quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Confissão de Caboco II - Ze da Luz.

Sinhor dotô delegado,
Digo a vossa sinhuria,
qui inté ontem fui casado
com a muié qui im vida
Se chamô ROSA MARIA.

Faz dez mês qui se gostemo,
Faz oito qui fumo noivo
Faz sete qui nós casêmo.
Nós casêmo e nós vivia
Cuma pobre, é verdade,
Mas a gente se sentia
Rico de filicidade!

Pras banda qui nós morava,
No lugá Chã da Cutia,
Morava tombém um cabra
Chamado Chico Faria.

Esse cabra, antigamente,
Tinha gostado de Rosa,
Chegaro, inté a sê noivo,
Mas num fizero a “introza
”Do casamento, prumode
Mané Uréia de bode,
Qui era padrim de Maria
Tê dismanchado essa prosa

Postado por A. Morais

75% dos assentados não tem acesso aos creditos do Governo.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou nesta terça-feira, 13, o resultado de uma pesquisa feita pelo Ibope sobre os assentamentos rurais consolidados da reforma agrária. De acordo com o levantamento, 72,3% dos entrevistados afirmam não gerar renda na propriedade adquirida, número que fecha com o total de assentados que ganham até dois salários mínimos por mês - 72%. Para a senadora e presidente da entidade, Kátia Abreu (DEM-GO), os dados apresentados "comprovam que o modelo de lote de terra não reduz a pobreza no Brasil".
Antes de conhecer o resultado oficial da pesquisa, mas numa clara antecipação às críticas dos ruralistas, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, afirmou durante audiência pública realizada na manhã desta terça-feira, no Senado, que a agricultura familiar é mais produtiva que outras as modalidades de agricultura.
Da totalidade dos entrevistados, 47,7% disseram não produzir nem o suficiente para sustentar suas famílias. Um número menor, mas significativo (37%), afirma não produzir nada em suas terras. Outros 24,6% dizem produzir somente o necessário para subsistência.
Entre outros dados da pesquisa em relação à produção nos lotes distribuídos pela reforma agrária, 63% dos entrevistados disseram que usam seu lote de terra. Entretanto, no Assentamento Caxangá (PE), 99% declaram não estar produzindo na propriedade atualmente.
Também de acordo com o levantamento, 46% dos assentados compraram suas terras ilegalmente de terceiros e 75% não têm acesso aos programas de crédito do governo.
"Se existe uma coisa que não aprendemos a fazer, infelizmente, foi reforma agrária", avaliou a senadora Kátia Abreu. "Precisamos aprimorar o modelo, que não está gerando renda e que acaba transformando os assentamentos em verdadeiras favelas rurais. Isso precisa ser revisto", continuou.
A pesquisa do Ibope foi realizada entre 12 a 18 de setembro, em mil domicílios. Para a amostragem, foram considerados nove assentamentos de nove Estados brasileiros que se enquadravam no nível 7 (de uma escala de 1 a 7). Este nível leva em conta a emancipação do assentamento. De acordo com os dados do Ibope, 240 de um total aproximado de oito mil encontram-se nesse estágio.
"A ideia é a de levantar vazios institucionais para que possam ser preenchidos", disse a senadora. De acordo com ela, a maior parte do resultado da pesquisa do Ibope já era aguardada pela CNA. "Já esperávamos os resultados da pesquisa, mas enquanto não é divulgado por uma instituição de grande porte, pode parecer que estamos falando uma não verdade", argumentou.
Em alguns assentamentos é maior a proporção de crianças que trabalham para terceiros: 19%. O estado do Pará lidera a estatística com 30%. No levantamento, consta que 86% das casas têm banheiros ou sanitários, mas apenas 1% dos domicílios têm rede coletora de esgoto - enquanto 63% deles dispõem de fossas rudimentares.
O Estado.


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Foi Baralho - Antonio Alves de Morais


Depois que li a historia da serenata do Mundim lembrei-me outra estória do nosso amigo Luis Fiúza. Luis tinha residência fixa na sede urbana do município. Era viciado em jogar baralho. Toda noite se deslocava para o quarto de jogo e por lá passava um bom tempo. Ganhava uma, perdia outra e assim ia levando a vida a frente. Um belo dia o baralho castigou Luis e o homem chegou a conclusão que era necessário deixar o vicio.
Resolveu passar uns dias na casa do pai Joaquim Fiuza no sitio Chico. Depois de uma semana sem fazer nada o pai disse: Luis pode pegar uma roçadeira dessas que homem parado dentro de casa não dar certo não.
Foram, então, para roça roçar algodão. Determinada hora um enxame de abelhas de afrinanas avançou em cima de Luis e depois de varias ferroadas o Luis perguntou infezado: Eu só queria saber quem diabo foi que inventou roçar algodão? Joaquim Fiúza respodeu: foi baralho meu filho!

Serenata barulhenta- Mundim do Vale

Joaquim Gomes Fiuza - Politico Varzealegrense.
Certa vez eu e Leandro de Valdeliz fomos fazer uma serenata. A dele era para uma filha adotiva de Chico Máximo e a minha era para Ana Fiúza com quem eu namorava na época. Fomos primeiro para a casa de Chico Máximo na rua Dr. Leandro. Eu todo tempo exigindo silêncio, estava até descalço para não fazer barulho. A radiola era uma Philips daquelas de plástico seco, que emitia o som nas duas tampas. Uma hora lá Leandro descuidou-se e derrubou as tampas no calçamento. Naquele silêncio da madrugada o barulho foi como se fosse um trovão de estalo.
Naquele momento eu vi as lâmpadas da casa de Luís Fiúza acenderam e em seguida ele saiu sem camisa na nossa direção. Como estava escuro eu acendi um cigarro para que com o claro do fósforo Luís pudesse identificar a minha pessoa. Luís chegou pra mim e perguntou:
- O que é que tá havendo aqui?
- Foi Leandro que derrubou as tampas da radiola.
- Eu devia era dar um tiro nessa radiola
- Não Luís deixa para fazer isso daqui a pouco, que daqui eu vou direto pra casa do seu pai, para fazer uma serenata para Ana sua irmã.
- Eu só não vou fazer isso mesmo porque estou sem balas.
- Pois eu lhe empresto duas. Tome.
- Precisa não eu tou é brincando. Vá logo pra casa de pai, que eu tou doido é pra dormir. E tem mais se quiser carregar Ana minha irmã, pode carregar que pai vai achar é bom.
Mundim do Vale.

Proximas postagens - Antonio Alves de Morais

Amigos colaboradores, comentaristas, e leitores do Blog do Sanharol. A partir de amanha estarei postando um poema do Ze de Luz denominado : Confissão de Caboco ". Em sua imaginação o Ze da Luz conta uma historia de um crime parcional causado pelo ciume. Vitima uma esposa fiel e inocente. Reu o marido enciumado, descontrolado e analfabeto, o que fez com que o crime não fosse evitado. Serão 11 postagens e para que se tenha um bom entendimento aconselha-se lê cada postagem. Ze da Luz como sempre utiliza de um falatorio popular sertanejamente puro. Veja os primeiros versos:
Seu duotô, sou criminoso.
Sou criminoso de morte.
Tou aqui pra mim intregá.
Voimicê fique sabendo:
Quando a muié traz a sorte
De atraiçoá o isposo
Só presta para se matá.
Nunca pensei, seu doutô
Qui a mão nêga do distino,
Mer guiasse as minhas mão
No sangue dos assarcino!
Vô li pidí um favô
Ante de vossamercê
Mim butá daqui pra fora:
É a licença do doutô
Pr’eu li contá minha histora.
Postado por A.Morais

É a cara do Sertão - Por Mundim do Vale

Um arrancador de dentes
Que não cobra a extração
Mas entrega ao paciente
Um santinho de eleição
Faz ali uma costura
Depois trás a dentadura
É a cara do sertão.

Um soltado de policia
Discutindo com ladrão
As pastorinhas cantando
Na hora da comunhão
O padre bem caladinho
Danado tomando vinho
É a cara do sertão.

Aluno na palmatória
Porque não deu a lição
Um parque tocando xote
De Luiz rei do baião
E a moçada na varanda
Esperando pela banda
É a cara do sertão.

Por Mundim do Vale

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A Cacimba - Ze da Luz


Tá vendo aquela cacimba
lá na bêra do riacho,
im riba da ribanceira,
qui fica, assim, pru dibáxo
de um pé de tamarinêra.

Pois, um magóte de môça
quage toda manhanzinha,
foima, assim, aquela tuia,
na bêra da cacimbinha
prá tumar banho de cuia.

Eu não sei pru quê razão,
as águas dessa nacente,
as águas que ali se vê,
tem um gosto diferente
das cacimbas de bêbê...

As águas da cacimbinha
tem um gôsto mais mió.
Nem sargada, nem insôça...
Tem um gostim do suó
do suvaco déssas môça...

Quando eu vejo éssa cacimba,
qui inspio a minha cara
e a cara torno a inspiá,
naquelas águas quiláras,
Pego logo a desejá... ...

Desejo, prá quê negá?
Desejo ser um caçote,
cum dois óio dêsse tamanho
Prá ver aquele magóte
de môça tumando banho!

Postado por A. Morais - Dedicada ao amigo poeta Tarciso Coelho.

Mama mia - Por Mundim do Vale

Meu primo Geraldo Piau, depois de ter feito rádio/novela, viajado por todo o Brasil e uma parte da Argentina, adoeceu de alcoolismo e resolveu voltar para Várzea Alegre, onde ficou morando com a sua mãe Izaura e a irmã Antônia.
Um certo dia depois de tomar algumas cachaças na cidade, foi para o sítio Vazante onde morava. Passando por dentro da lagoa de São Raimundo, que estava seca. No estado de embriaguez que estava, caiu, vomitou e rolou por cima do vômito, onde dormiu um pouco. Quando acordou, já era noite e ele subiu para casa no escuro. Bateu na porta tia Izaura saiu com uma lamparina na cabeça e perguntou:
- Quem é?
Geraldo respondeu em espanhol:
- SÕ JÔ. MAMA MIA.
- Sujou mesmo meu filho. A casa tá podre!
Por Mundim do Vale

12 de Outubro - Dia de Nossa Senhora Aparecida.


No dia 12 de outubro, comemoram-se três datas, embora poucos lembrem-se de todas elas: Nossa Senhora Aparecida, padroeira oficial do Brasil, o Dia das Crianças e o Descobrimento da América. Nosso feriado nacional, no entanto, deve-se somente à primeira data, e, embora a devoção à santa remonte aos idos do século XVIII, só foi decretado em 1980.
Há duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida e no Arquivo Romano da Companhia de Jesus, em Roma.
Segundo estas fontes, em 1717 os pescadores Domingos Martins García, João Alves e Filipe Pedroso pescavam no rio Paraíba, na época chamado de rio Itaguaçu. Ou melhor, tentavam pescar, pois toda vez que jogavam a rede, ela voltava vazia, até que lhes trouxe a imagem de uma santa, sem a cabeça. Jogando a rede uma vez mais, um pouco abaixo do ponto onde haviam pescado a santa, pescaram, desta vez, a cabeça que faltava à imagem e as redes, até então vazias, passaram a voltar ao barco repletas de peixes. Esse é considerado o primeiro milagre da santa. Eles limparam a imagem apanhada no rio e notaram que se tratava da imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura.
Durante os próximos 15 anos, a imagem permaneceu com a família de Felipe Pedroso, um dos pescadores, e passou a ser alvo das orações de toda a comunidade. A devoção cresceu à medida que a fama dos milagres realizados pela santa se espalhava. A família construiu um oratório, que, logo constatou-se, era pequeno para abrigar os fiéis que chegavam em número cada vez maior. Em meados de 1734, o vigário de Guaratinguetá mandou construir uma capela no alto do Morro dos Coqueiros para abrigar a imagem da santa e receber seus fiéis. A imagem passou a ser chamada de Aparecida e deu origem à cidade de mesmo nome.
Em 1834 iniciou-se a construção da igreja que hoje é conhecida como Basílica Velha. Em 06 de novembro de 1888, a princesa Isabel visitou pela segunda vez a basílica e deixou para a santa uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis, juntamente com o manto azul. Em 8 de setembro de 1904 foi realizada a solene coroação da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e, em 1930, o papa Pio XI decreta-a padroeira do Brasil, declaração esta reafirmada, em 1931, pelo presidente Getúlio Vargas.
A construção da atual Basílica iniciou-se em 1946, com projeto assinado pelo Engenheiro Benedito Calixto de Jesus. A inauguração aconteceu em 1967, por ocasião da comemoração do 250.º Aniversário do encontro milagroso da imagem, ainda com o templo inacabado. O Papa Paulo VI ofertou à santa uma rosa de ouro, símbolo de amor e confiança pelas inúmeras bênçãos e graças por ela concedidas. A partir de 1950 já se pensava na construção de um novo templo mariano devido ao crescente número de romarias. O majestoso templo foi consagrado pelo Papa, após mais de vinte e cinco anos de construção, no dia 4 de julho de 1980, na primeira visita de João Paulo II ao Brasil.
A data comemorativa à Nossa Senhora Aparecida (aniversário do aparecimento da imagem no Rio) foi fixada pela Santa Sé em 1954, como sendo 12 de outubro, embora as informações sobre tal data sejam controversas. É nesta época do ano que a Basílica registra a presença de uma multidão incontável de fiéis, embora eles marquem presença notável durante todo ano.
A imagem encontrada e até hoje reverenciada é de terracota e mede 40 cm de altura. A cor original foi certamente afetada pelo tempo em que a imagem esteve mergulhada na água do rio, bem como pela fumaça das velas e dos candeeiros que durante tantos anos foram os símbolos da devoção dos fiéis à santa. Em 1978, após o atentado que a reduziu a quase 200 pedaços, ela foi reconstituída pela artista plástica Maria Helena Chartuni, na época, restauradora do Museu de Arte de São Paulo. Peritos afirmam que ela foi moldada com argila da região, pelo monge beneditino Frei Agostinho de Jesus, embora esta autoria seja de difícil comprovação.
Seja qual for a autoria da imagem ou a história de sua origem, a esta altura ela pouco importa, pois as graças alcançadas por seu intermédio têm trazido esperança e alento a um sem número de pessoas. Se quiser saber mais detalhes sobre a Basílica e sua programação, visite o site www.santuarionacional.com.br, no qual também é possível acender uma vela virtual. E já que a fé, assim como a internet, não conhece fronteiras, eu já acendi a minha, por mais paz e igualdade no mundo. Acenda a sua e que Nossa Senhora Aparecida nos ouça e ilumine o mundo, que está precisando tanto de cuidados.
Pstado Por A. Morais

12 de Outubro - Dia da Criança


Minhas crianças: Nair, Ana Thais, João Pedro e Aluisio.

O dia da criança é sem duvida uma das mais importantes comemorações que devemos fazer. Nessa data procura-se realçar o grande valor da criança e o grande papel que ela representa em termos de futuro para a comunidade e para a nação brasileira.
A família é a responsável pela educação da criança, pois é no lar que ela recebe as primeiras lições para um futuro ajustado e feliz. A escola é a continuação do lar. A criança é o homem de amanha, portanto devemos guia-la, ensinando o caminho do bem, fazendo com que ela aprenda a perder, doar-se, pois, é com a derrota que se aprende a vencer e é vencendo com humildade que realmente chaga-se a gloria.
Toda criança deve ter responsabilidade como: comer, vestir, arrumar seus brinquedos, horário de estudo. A responsabilidade nos estudos leva a criança a vencer na vida. A criança é como um lírio que reclama calor, luz, ar, para desabrochar e quando essa criança encontra ambiente propicio, ela cresce pura e inocente, com o riso nos lábios, riso de tranqüilidade e segurança.
A criança precisa de ajuda dos irmãos mais velhos, dos pais, dos amigos, dos professores. Essa proteção hoje vai proporcionar segurança amanha, tornando um líder no seu meio.
Para que o nosso mundo não seja infeliz, precisamos cada dia que passa, preservar e ouvir cada vez mais, o riso puro e descontraído de uma criança. O riso de uma criança é importante para a humanidade porque é acima de tudo, sinônimo de esperança.
Postado Por A. Morais

domingo, 11 de outubro de 2009

As flor de Puxinanã - Por Ze da Luz


Três muié ou três irmã,
três cachôrra da mulesta,
eu vi num dia de festa,
no lugar Puxinanã.

A mais véia, a mais ribusta
era mermo uma tentação!
mimosa flô do sertão
que o povo chamava Ogusta.

A segunda, a Guléimina,
tinha uns ói qui ô! mardição!
Matava quarqué critão
os oiá déssa minina.

Os ói dela paricia
duas istrêla tremendo,
se apagando e se acendendo
em noite de ventania.

A tercêra, era Maroca.
Cum um cóipo muito má feito.
Mas porém, tinha nos peito
dois cuscús de mandioca.

Dois cuscús, qui, prú capricho,
quando ela passou pru eu,
minhas venta se acendeu
cum o chêro vindo dos bicho.

Eu inté, me atrapaiava,
sem sabê das três irmã
qui ei vi im Puxinanã,
qual era a qui mi agradava.

Inscuiendo a minha cruz
prá sair desse imbaraço,
desejei, morrê nos braços,
da dona dos dois cuscús!

Zé da Luz.

UM POUCO MAIS DE HISTÓRIA DIRETAMENTE DO PALCO DA SAUDADE

A PRAÇA SIQUEIRA CAMPOS, localizada no centro da cidade do Crato, já foi decantada por tantos cratenses que parece não haver mais o que falar sobre ela, verdade? Ledo engano! Como tantos outros, queremos aqui deixar registrada a nossa passagem por aquele logradouro tão nosso e tão cheio de encantos.

ELA marcou de forma indelével os jovens enamorados e boêmios que a transformaram em seu ponto de encontro nos anos cinqüenta, sessenta e setenta. Hoje alguns são sexagenários. Com muita honra sou um deles. Fui um dos freqüentadores dominicais daquele aprazível e aconchegante lugar na década de sessenta! E com a chegada da energia da CELCA, atual COELCE, ficou mais encantadora ainda.

NAS noites de domingo, os rapazes iam chegando e formando um cordão humano circulando toda a praça enquanto as moças bem vestidas, belas e educadas desfilavam confiantes e livremente entre admirações e suspiros dos pretensos conquistadores. Curioso é que após 21 horas, elas desapareciam e a gente, não tendo mais o que admirar, ia esvaziando a praça, deixando-a para os boêmios e noctívagos.

QUANDO localizávamos aquela que mais nos atraía e ela correspondia, começava o flerte, (piscadelas de olhos), rápido sorriso, e era só. Aí começava nosso sofrimento, pois a partir daí, a gente ficava ansioso aguardando o próximo domingo. É sim, o namoro não caia do céu num vapt vupt como hoje.

NAQUELE tempo, após o primeiro flerte, transcorriam semanas, às vezes meses até que houvesse uma abordagem direta. E quando faltava coragem ao conquistador, o que era comum, e este era o meu caso, aparecia sempre um mediador para propiciar o encontro. Difícil imaginar algum cratense ou visitante que não tenha freqüentado aquela praça em uma noite de domingo. Ah, que saudades - Bons tempos aqueles!

Há quase sessenta anos - atente para o detalhe dos pés de benjamim nos canteiros - Era realmente um lugar romântico.

MAS COMO, QUANDO E POR QUEM FOI IDEALIZADA E CONSTRUÍDA A PRAÇA SIQUEIRA CAMPOS? QUEM PRESIDIU O ATO INAUGURAL? PORQUE ESCOLHERAM ESSE NOME? A QUEM DEVEMOS ESSE PALCO DE RECORDAÇÕES?

VAMOS abrir o portal do tempo, voar nas asas da imaginação e acampar no passado, lá por 1915.

ENCONTRAREMOS então, investido da função de Prefeito Municipal do Crato, o Coronel Teodorico Telles de Quental, de 1915 a 1919. Homem sério, enérgico e idealista e pai de seis filhos, sendo:

Cel. Filemon Fernandes Telles; agropecuarista, três vezes Prefeito Municipal, três vezes Deputado Estadual, e Presidente da Assembléia, ocasião em que exerceu a função de Governo do Estado do Ceará;

Dr.Joaquim Fernandes Telles, médico renomado, articulador da construção da Maternidade que recebeu seu nome, “Maternidade Dr. Joaquim Fernandes Telles” e após quarenta anos, foi alterado a revelia da comunidade cratense e hoje se chama Maternidade São Francisco. Foi Prefeito Municipal e Deputado Federal constituinte em 1.946;

Dr. Antonio Fernandes Telles, cirurgião-dentista, foi gerente do Banco do Cariri (atual BIC) e em 1921 foi o fundador da Farmácia Teles (onde este narrador que vos escreve trabalhou na função de gerente, na década de sessenta).

As filhas mulheres eram: D. Maria Fernandes Telles, D. Teresa de Jesus Telles e D. Fernandina Telles.

TRANSCORRIA ainda a primeira guerra mundial (1914/1917), quando nosso Prefeito, o Coronel Teodorico Telles de Quental, projetou a construção de uma praça para embelezar o centro da cidade como ponto turístico e apoio aos transeuntes para um ligeiro descanso. Com essa finalidade utilizou uma quadra no coração da cidade, entre as ruas Do Commercio (atual Dr. João Pessoa) e rua do Fogo(atual Senador Pompeu), onde antes havia a Capela de São Vicente. Como Praça projetada, seria a primeira do Crato. A Praça 3 de maio viria em 1921 e a da Sé, existia apenas o terreno do chamado quadro da Matriz.

ASSIM decidido, foram iniciadas as obras de construção daquela que seria o ponto de atração mais fascinante da população jovem e boêmia da urbe cratense.

CONCLUÍDO o feito, optou-se pela denominação de: Praça Siqueira Campos. Essa não era uma pretensão política, tratava-se de uma justa homenagem a uma pessoa que contribuiu para o desenvolvimento do Crato. O homenageado, Sr. Manoel de Siqueira Campos, comerciante estabelecido em Crato, era um homem sensível à necessidade alheia e ajudava desinteressadamente a todos que o procuravam, distribuía gêneros aos pobres nos tempos de calamidades, e a suas custas, mandou efetuar vários serviços de utilidade pública no Crato, apenas para gerar empregos e minimizar a fome dos necessitados.

DENTRE essas obras destacamos o calçamento da atual Rua Dr. João Pessoa, que naquele tempo ainda se chamava simplesmente Rua do Commercio, por abrigar as primeiras casas comerciais da cidade. Aquela artéria também foi conhecida com o nome de Rua Grande, mas parece que ficou apenas na tradição oral. Desconhecemos registros oficiais com esse nome.

QUANTO à denominação atual de rua Dr. João Pessoa, somente a partir da sua morte em 26/07/1930, foi que muitos logradouros no Brasil inteiro passaram a receber o seu nome, inclusive a capital do Estado da Paraíba, que também se chamava Paraíba e passou a se chamar João Pessoa. O leitor sabia disso?

ERA admirável o prestígio do Prefeito, Cel. Teodorico Telles de Quental, pois, para a inauguração da Praça recém construída, foram convidados e vieram de Fortaleza em comitiva, os Srs: Dr. João Tomé de Sabóia e Silva, 46º Presidente da Província do Ceará de 1916 a 1920, Dr. José Sabóia de Albuquerque, Cel. Antonio Fiúza Pequeno, Secretários do Interior, Justiça e Fazenda respectivamente, e o Dr. Leonardo Mota, Secretário particular do Presidente, além dos jornalistas A. C. Mendes do Correio do Ceará e Júlio de Matos Ibiapina.

VALE esclarecer que essa comitiva fez o trajeto de Fortaleza ao Crato, a cavalo, trocando suas montarias inúmeras vezes nos postos de troca e pousadas ao longo do percurso, e foi festivamente recebida em sua chegada no dia 13 de dezembro, véspera da inauguração da Praça.

A SOLENIDADE de inauguração teve início ás 09 horas da manhã do dia 14 de Dezembro de 1.917 e foi presidida pelo Exmo. Sr. Dr. João Tomé de Sabóia e Silva. Além dele e sua comitiva, ocuparam a tribuna de honra, o Coronel Teodorico Teles de Quental, Prefeito Municipal do Crato, e o homenageado: Sr. Manoel de Siqueira Campos. USARAM da palavra o Prefeito e o Presidente da Província do Ceará que discorreram sobre a inauguração e o homenageado o qual, na ocasião se manifestou agradecendo a consideração que lhe foi atribuída como Patrono da Praça. O acontecimento, contou ainda com a presença de autoridades eclesiásticas, civis e militares, representantes de classe, do povo em geral e da banda de música municipal.

SOBRE o homenageado: Manoel de Siqueira Campos. Muitos ainda pensam que ele era pernambucano por que lá viveu e morreu. De fato veio de Pernambuco, da cidade de Triunfo, onde havia fixado residência e se estabelecido comercialmente, mas, nasceu em 18/05/1874, aqui mesmo no Ceará em um lugarejo chamado Vila, a qual posteriormente recebeu o nome de Porteiras, (terra do Vicelmo).
Há quase 80 anos. Os pés de benjamim nos canteiros ainda eram miniaturas, atente também para a arquitetura dos prédios contornando a Praça.

FECHEMOS AQUI O PORTAL DO TEMPO. RETORNEMOS AS BOAS LEMBRANÇAS DOS ANOS DOURADOS!

A PRAÇA Siqueira Campos do meu tempo era muito bonita, canteiros maravilhosos e bem cuidados, bancos cômodos e condizentes com a época. A primeira foto desta postagem, fala bem melhor da sua insinuante beleza. O leitor poderá observar o capricho artístico dos canteiros. Postes de ferro fundido e trabalhado. Larga calçada, hoje reduzida para tornar mais largas as ruas ao seu redor. À direita vemos um prédio de dois andares, que vem resistindo à modernidade, é o Cassino Sul Americano, expondo os cartazes alusivos aos filmes ali exibidos. A foto foi tirada de um andar do Grande Hotel, penúltimo prédio antigo, demolido em 2008.

A PRAÇA daqueles tempo, era um patrimônio dos nossos anos dourados, poderia ter sido tombada pelo Patrimônio Histórico! Não foi, tudo bem! Poderia ao rodapé do monumento ao seu patrono, ostentar uma placa com dados informativos alusivos a sua construção e não somente aquela que menciona a sua última reforma. Ainda é tempo para essa correção. A história precisa dos historiadores, mas em alguns casos, também precisa do apoio político para manter acesa a sua chama. E aqui passamos a palavra ao DD. Prefeito Dr. Samuel Araripe.

CONTUDO, restou muita coisa boa daqueles tempos. A Praça foi cenário de eternas juras de amor com final feliz. Alguns contos quase de fada ali aconteceram e paralelamente as histórias de amor, foi também palco de encontros de boêmios e seresteiros.

Nesta visão panorâmica e deste angulo, vemos a Praça Siqueira Campos e lá nos fundos as ruas Senador Pompeu e Monsenhor Assis Feitosa. Os canteiros ainda sem os benjamins. Observe o leitor, a beleza das fachadas das casas, eram lindos.

A IDÉIA agora é abrir os cofres da memória dos seus freqüentadores, antes que tudo passe em definitivo e nada mais reste. Bom seria que os saudosistas promovessem anualmente uma noite de saudades lá na PRAÇA SIQUEIRA CAMPOS.

NOTA: Credito a Huberto Cabral (nossa enciclopédia ambulante). As informações relativas à sua construção e inauguração (datas e personagens envolvidas).

Vicente Almeida

FLAGRANTES INESQUECÍVEIS - Por Vicente Almeida

ESTA ACONTECEU COMIGO E JAMAIS ESQUECI:

No ano de 1955, eu tinha nove anos e era estudante do Grupo Escolar Teodorico Teles de Quental, localizado na Praça da Sé, esquina com a Rua Leandro Bezerra.
Muito bem, naquele tempo residia no Sitio Belmonte a 6 km da cidade, e inicialmente descia a pé para a escola. Não havia perigo, e todas as pessoas me conheciam e me protegiam.
No meu primeiro ano, fiz amizade com alguns colegas que se perpetuou até os dias de hoje.
Dentre eles, hoje destaco: Vicente Pierre, conhecido demais pelos cratenses.
Naqueles dias, antes de sair para a escola, a minha mãe assava um pedaço de carne, e colocava no meu bolso juntamente com um punhado de farinha para merendar no recreio. Só que na hora do recreio, eu trocava a minha merenda com os colegas por outros alimentos que igualmente traziam de casa.
Acontece que um dia, sai com o Vicente Pierre pela rua e ele disse: hoje vamos trocar a merenda por alimento que não seja de casa, e me levou ao Bar Glória do Sr. Miguel Siebra, e lá me comprou uma novidade (era um sorvete na casquinha) e eu, matuto lá do pé da Serra do Belmonte desconhecia, mas achei estranho e gostoso.
Comecei a consumir o sorvete e pensei, vou guardar para a merenda. botei no bolso da calça guardando-o para a hora da merenda. E todo contente fui pra aula.
Qual não foi a minha surpresa na hora do recreio, ao por a mão no bolso e retirar somente a casquinha murcha. O sorvete havia sumido sem eu sentir e a calça estava molhada.

ESTA É MAIS UMA DO BETO, NOSSO ZELADOR:

O Beto, apesar de baiano, veio de uma favela de São Paulo para trabalhar conosco. Naquele tempo era muito educado mas, matuto demais. Tinha 18 anos, cerca de 1,80 m e pesava uns 70 kls. Quando aqui chegou em 1995, no primeiro ano fizemos a sua matricula em uma escola do Crato e lhe compramos uma bicicleta, como transporte.
Uma noite ao retornar do colégio e se aproximar de casa, faltou energia e ele sentiu uma forte ventania com relâmpagos e deduziu que ali vinha muita chuva. Começou a ficar aflito e pedalou com mais velocidade para chegar em casa antes da chuva. Para chegar ao portão da nossa casa há uma reta de 90 metros.
No escuro, e na velocidade que vinha não percebeu que o portão estava fechado. Então com todo o corpo bateu no portão, foi pedaço de bicicleta para todos os lados, livros e cadernos, idem, o óculos não sabe aonde foi parar. No outro dia com vergonha nada nos contou.
Mas a minha esposa viu os pedaços da bicicleta e perguntou:
- Beto, o que foi isso? E ele respondeu:
- A senhora num sabe! Argúem trancou o portão!

Vicente Almeida