhos e que, principalmente, não se esqueça de CONFIAR em DEUS... (mesmo que a vida, muitas vezes já tenha te dado motivos para a desconfiança).


065 - Historias de varzealegrenses.

André Batista de Freitas - Andrezinho Batista.

Nas decadas de 50, 60, e 70 do seculo passado, até o advento do bicudo a principal atividade dos varzealegrenses era a lavoura do algodão. O ouro branco era o nosso produto mais valorizado apesar de sermos da terra do arroz. Depois de colhido o algodão era acondicionado em sacos de estopa para ser levado para uzina. De cada saco era descontado quilo e meio, tivesse com 40, 50, ou 60 quilos. Portanto era vantajoso que se colocasse o maior numero de quilos em cada saco.

Pendurava-se uma corda numa linha do armazem, um caboclo ficava dentro do saco para pisar e outro fora para colocar o algodão. Um dia, no Mocotó, quando terminaram de encher um saco o enchedor aluiu e disse: esse dar 60 quilos.

Foi então que Andrezinho Batista sentenciou: Pesado por Dudu Alexandrino não dar nem 40.

aam.