quarta-feira, 5 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
CRATO - FRAGMENTOS DA SUA HISTÓRIA - Por Vicente Almeida
Na primeira metade do século XX, o Crato era o centro de uma grande região para onde tudo convergia. A grande feira semanal e o movimentado comércio, atraíam compradores e vendedores, que em lombos de animais acondicionavam as mercadorias que taziam para comercializar e levavam aquelas que compravam para revenda ou consumo. Crato negociava com os Estados de Pernambuco, Piaui, Paraíba e Rio Grande do Norte.O prédio desta foto, (pena não ser colorida) de magnífica arquitetura, estilo barroco, que floreceu no século no XVI permanecendo até o século XIX.
Era sua fachada bem elaborada, revestida com azuleijo (provavelmente português) muito comum naquela época, com arcadas ogivais e a incansável criatividade do artezão, carregada de atmosfera artística e cultural.
As 20 portas visíveis com arcadas em alto relevo, davam harmonia e graça ao trabalho artistico da alvenaria.
Se observar as arcadas ogivais das 20 portas, (12 na face voltada para a rua e 08 na face voltada para a Praça Siqueira Campos) o leitor se surpreenderá com os detalhes. Somente 05 portas davam acesso ao interior do prédio. Esse estilo arquitetonico, pouco a pouco vai desaparecendo e virando poeira na noite dos tempos, restando apenas saudosas lembranças como esta. Não foi detectado sinais de iluminação pública. Se desejar vizualizar a foto em detalhes, use Softwares tipo: Picasa 3, Corel photo-paint x3, ou similar.
Este cenário fotográfico, localizava-se na antiga Rua do Commércio com o seu calçamento de pedra tosca, e foi palco de grandes descisões financeiras, que promoveram o progresso do Crato, da Região do Cariri e estados vizinhos, pois aqui, foi instalada em 1921, a primeira instituição de crédito do Sul do Ceará: O Banco do Cariry (Cariry – ortografia antiga), graças aos esforços e arrojado desempenho de D. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro bispo da recém criada Diocese do Crato. Nas duas placas, uma acima do transeunte e a outra em frente a Praça Siqueira Campos, está escrito “Banco do Cariry”.
Após 1930, a Rua do Commércio passou a denominar-se: Rua Dr. João Pessoa.
Vale observar que até o século XX, nas cidades interioranas que normalmente se iniciavam com pequenos vilarejos, a rua onde se aglomeravam as casas de comércio (secos e molhados, tecidos e confecções, artigos de armarinho, ferragens, e tudo o mais) era denominda pela população de rua do Commércio (commércio – ortografia antiga), mas, no caso do Crato, já no século XIX, essa rua era popularmente conhecida por Rua Grande.
A antiga Rua do Commércio terminava na Praça Siqueira Campos. Essa Praça foi inaugurada em 1917 pelo Prefeito Cel. Teodorico Teles de Quental. Lá no cantinho da Praça, o leitor atente para o trabalho também artezanal da copa bem cuidada do pequeno pé de benjamim, demonstrando a preocupação do governo municipal com o cartão postal da cidade. Tempo bom aquele!
O QUE MUDOU EM QUASE UM SÉCULO
A sede do Banco do Cariri, em 1947 foi transferida para a Rua Senador Pompeu, onde funcionou o Banco do Brasil. Em 1972 foi incorporado pelo Banco do Juazeiro e passou a denominar-se BIC - Banco Industrial do Cariri. Já com o poder acionário em mãos da família Bezerra a sua sede foi mais uma vez transferida, desta vez para a Rua Bárbara de Alencar, em frente a nova sede do Banco do Brasil. Em 2000 a agência encerrou suas atividades no Crato.
O prédio antigo, pela força natural do progresso, cedeu seu lugar à estrutura de concreto armado da foto abaixo, denominado Edifício Nossa Senhora da Penha, inaugurado em 12/10/1963. Temos agora a Rua Dr. João Pessoa asfaltada, e a Praça Siqueira Campos com a sua área reduzida.
Contudo, o pé de benjamim da foto antiga está ai, engrossou e ganhou altura, tornando-se uma frondosa e imponente árvore que o tempo só a tornou mais útil e mais bela. Mas, ninguém percebe a sua beleza. É triste dizer; A sua copa hoje parece com cabelos desgrenhados. Está muito desprezado pelo homem que tem a sua sombra como um refrigério em dias ensolarados!!!
Segunda Cancela - 1920-1929 - Por Dr. Savio Pinheiro.
Na serra, o lazerTinha mil facetas:
Jogar carrapetas
E sugar o mel.
Tirando colméia,
Caçando e pescando
E valorizando
As rodas de cordel.
Seguindo o caminho
Da vida escolar
Tentando estudar
Pegou a sacola.
Contudo, ruíram
Suas fantasias,
Somente cem dias
Esteve na escola.
Foi em vinte e um,
Que aconteceu
E prevaleceu
Este dissabor.
Porém, não estava
Tudo exterminado
Com todo cuidado
Viu outro valor.
Pressentiu o estudo
Um tanto atrasado
E o ponto estudado
Não lhe interessou.
Ele decidido
Só leu tão-somente
O que no presente
O interessou.
No ano seguinte,
Começa a cantar
E a versejar
Bonitas estórias.
Sentindo prazer
E encantamento
Já dá andamento
A novas vitórias.
O povo aplaude
O novo talento
Ele, muito atento,
Não aceita esmola.
No ano vinte e cinco,
Com o seu improviso
Bastante preciso
Quer uma viola.
Com grande poder
De convencimento
Mostra um argumento
De grande valor.
Sua mãe piedosa
Comprando a viola
Cria a grande escola
De um cantador.
No ano vinte e seis,
O jornal “Correio
Do Ceará”, veio
E fez publicar.
Bonito poema
De dom pioneiro
Foi ele o primeiro
Que se ouviu falar.
Em mil, novecentos
E mais vinte e nove,
Ele se promove
Viajando ao Pará
E um primo da mãe,
José Montoril,
Mostrou-lhe um Brasil
No além Ceará.
Cantando em Belém
Com voz emotiva
O bom “Patativa”
Fez-se apelidar,
Pois José Carvalho
De Brito lhe aclama
Antevendo a fama
Que vai aflorar.
Cantou com o poeta
Rufino Galvão
Sentindo a emoção
De um dia voltar.
O eterno parceiro
De sua estadia
Brilha noite e dia
Com o seu bom cantar.
A sua turnê
Demora algum tempo
Pois já é passatempo
A improvisação.
Após cinco meses
De peito na brasa
Retorna a sua casa
Com recordação.
Dr. Sávio Pinheiro.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
GUERREIRO DA FÉ - Por Mundim do vale
Tou aqui no Juazeiro
Do meu santo Padim Ciço,
Tou distante do feitiço
Porque sou um bom Romeiro.
Meu padim é o conselheiro
Que conduz minha jornada.
Com a mão abençoada
Retira do meu caminho,
Pedra, buraco e espinho
Nessa minha caminhada.
Para os poetas e poetisas do blog.
Mundim.
Do meu santo Padim Ciço,
Tou distante do feitiço
Porque sou um bom Romeiro.
Meu padim é o conselheiro
Que conduz minha jornada.
Com a mão abençoada
Retira do meu caminho,
Pedra, buraco e espinho
Nessa minha caminhada.
Para os poetas e poetisas do blog.
Mundim.
Primeira Cancela - 1909/1919 - Por Dr. Savio Pinheiro
A cinco de Março,O Antonio Nasceu,
Cresceu e viveu
No campo, a sonhar.
A sua mãe Maria,
O seio lhe dava
E lhe amamentava
Pra vida enfrentar.
Em mil novecentos
E nove, brotou.
Seu pai trabalhou
Com garra e com fé,
No meio da seca
Sofreu de dá pena
E resou novena
Para São Jose.
Numa sexta-feira,
De lua bem cheia,
A noite clareia
Com muito esplendor.
Serra de Santana
Acolhe a criança,
Que boa lembrança,
Que sublime amor.
A vila Assaré
Já fora um atalho
De muito trabalho
No nosso sertão,
Pois quem conduzisse
Alguma boiada
Encurtava-lhe a estrada
Naquele rincão.
Brasil governado
Por Afonso Pena
Ditava a novena
Pro povo de cá
Nogueira Acioly
Oligarca nato
Fechava o mandato
No meu Ceará.
Marechal Rondon
Em plena floresta
Dava sua festa
De vez futurista.
Antonio Gonçalves
Os astros mostravam!
E já anunciavam
Sendo um idealista.
Aos quatro de idade
Teve uma doença,
Que nem mesmo a crença
E a reza curou
Com o rosto doído
E a vista afetada
Sem crer em mais nada
Um olho cegou.
Em mil novecentos
E doze é chamado
E apelidado
Com todo carinho
A sua familia
Que lhe representa
Ao povo apresenta
Como Senhorzinho.
No ano dezessete
Do seculo vinte
Fez-se bom ouvinte
De um verso em papel
De ouvido aguçado
E entendendo o artista
Quis ser repentista
Cantor menestrel.
Seu Pedro Gonçalves
Neste mesmo ano
Tem um desengano
E voa pro alem
Deixa cinco filhos
Em pranto fecundo
E Antonio, o segundo
Sem muito vintem.
Vinte e oito cidades
E o dobro de vilas
Compoem as filas
Do seu Ceará
Sem ver o progresso
Apela por chão
Plantando feijão
E maracujá.
Dr. Savio Pinheiro.
domingo, 2 de maio de 2010
" Da hora do parto a triste partida" - Dr.Savio Pinheiro.
O vôo centenario do Patativa do Assaré - Obra literaria do Dr. Jose Savio Pinheiro será postada para os leitores do Blog do Sanharol, a partir de amanhã. Dividida em 10 subtitulos de 1909 até 2009, periodos de tempos chamados de cancela pelo nobre autor. Acompanhe a homenagem do grande cordelista ao Patativa, por ocasião dos 100 de nascimento.Postado por A.Morais
Coisas da idade... Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Quando a gente envelhece, tudo acontece... Uma senhora cratense que passava dos 65 anos foi a um conhecido médico ortopedista, queixando-se de fortes dores no joelho. Eram tantas as dores que ela já não podia subir e descer escadas. E as suas costumeiras caminhadas matinais pela praça defronte da maternidade foram interrompidas por vários dias, tamanhas eram as dificuldades que ela sentia quando andava. O médico lhe prescreveu alguns medicamentos antiinflamatórios e secções de fisioterapia.
Decorridos mais de um mês do tratamento prescrito, aquela cliente retornou ao ortopedista, queixando-se do resultado que estava muito demorado:
– Doutor, já faz mais de um mês que eu me trato e não vejo melhora neste meu joelho. Por que o meu joelho está demorando tanto a ficar bom se os jogadores de futebol arrebentam o joelho num domingo e no outro já estão jogando?
– É porque não existe nenhum jogador de futebol com mais de 65 anos.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Decorridos mais de um mês do tratamento prescrito, aquela cliente retornou ao ortopedista, queixando-se do resultado que estava muito demorado:
– Doutor, já faz mais de um mês que eu me trato e não vejo melhora neste meu joelho. Por que o meu joelho está demorando tanto a ficar bom se os jogadores de futebol arrebentam o joelho num domingo e no outro já estão jogando?
– É porque não existe nenhum jogador de futebol com mais de 65 anos.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
MARISOL dos sonhos juvenis - Por Xico Bizerra
Eu sabia que não era verdade, que era apenas pabulagem. Ele mentia para me fazer inveja, só porque morava na capital e eu era um menino besta do interior. Chatice de menino chato. Tinha certeza que ele não vira, mesmo morando na Capital, o último filme de Marisol, em que ela volta de Madri pra sua aldeia natal. Curioso, perguntei-lhe como ela fizera a viagem, se de avião ou de ônibus. Ele baixou os olhos e num tom de voz quase inaudível, próprio dos inimigos da verdade, respondeu-me que fora de avião. Desconversou, mudou de assunto e fomos jogar bola.
Quando o filme passou no Crato, encantei-me com a volta de Marisol pra sua cidade. Embelezando o já naturalmente belo, suas madeixas amarelas e um vestidinho da mesma cor. O mar estava lindo, combinando com Marisol. Ela não enjoou na viagem e cantava como nunca.
Xico Bizerra
sábado, 1 de maio de 2010
APOIS EU SOU É BORIS - Por Mundim do Vale- reprise
No ano de 1.965, esse contador de causos e mais alguns jovens de Várzea Alegre, fundaram uma pequena sociedade esportiva que tinha o nome de Charanga Esporte Clube. Tocando samba a gente animava a torcida do time e o carnaval de rua da cidade.
Certa vez o Dr. José Iran Costa, convidou alguns componentes da charanga para uma festa no Sítio Riacho Fundo de propriedade do seu pai André Costa.
Noberto Rolim, um dos integrantes, conseguiu com o seu pai Jocel Batista uma camionete para nela transportar os instrumentos e o pessoal. Quando nós estávamos de saída chegou Boris Gibão com a maleta do caipira pedindo uma carona.Noberto com muita gentileza concordou e ele foi conosco. Chegamos no sítio por volta do meio dia e já estava rolando: Bebida, churasco, banho de açude e forró com Chico de Amadeu. Boris instalou uma banca na varanda e começou a bancar o caipira. Em menos de duas horas alisou os moradores dos sítios vizinhos. Ninguém conseguia ganhar, quando alguém jogava no três Boris amarrava o seis, quando jogavam no seis ele amarrava o três e assim só ele ganhava.
Quando Boris notou que ninguém tinha mais dinheiro, inventou que seu jumento tinha fugido e gritou:
- Ei negrada! Meu jumento Sabonete fugiu e agora eu num sei cuma é qui vou vortar. Se um de vocês achar eu dou cinqüenta cruzeiros.
A matutada ganhou os matos atrás daquele jegue foi com vontade. Chegava gente com jumento preto, cinzento, branco, jumenta parida e até burro. Teve um sujeito que trouxe até a cabra de Maria da Vazante.
Quando o anfitrião viu que a brincadeira estava tomando um rumo perigoso resolveu intervir:
- Pessoal! Boris não perdeu jumento coisa nenhuma. Ele veio foi na camionete de Jocel junto com aquela cambada de meninos zoadentos.
No meio dos não convidados tinha um da serra Boris, lugar que era conhecido pela fama de só morar gente valente e violenta. Aquele moço não gostou da brincadeira e ficou o tempo todo encarando Boris com expressão ameaçadora.
Quando foi lá pelas duas horas da madrugada, Boris e o elemento já bastante embriagados começaram a discutir na varanda. Já estavam nas ofensas quando o sujeito colocou a mão por baixo da camisa simulando que estaria armado.
João Siebra e Joãozinho Costa que estavam próximo imobilizaram o elemento, enquanto Dr. Iran aconselhava Boris para que não fizesse a sua festa se transformar numa tragédia.
No momento em que tudo parecia tranqüilo o sujeito da serra Boris deu um pulo, olhou para Boris e falou:
- Você tá pensando o que? Eu sou é da Serra Boris.
Boris levantou os braços e gritou:
- Grande coisa! Apois eu sou é Boris.
Naquele dia faltou pouca coisa para que Boris fosse enterrado do Rubão.
Certa vez o Dr. José Iran Costa, convidou alguns componentes da charanga para uma festa no Sítio Riacho Fundo de propriedade do seu pai André Costa.
Noberto Rolim, um dos integrantes, conseguiu com o seu pai Jocel Batista uma camionete para nela transportar os instrumentos e o pessoal. Quando nós estávamos de saída chegou Boris Gibão com a maleta do caipira pedindo uma carona.Noberto com muita gentileza concordou e ele foi conosco. Chegamos no sítio por volta do meio dia e já estava rolando: Bebida, churasco, banho de açude e forró com Chico de Amadeu. Boris instalou uma banca na varanda e começou a bancar o caipira. Em menos de duas horas alisou os moradores dos sítios vizinhos. Ninguém conseguia ganhar, quando alguém jogava no três Boris amarrava o seis, quando jogavam no seis ele amarrava o três e assim só ele ganhava.
Quando Boris notou que ninguém tinha mais dinheiro, inventou que seu jumento tinha fugido e gritou:
- Ei negrada! Meu jumento Sabonete fugiu e agora eu num sei cuma é qui vou vortar. Se um de vocês achar eu dou cinqüenta cruzeiros.
A matutada ganhou os matos atrás daquele jegue foi com vontade. Chegava gente com jumento preto, cinzento, branco, jumenta parida e até burro. Teve um sujeito que trouxe até a cabra de Maria da Vazante.
Quando o anfitrião viu que a brincadeira estava tomando um rumo perigoso resolveu intervir:
- Pessoal! Boris não perdeu jumento coisa nenhuma. Ele veio foi na camionete de Jocel junto com aquela cambada de meninos zoadentos.
No meio dos não convidados tinha um da serra Boris, lugar que era conhecido pela fama de só morar gente valente e violenta. Aquele moço não gostou da brincadeira e ficou o tempo todo encarando Boris com expressão ameaçadora.
Quando foi lá pelas duas horas da madrugada, Boris e o elemento já bastante embriagados começaram a discutir na varanda. Já estavam nas ofensas quando o sujeito colocou a mão por baixo da camisa simulando que estaria armado.
João Siebra e Joãozinho Costa que estavam próximo imobilizaram o elemento, enquanto Dr. Iran aconselhava Boris para que não fizesse a sua festa se transformar numa tragédia.
No momento em que tudo parecia tranqüilo o sujeito da serra Boris deu um pulo, olhou para Boris e falou:
- Você tá pensando o que? Eu sou é da Serra Boris.
Boris levantou os braços e gritou:
- Grande coisa! Apois eu sou é Boris.
Naquele dia faltou pouca coisa para que Boris fosse enterrado do Rubão.
Dedico esse causo, a guerreira Claude Boris.
Mundim do Vale
Poema dedicado ao Raimundo Nonato Rodrigues - Por Claude Bloc Boris.

Na foto: Claude (de Chapéu de couro e com espingarda), Dominique (a mais alta), Ricardo Saraiva, Edilma Saraiva, Edilsinho Saraiva (já falecido) - os três filhos de Seu Edilson Rocha, seu "Satisfeito", do foto Saraiva, em Crato - Bertrand Bloc, Tony Bloc, Jacques Bloc Boris (meus irmãos), Tereza Duarte, Lourdes (ambas de Crato).
A vida passa também
A alegria anoitece
Amanhece o querer bem
E cada dia que passa,
A gente passa também.
Me lembro quando criança
Nas noites de São João
Arredor de uma fogueira
Brincava com a ilusão
Veio o tempo de mansinho
Arrancou meu coração.
Hoje me faz tanta falta
A alegria que eu tinha
Brincava de perder tempo
Com a vida que era minha
Hoje eu sei que a vida passa
Por onde a gente caminha.
Sinto falta das moagens
De fogos, renovações
De tomar banho no açude
De cantoria e canções
Que de noite se ouvia
Remoendo as emoções.
E os passeios a cavalo
Pelos cantos da fazenda?
Com o sol queimando a gente
E a lua fazendo renda...
Eu ia sempre a galope
Até chegar na moenda.
Ia pelo Caldeirão,
Oiticica e Represa
Na casa de Mané Danta
Chegava assim de surpresa
Mas sempre tinha feijão
Com arroz em sua mesa.
Eu ia na farinhada
Queria participar
Via fazer a farinha
A goma no sol secar
Tirava a manipueira
Pra goma não estragar.
De noite tinha pipoca
Baralho e brincadeira
O violão despertava
O amor, essa fogueira
E do tempo que passava
Hoje só resta a poeira.
Claude Bloc Boris.
QUERENDO E SEM QUERER - Por Mundim do Vale
Acontecia a festa de São Raimundo Nonato em Várzea Alegre e a cidade já estava cheia. Eram: Jogadores, prostitutas, fotógrafos, descuidistas e outros mais. Paralelo a festa chegou na cidade um novo destacamento vindo de Juazeiro, tendo como comandante o capitão Nonato, que também era chegado a uma aguardente, mesmo estando de serviço.
Na tarde do último dia de festa, José Querendo bebia na feira, quando não sei porque cismou com um dos policiais novatos. Murro vai murro vem e uma hora lá, Zé desceu uma banda de cambito na cabeça do policial. Mas pra que ele foi fazer aquilo? Foi mesmo que assanhar um boca torta, chegou mais de dez soldados para vingar o companheiro, Zé apanhou mais do que enteado e ainda foi preso. Ou família grande e unida só é a de soldado.
Depois da prisão de Zé Querendo, um irmão e o pai dele ficaram boatando na cidade , dizendo que se mais alguma coisa acontecesse com zé eles acabariam com a raça.
O pai dizia:
- Se eles tornar a açoitar Zé meu, eu faço do mermo jeito qui os galego de Quilar fizero cum os ôtos.
O irmão dizia:
-Eles num tão nem cum a gota prumode querer bater mais im Zé meu irmão. Se Zé aparecer cum um biliscão, num vai sobrar mais nem um sordado.
Quando eles faziam esse comentário, o motorista Misquece ouviu a conversa e foi correndo dizer ao capitão:
- Seu capitão, seu capitão! Tem dois Querendo bebendo ali no bar de Alberto e tão dizendo que vão botar a polícia pra correr, se não soltarem Zé Querendo.
O capitão juntou a tropa, quando chegaram no bar, não deu nem tempo dos dois cuspirem, depois de alguns sopapos estavam os três Querendos juntos na cadeia.
O capitão olhou para Zé e disse:
Pronto Zé. Nós trouxemos seu pai e seu irmão para lhe fazer companhia. Família unida permanece unida.
Quando foi a noite a polícia foi chamada no Ingém Véi, onde tinha um cabra de Matorzinho, com um chapéu de couro, sem querer deixar o pessoal dançar a gafieira que Bié tocava. O moço estava mais alterado do que petista fora do primeiro escalão do governo. O policiamento chegou, o sujeito quis correr mas não deu tempo. Só ficou inteiro o chapéu de couro um santinho de um candidato a vereador, que ele tinha no bolso. Depois do elemento imobilizado
O capitão colocou o chapéu numa mesa e falou:
- Pode tocar a gafieira Seu Bié. Se algum engraçadinho colocar esse chapéu na cabeça, vai passar o resto da festa do padroeiro no xadrez.
A festa continuou e algumas pessoas que não sabiam do acontecido, foram chegando e botando o chapéu na cabeça. Depois disto o capitão lotou duas viaturas de presos.
Na manhã seguinte o carcereiro Luís Miguel chegou com uma quartinha de água para os presos, quando o dono do chapéu perguntou:
- E aí Seu Luís. Como é que vai ficar? Eu vim lá de Matorzinho só pagar uma promessa a São Raimundo e tou preso.
O carcereiro respondeu:
- Se preocupe não, meu rapaz. Você não vai ficar devendo nada a São Raimundo. Não tem promessa no mundo que maltrate mais um cristão do que a mão de peia que você levou esta noite.
Depois disso Mundola que era o comprador oficial de cigarros dos presos desceu o alto da cadeia gritando.
- Eita! Qui a cadeia tá isborrotando de preso,.Eu contei quinze. Tem três Querendo e doze sem querer.
Na tarde do último dia de festa, José Querendo bebia na feira, quando não sei porque cismou com um dos policiais novatos. Murro vai murro vem e uma hora lá, Zé desceu uma banda de cambito na cabeça do policial. Mas pra que ele foi fazer aquilo? Foi mesmo que assanhar um boca torta, chegou mais de dez soldados para vingar o companheiro, Zé apanhou mais do que enteado e ainda foi preso. Ou família grande e unida só é a de soldado.
Depois da prisão de Zé Querendo, um irmão e o pai dele ficaram boatando na cidade , dizendo que se mais alguma coisa acontecesse com zé eles acabariam com a raça.
O pai dizia:
- Se eles tornar a açoitar Zé meu, eu faço do mermo jeito qui os galego de Quilar fizero cum os ôtos.
O irmão dizia:
-Eles num tão nem cum a gota prumode querer bater mais im Zé meu irmão. Se Zé aparecer cum um biliscão, num vai sobrar mais nem um sordado.
Quando eles faziam esse comentário, o motorista Misquece ouviu a conversa e foi correndo dizer ao capitão:
- Seu capitão, seu capitão! Tem dois Querendo bebendo ali no bar de Alberto e tão dizendo que vão botar a polícia pra correr, se não soltarem Zé Querendo.
O capitão juntou a tropa, quando chegaram no bar, não deu nem tempo dos dois cuspirem, depois de alguns sopapos estavam os três Querendos juntos na cadeia.
O capitão olhou para Zé e disse:
Pronto Zé. Nós trouxemos seu pai e seu irmão para lhe fazer companhia. Família unida permanece unida.
Quando foi a noite a polícia foi chamada no Ingém Véi, onde tinha um cabra de Matorzinho, com um chapéu de couro, sem querer deixar o pessoal dançar a gafieira que Bié tocava. O moço estava mais alterado do que petista fora do primeiro escalão do governo. O policiamento chegou, o sujeito quis correr mas não deu tempo. Só ficou inteiro o chapéu de couro um santinho de um candidato a vereador, que ele tinha no bolso. Depois do elemento imobilizado
O capitão colocou o chapéu numa mesa e falou:
- Pode tocar a gafieira Seu Bié. Se algum engraçadinho colocar esse chapéu na cabeça, vai passar o resto da festa do padroeiro no xadrez.
A festa continuou e algumas pessoas que não sabiam do acontecido, foram chegando e botando o chapéu na cabeça. Depois disto o capitão lotou duas viaturas de presos.
Na manhã seguinte o carcereiro Luís Miguel chegou com uma quartinha de água para os presos, quando o dono do chapéu perguntou:
- E aí Seu Luís. Como é que vai ficar? Eu vim lá de Matorzinho só pagar uma promessa a São Raimundo e tou preso.
O carcereiro respondeu:
- Se preocupe não, meu rapaz. Você não vai ficar devendo nada a São Raimundo. Não tem promessa no mundo que maltrate mais um cristão do que a mão de peia que você levou esta noite.
Depois disso Mundola que era o comprador oficial de cigarros dos presos desceu o alto da cadeia gritando.
- Eita! Qui a cadeia tá isborrotando de preso,.Eu contei quinze. Tem três Querendo e doze sem querer.
Tingui e o touro de Jose Vieira - Antonio Alves de Morais
Era um costume antigo o padrinho doar uma bezerra para o afilhado. Assim sendo, o meu avô e padrinho me presenteou com uma bezerra, que ao crescer foi batizada de “ Manchada”. Quando já me entendia de gente João de Cícero Correia, o encarregado de botar as vacas para o curral, apressou o passo e Manchada morreu vitima do maldito tingui.
O valor que minha vaquinha tinha estava no fato de ser um presente do meu avô e padrinho que morreu quando eu tinha apenas dois anos e três meses de idade, com 49 anos, e, eu sendo o seu primeiro e unico neto, era o valor estimativo.
O touro de Jose Vieira do Chico, conhecido por Faceiro, quando Zé Bernardo botou as vacas para o curral é que foi sentir falta. Retornou para o campo a procurar. Quando o encontrou, Faceiro estava morto, partiu para dar a noticia ao patrão.
Ao encontra-lo, disse preocupado - Seu José, Faceiro morreu! Homi de Deus, isso é noticia que você me dê. Diga que ele saiu da roça, falou Jose Vieira desencantado.
Por A. Morais
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