sábado, 31 de janeiro de 2026

DUAS LUAS - Por Xico Bizerra

Estava reparando o céu e avistei mais de uma lua. A de São Jorge estava lá, com dragão e tudo. A outra, vazia de santos e animais, clareava tanto quanto aquela. 

Sempre me ensinaram que apenas uma lua morava num céu tão grande. Para que tantas estrelas e uma lua só? Todos a vêem grande, solitária e indecifrável. 

Fiquei a imaginar que aquela segunda lua talvez se prestasse para substituir a lua primeira quando chegasse o sol. Mas não: quando o sol desponta a lua não mais há, já foi passear no Japão ou noutras terras distantes. 

E agora? Como vou explicar ter visto duas luas? Só posso garantir que jamais vou esquecer que numa noite de setembro beirando o outubro que se achegava reparei o céu e vi mais de uma lua e elas clareavam o chão com a mesma intensidade. 

No meu céu cabe uma lua dupla e ambas são verdadeiras. Melhor guardá-las só pra mim, acreditar na verdade das duas luas e esconder de todos que as vi para que não digam que estou aluado. Duplamente aluado.

Xico Bizerra

Tempos apocalípticos -- por Paulo Brossard

Minha filha Magda me advertiu de que estamos a viver tempos do Apocalipse sem nos darmos conta; semana passada, certifiquei-me do acerto da sua observação, ao ler a notícia de que o douto Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado, atendendo postulação de ONG representante de opção sexual minoritária, em decisão administrativa, unânime, resolvera determinar a retirada de crucifixos porventura existentes em prédios do Poder Judiciário estadual, decisão essa que seria homologada pelo Tribunal. Seria este “o caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de Estado laico” e da separação entre Igreja e Estado.

Tenho para mim tratar-se de um equívoco, pois desde a adoção da República o Estado é laico e a separação entre Igreja e Estado não é novidade da Constituição de 1988, data de 7 de janeiro de 1890, Decreto 119-A, da lavra do ministro Rui Barbosa, que, de longa data, se batia pela liberdade dos cultos. Desde então, sem solução de continuidade, todas as Constituições, inclusive as bastardas, têm reiterado o princípio hoje centenário, o que não impediu que o histórico defensor da liberdade dos cultos e da separação entre Igreja e Estado sustentasse que “a nossa lei constitucional não é antirreligiosa, nem irreligiosa”.

É hora de voltar ao assunto. Disse há pouco que estava a ocorrer um engano. A meu juízo, os crucifixos existentes nas salas de julgamento do Tribunal lá não se encontram em reverência a uma das pessoas da Santíssima Trindade, segundo a teologia cristã, mas a alguém que foi acusado, processado, julgado, condenado e executado, enfim justiçado até sua crucificação, com ofensa às regras legais históricas, e, por fim, ainda vítima de pusilanimidade de Pilatos, que tendo consciência da inocência do perseguido, preferiu lavar as mãos, e com isso passar à História.

Em todas as salas onde existe a figura de Cristo, é sempre como o injustiçado que aparece, e nunca em outra postura, fosse nas bodas de Caná, entre os sacerdotes no templo, ou com seus discípulos na ceia que Leonardo Da Vinci imortalizou. No seu artigo “O justo e a justiça política”, publicado na Sexta-feira Santa de 1899, Rui Barbosa salienta que “por seis julgamentos passou Cristo, três às mãos dos judeus, três às dos romanos, e em nenhum teve um juiz”… e, adiante, “não há tribunais, que bastem, para abrigar o direito, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados”. Em todas as fases do processo, ocorreu sempre a preterição das formalidades legais. Em outras palavras, o processo, do início ao fim, infringiu o que em linguagem atual se denomina o devido processo legal. O crucifixo está nos tribunais não porque Jesus fosse uma divindade, mas porque foi vítima da maior das falsidades de justiça pervertida.

Não é tudo. Pilatos ficou na história como o protótipo do juiz covarde. É deste modo que, há mais de cem anos, Rui concluiu seu artigo, “como quer te chames, prevaricação judiciária, não escaparás ao ferrete de Pilatos! O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde”.

Faz mais de 60 anos que frequento o Tribunal gaúcho, dele recebi a distinção de fazer-me uma vez seu advogado perante o STF, e em seu seio encontrei juízes notáveis. Um deles chamava-se Isaac Soibelman Melzer. Não era cristão e, ao que sei, o crucifixo não o impediu de ser o modelar juiz que foi e que me apraz lembrar em homenagem à sua memória. Outrossim, não sei se a retirada do crucifixo vai melhorar o quilate de algum dos menos bons.

Por derradeiro, confesso que me surpreende a circunstância de ter sido uma ONG de lésbicas que tenha obtido a escarninha medida em causa. A propósito, alguém lembrou se a mesma entidade não iria propor a retirada de “Deus” do preâmbulo da Constituição nem a demolição do Cristo que domina os céus do Rio de Janeiro durante os dias e todas as noites.

Paulo Brossard, ex-senador da República, ex-ministro da Justiça, Ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O PASSADO - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Há quem ache uma bobagem contemplar o passado.

Como se não lançássemos mão do passado para explicar o presente.

De vez em quando, vemos a vida pelo retrovisor. Não há nenhum mal nisso.

É saudável lembrar pessoas e lugares que nos fizeram felizes.

Chegamos mesmo a enxergar sorrisos e ouvir risadas dos "melhores momentos" da vida.

Nesse mundo dominado pela pressa, Alceu de Amoroso Lima definiu: "Passado não é o que passou. É o que ficou".

Uma grande sacada.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Princesa Isabel: redentora ou santa? -- por Dom Antônio Augusto Dias Duarte (*)

Os passos que começaram a ser dados para a abertura do processo de beatificação da princesa Isabel na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro estão perfeitamente sincronizados com as reais necessidades do nosso país, governado hoje pela segunda mulher brasileira.
Comecei a escrever esse artigo no dia 14 de novembro de 2011, sabendo que há 90 anos falecia, em Paris, a primeira mulher que governou o Brasil, a princesa Isabel Cristina Leopoldina Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança.

Era também uma segunda-feira, e no Castelo d’Eu, na Província da Normandia, em consequência de uma insuficiência cardíaca agravada por congestão pulmonar, a três vezes regente do Império brasileiro pronunciava o seu definitivo “sim” a Deus, aceitando a morte bem longe de sua amada pátria, o Brasil.

No seu testamento feito em Paris, no dia 10 de janeiro de 1920, encontram-se os seus três grandes amores. Assim se lê nesse documento revelador: “Quero morrer na religião Católica Apostólica Romana, no amor de Deus e no dos meus e de minha pátria”.

Inseparáveis no coração de mulher, de mãe e de regente, esses amores, vividos com fidelidade e heroísmo, constituíram o núcleo mais profundo de seu caráter feminino, sempre presente na presença régia dessa mulher – esposa, mãe, filha, irmã, cidadã – e, sobretudo, na sua função de uma governante incansável na consecução de uma causa que se arrastava lentamente no Império desde 1810: a libertação dos escravos pela via institucional, sem derramamento de sangue.

Conhecendo com mais detalhes a vida dessa regente do Império brasileiro e conversando com várias pessoas sobre a sua possível beatificação e canonização num futuro próximo, fico admirado com suas qualidades humanas e sua atuação política sempre inspirada pelos princípios do catolicismo, e, paralelamente, chama-me atenção o desconhecimento que há no nosso meio cultural e universitário sobre a personalidade dessa princesa brasileira.

Sabemos que sua atuação política, inspirada pelos ensinamentos evangélicos, não foi bem acolhida na corte e na sociedade da sua época, quando a economia brasileira dependia desse sistema escravagista tão indigno do ser humano. Sabemos que sua vida católica profunda e ao mesmo tempo muito prática incomodava, a tal ponto que comentários pejorativos – tal como acontece ainda hoje quando se é autenticamente católico – sobre sua “beatice” eram muito frequentes entre os políticos da sua época. Sabemos que as suas ações beneméritas e de caridade cristã não só a levaram a abraçar essa causa abolicionista, mas também a varrer a Capela Imperial de Glória (a Igreja do Outeiro) com as mulheres escravas e a viver com constância duas das inúmeras preocupações cristãs: rezar pelo Brasil e pela conversão dos ateus.

O que sobressai nesse saber histórico e nos permite falar e agir no sentido de abrir um processo canônico de beatificação dessa primeira mulher governante do Brasil é a sua fé firme, a sua fervorosa caridade e a sua inabalável esperança cristã, que a conduziram por um caminho muito característico das pessoas que respondem à chamada, presente no sacramento do Batismo, a santidade. O caminho da defesa da dignidade e dos autênticos direitos humanos, tão necessária para a construção de um país onde a justiça social e a paz entre os homens fortalecem as relações entre todas as classes sociais, não é apenas uma atitude política, mas é uma ação própria dos santos de todos os tempos e, principalmente, da nossa época moderna e pós-moderna.

A princesa Isabel, como católica, esposa, mãe e governante do Brasil, sabia muito bem que a fé, a esperança e a caridade cristãs não conduzem a um refúgio no interior das consciências ou não são para serem vividas somente entre as quatro paredes de uma igreja, mas comprometem os católicos na busca incansável de soluções para os grandes problemas sociais da época da história na qual vivem.
Foi por isso que a princesa Isabel mereceu a mais suma distinção da Igreja Católica, a Rosa de Ouro, conferida pelo Papa Leão XIII, em 28 de setembro de 1888, um prêmio que é análogo ao atual Prêmio Nobel da Paz, e até hoje foi a única personalidade brasileira a receber essa comenda, guardada no Museu de Arte Sacra do Rio de Janeiro.

Os passos que começaram a ser dados para a abertura do processo de beatificação da princesa Isabel na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro estão perfeitamente sincronizados com as reais necessidades do nosso país, governado hoje pela segunda mulher brasileira. Ontem como hoje a promoção da vida dos mais marginalizados no Brasil, a defesa do “ventre livre”, onde as crianças podem desenvolver-se sem a entrada de máquinas aspiradoras e assassinas das suas vidas, a atenção social e econômica mais urgente com os “escravos do álcool, do crack, dos antivalores” que acabam com boa parte da juventude brasileira, a tolerância e o respeito pela pluralidade religiosa e a abertura ao diálogo sincero entre as diversas camadas sociais são prioridades que devem ser atendidas num esforço comum entre católicos, evangélicos, muçulmanos, judeus, seguidores das religiões africanas, enfim, por todos que têm amor pelos seus entes queridos e pelo Brasil à semelhança da princesa Isabel.

Para que no Brasil se respire a verdadeira liberdade e haja realmente unidades pacificadoras no meio das cidades espalhadas, e não em comunidades cariocas dominadas pelo tráfico de drogas, urge ter homens e mulheres, como a princesa Isabel, o frei Galvão, a irmã Dulce, etc., que com suas vidas exemplares na fé, na esperança e na caridade, sejam testemunhas vivas da santidade, que não passou de moda, pois os santos continuam sendo os grandes conquistadores e construtores do mundo onde a humanidade pode habitar.

Vale a pena considerar com pausa e reflexão essa chamada feita no início do Terceiro Milênio pelo saudoso Papa João Paulo II para a hora em que estamos vivendo na Igreja.

“É hora de propor de novo a todos, com convicção, essa medida alta da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nessa direção (…). Os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um” (cf. Carta Apostólica no início do Novo Milênio, beato João Paulo II, n. 31, 6.1.2001).
(*) Dom Antônio Augusto Dias Duarte
Bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro – RJ
                                                          

DEPOIMENTO DE RITA LEE - Recomendo a leitura.


Rita Lee.

"Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.

Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente, esqueceu, morrendo tuberculosa.

Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres? Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem ir resistíveis diante dos homens.

E, com isso, Barbies de facaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composto de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo. Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.

As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência. É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz.

E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas. São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações. "Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda." 

Pão Diario - Postagem do Pedrinho Sanharol.

Recentemente fui ao supermercado para fazer uma pequena compra. Vi na sessão de frutas e verduras uma prateleira cheia de lindas flores. Embora não estivessem em minha lista, fiquei tentado a levar algumas para oferecer à minha esposa. Comprei um feixe de dez tulipas amarelas. Uma beleza! Terminei as compras, voltei para casa, pus as flores num vaso próprio que enchi com água fresquinha. 

Lá elas ficaram sobre a mesa da sala, tão lindas, para a alegria da minha esposa quando as encontrou.  No dia seguinte, domingo, fomos à igreja. Um lindo dia de sol que invadiu a casa através da janela. As flores recebiam o sol quente, demonstrando satisfação. Entretanto, quando voltamos, elas estavam completa-mente murchas - não eram mais aquelas lindas flores da manhã. Fiquei muito triste e fui investigar a razão. A água viva, fresquinha, com a qual tinha enchido o vaso, havia-se evaporado com o sol forte que entrava pela janela. 

Imediatamente tratei de repor a água do vaso e fiquei à espera, ansioso para que as flores se reanimassem e voltassem a ser o que eram. A água fez o seu efeito, à tardinha começaram a dar sinal de vida, e de repente estavam firmes, cheias de vigor e lindas novamente. 

A vida do cristão é assim também. Ele é chamado a viver cheio de esperança e alegria. Se Jesus viver nele por meio do seu Espírito, essa vida transparecerá nele, mas se o Senhor for esquecido, sua vida não apresentará a beleza de quem o conhece. 

Se Jesus dominar, não importam o sol escaldante, os problemas, as lutas de cada dia, as dúvidas, as doenças e tantas outras dificuldades, o cristão sempre terá dentro de si uma fonte de vigor e alegria – terá aprendido o segredo de viver feliz. 

A água da vida está à disposição para reanimar quem quiser recebê-la.

Enviada por Rogeany Santana.

Versador - Por Jose de Moraes Brito.

Dê-me uma ampola que está dor evite!
Que desta dor de ouvido estou farto
Dizem que é terrível a dor do infarto.
Que é imsuportavel a tal bursite.

A maior dor que existe é a pulpite...
Dizem alguns que é a dor do parto,
Mas que esta dor apenas dói 1/4
Da cólica renal, da meningite.

São estas tais as dores mais temidas
Que atormentam tanto  nossas vidas
Tornando nossa paz um pesadelo

Mas a uma dor não cabe analgesia
Nem bolsa d'água quente ou fria
É a chamada "Dor de cotovelo".

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Coronel Raimundo Augusto - Por Antônio Morais

Almoçando o inimigo antes que ele nos jantasse, Cel. Raimundo Augusto dá combate a Lampião no sitio Tipi em Aurora. Entre os cometimentos atribuídos ao Cel. Raimundo Augusto figura o combate que este frente a seus cabras teria sustentado contra o bando de Lampião, no ano de 1927. Muito bem armado com os fugis e os mosquetões recebidos de Floro para dar perseguição a Coluna Prestes, o famoso bandoleiro demorava no sitio Tipi, em Aurora, enquanto planejava o ataque contra Lavras da Mangabeira. A cidade de São Vicente Ferrer com o seu comercio e as suas riquezas havia despertado a cúbiça no temível cangaceiro, encorajando-o a praticar o saque. Já os donos do Tipi eram inimigos declarados do Clã lavrense. Então, por que esperar? Almoçar o inimigo antes que ele nos jante, decidiu o Coronel. E, assim foi feito. Sem perda de tempo Raimundo Augusto reuniu seus cabras e arrojou-se de surpresa sobre o bando facinoroso. Após breve combate Lampião e os do seu bando fugiam, deixando no local da refrega armas, mantimentos e vários cavalos de montaria do bando, que não puderam conduzir. Dias depois, na propriedade do Coronel António Joaquim de Santana, na Serra do Mato, onde o bando costumava esconder-se, António Ferreira, irmão de Lampião, recriminava em versos, ao som da sanfona, a imprudência do irmão:

Lampião bem que eu te disse,
Que deixasse de asneira,
Que passasse bem por longe,
De Lavras da Mangabeira.

O galo Chantecler - Enviado pelo Dr. Francisco Alves Pereira.

Leonel Brizola, figura singular da história política brasileira, tinha como uma de suas características a fala através de metáfora. Era mestre neste tirocínio.

Ao reler seus Tijolaços – artigos pagos e publicados em jornais impressos de circulação nacional – este predicado fica mais evidente, e muito mais agudo com sua peculiar ironia e sagacidade.

Uma das figuras que usava era a síndrome do galo Chantecler.

O galo Chantecler, diz a história da fábula do teatrólogo e escritor francês Edmond Rostand, era um galo metido, chamado Chantecler (algo como “canta e clareia”).

O galo acordava de madrugada e cantava a plenos pulmões, para “acordar o sol”. Meia hora depois, o sol despertava e surgia brilhante no horizonte.

“O sol nasce porque eu canto”, proclamava orgulhoso e arrogante, o galo. 

Mesmo diante da contestação de todos, ele repetia: “sou eu que faço o sol nascer”.

Sua decepção profunda veio quando, depois de uma noite mal dormida, o galo acordou muito mais tarde, lá pelas 8 e meia da manhã, e viu, desesperado, o sol brilhando no céu, sem que ele o tivesse determinado.

Na existência humana muitos sofrem desta síndrome e acreditam, piamente serem a razão inconteste do raiar do sol; aprumam as penas e cacarejam a todos os pulmões; olvidando-se de sua reles existência finita, de sua ordinária vulnerabilidade, da sua vil transitoriedade.

Incultos, rasos e arrogantes, são desprovidos da genuína sabedoria de que pouco ou quase nada sabemos, uma vez que a existência é um eterno aprender.

Na política, esta síndrome se acentua: o poder, o dinheiro, o status, as facilidades, são agentes imperiosos para o cacarejo Chantecler. Muitos acreditam serem o centro do universo com seu egocentrismo e sua ganância, entre outros atributos mais deletérios.

Desta forma, fica cada vez mais perceptível e escandaloso a perda da conectividade com a vida e o sofrimento real de nossa população, em prol da infatigável busca por holofotes e poder.

Afinal, a política para alguns é apenas o instrumento basilar para aumentar suas síndromes, sua ganância e sua estupidez. O povo é apenas um detalhe, cinicamente, manipulado para a manutenção do poder.

Porém, um dia o despertar se atrasará, o sol brilhará e o cacarejar será apenas ruído de quem um dia se conjecturou ser a razão primordial e insubstituível da existência; e quem sabe assim perceberá sua pequenez e sua finitude.

Até porque o poder – cedo ou tarde – castiga, os insaciáveis galos Chantecler. 

Sábio, Leonel Brizola!

História de sertanejo - Por Antônio Morais.


Historias de Sertanejos - Antonio Morais.

O Cacimiro Bento, do Açude Velho, município de Piquet Carneiro, de início, era uma pessoa normal. Casou-se, nasceram muitos filhos, porém depois de quarenta anos, apareceram uns problemas e ficou amalucado. Não era totalmente débil mental, mas, muito ingênuo mesmo. As conversas dele não tinham pé nem cabeça. Enviuvou, e passou a morar na casa dos filhos, uns dias na de um, outros dias na casa de outro, e assim por diante.

Quando se encegueirava por uma coisa não tinha quem o arredasse. No começo da década de 1940, cismou de ir passar uns meses na casa de uma filha em São Paulo. Insistiu até arranjarem dinheiro para ele viajar, àquela época de navio, em companhia de pessoas conhecidas. Passou por lá um ano ou mais e, de novo, começou a insistir para voltar. Era no quente da segunda grande guerra, de vez em quando se sabendo notícias de navios afundados pelos alemães, por isso, a filha temia em deixar seu pai viajar de navio, pois, naquele tempo não havia outro meio de transporte, porém, insistiu tanto que o jeito foi ela concordar embora sabendo do grande perigo.

Arranjou passagem, embarcou ele no porto de Santos e telegrafou para a família. Aconteceu que com oito ou nove dias de viagem o navio foi torpedeado. Correu a notícia: “o navio que Cacimiro viajava afundou e não se salvou ninguém”. A família em Piquet Carneiro quando soube, ficou muito aflita e botou luto. Passados uns dois ou três anos, eu estava um dia hospedado na casa do meu parente, o Chico do Zeca, em Fortaleza, saí pra rua e quando voltei avistei o Cacimiro bem sentado na casa onde eu estava hospedado, e sem querer acreditar, perguntei: “É o Cacimiro Bento mesmo?” E ele com aquela mesma cara de pateta, só fez dizer “éééé”.

Ai fomos quebrar cabeças para saber como foi que ele se salvou do naufrágio do navio. Ele contou uma estória que quase não acabava mais e no final tiramos à conclusão de que o caso aconteceu mais ou menos assim: quando o navio chegou ao Rio de Janeiro demorou um pouco; o Cacimiro então saiu e foi pedir para um rapaz desconhecido trocar uma cédula de dez mil réis; o rapaz respondeu que não podia, mas, se ele quisesse ia ali trocar o dinheiro e voltaria já; ele concordou e depois de esperar muito pelo rapaz, faltou à paciência e saiu para procurá-lo na rua; nem encontrou e nem acertou mais voltar; começou a se lastimar de rua em rua, até que um senhor se compadeceu e o levou para a casa, onde ficou trabalhando, zelando o jardim; depois, este mesmo senhor arranjou uma passagem e o mandou para o Ceará, visto que a guerra já havia terminado.

Passou mais de três anos na casa desse senhor. No dia seguinte viajávamos de trem para o interior, sentados na mesma cadeira, e de vez em quando eu o notava querendo rir. Perguntei-lhe porque estava rindo e ele respondeu: “maginano, quandeu chegá lá, o avoroço do povo cum medo deu”....

Uma emocionante história de amor - Autor desconhecido.


Um casal de idosos que não tinha filhos morava em uma casa humilde, de madeira; tinha uma vida muito tranquila, alegre, e se amava muito. Eram felizes. Até que um dia aconteceu um acidente com a senhora. Ela estava trabalhando em sua casa quando começou a pegar fogo na cozinha e as chamas atingiram todo o seu corpo. O esposo acorda, assustado com os gritos, e vai à sua procura. 

Quando a vê coberta pelas chamas, imediatamente tenta ajudá-la. O fogo também atinge seus braços e, mesmo assim, ele consegue apagá-lo. Quando chegaram os bombeiros, já não havia muito da casa, apenas uma parte, toda destruída. Levaram o casal para o hospital, onde foi internado em estado grave.

O senhor, menos atingido pelo fogo, saiu da UTI e foi ao encontro de sua amada. Ainda em seu leito, a senhora, toda queimada, pensava em não viver mais, pois estava deformada, inclusive seu rosto.

Quando viu o marido na porta do quarto, foi perguntando: Tudo bem com você, meu amor?

Sim - respondeu ele. Pena que o fogo atingiu os meus olhos e não posso mais enxergar... Mas fique tranquila, amor, porque sua beleza está guardada em meu coração para sempre.

Então, triste pelo esposo, a senhora disse: Deus, vendo tudo o que aconteceu, tirou-lhe a visão para que não presencie esta deformação em mim. As chamas queimaram todo o meu rosto e estou parecendo um monstro.

Passando algum tempo e recuperados, saíram do hospital e conseguiram reconstruir a casa, onde ela fazia tudo para seu querido esposo. Ele dizia todos os dias que a amava.

E assim viveram vinte anos até que a senhora morreu. No dia do seu enterro, quando todos se despediam, o marido, sem óculos escuros e com sua bengala nas mãos, chegou perto do caixão. Beijando o rosto e acariciando sua amada, disse em um tom apaixonante:

Como você é linda meu amor! Eu te amo muito.

Vendo aquela cena, um amigo que estava ao lado perguntou se o que tinha acontecido era milagre, pois o idoso estava enxergando outra vez. Olhando nos olhos dele, o velhinho apenas falou:

Nunca estive cego, apenas fingia. Quando a vi toda queimada, sabia que seria duro para ela continuar vivendo daquela maneira. Foram vinte anos vivendo muito felizes e apaixonados...

Dinheiro e tempo - Por Antonio Morais.

A única diferença entre o dinheiro e o tempo é que você sempre sabe o dinheiro que tem. Mas nunca sabe o tempo que lhe resta.

Depois de ver o nível de fingimento de algumas pessoas, conclui-se que falsidade também é um talento.

O falso é como o carvão : Aceso te queima, apagado te suja.

Essa foto encarna a importância e o valor da lealdade, do respeito e do amor verdadeiro. 

Veja-a com os olhos do coração. Embora eu saiba que hoje em dia está fora de uso. perdeu a validade.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Que tempos! Que costumes! - Por Antônio Morais.



Dedicado ao Antônio Gonçalo de Sousa autor do "Livro Trouperismo Nosso".

Que tempos? Que costumes? 

Todo matuto tem horror aos que em razão do oficio, são severos na aplicação das leis. Conta-se que um dos muitos fiscais do consumo que vive a percorrer a terra e que, de posse de um mandato de segurança e um ordenado fabuloso, foi esbarrar em Várzea-Alegre. Um conterrâneo não podia transportar um saquinho de arroz num jumento que era taxado de contrabandista e intimado a recolher o imposto.

A derramar o terror pelo sertão, andava também o rei do cangaço, o famigerado Lampião, o qual havia se hospedado em Juazeiro do Norte com honras de capitão da legalidade. Que tempos, que costumes?

O nosso matuto, fazendo uma negociação clandestina, enforcava na alpendrada de sua casa, uma garrafa que, vista de certa distancia, era um chamariz para os compradores da teimosa. Pois bem, atraído a um destes recantos da fraude e da sonegação do imposto, é que foi até ali um senhor desconhecido. Quem era? Pelos modos, o homem era grande, porque se apresentava altivo, arrogante e de sobrolho carregado. Trazia um bonito chapéu, lenço perfumado, e vários anéis nos dedos.

Chega. E como galã de cinema se apeia. E com esses ares de grão-senhor vai logo entrando de bodega adentro. Não diz bom dia. Não dá confiança a ninguém. No interior da casa, porque se deparasse com duas garrafas de qualquer droga, as quais descansavam em cima de um balcão feito com vigor de pau d'arco, indaga com voz de autoridade: O senhor tem aguardente? Tenho Nhor sim, responde com voz soturna o pobre homem.

Ah! Ao falar em corda na casa de enforcado, um estranho frio invade a alma do bodegueiro. Todo o seu ser tremeu como se lhe tremesse a própria terra. E desmaiado, voz difícil, começa a defender-se: Meu amigo, tenha pena dos meus filhinhos, Isso aqui que o Senhor está vendo não é bodega, eu só tenho, acredite, essas duas garrafas e esta cestinha de cigarros, porque a roça que botei na quebrada da Serra Negra a lagarta comeu. Não me multe, Senhor Fiscal.

O interlocutor estranho que já estava de boca aberta em sinal de grande pasmo desata uma bruta gargalhada. Depois, olhando o suplicante sem lhe desfitar os olhos, lhe diz: Quem o Senhor pensa que eu sou? Não rapaz, eu não sou fiscal. Eu sou Lampião.

Lampião? O homem ri fazendo uma ligeira contração nos músculos faciais. E voltando a vida, faz camaradagem com Lampião com quem conversa animadamente, graceja, bebe e fuma cigarro sem selo.

PROTESTO - ANTONIO ALVES DE MORAIS


Dedicado ao nobre conterrâneo Washingto de Sousa que conheceu o meu amigo  Ribinha em São Paulo  há pouco tempo.

Na década de 70 do século passado, todo ano, no período das festas juninas, O Trio Nordestino passava uma semana na casa do estimado amigo Dr. Laercio em Assaré. Fartura de carneiro, muita prosa e pinga a bambão.
A musica "Tem homem de Saia" foi composta numa destas visitas, e, em homenagem a Ribinha, um assareense dos bons que atualmente é proprietario de restaurantes em São Paulo. 

Fui testemunha ocular deste fato. estava presente num dos momentos felizes de minha vida. A musica está sendo deturpada e cantada, no momento, por três graciosas senhoritas e onde se dizia "Ribinha" trocaram por Chiquinho. 

Não é justo que se mude a letra porque a historia da musica é esta, com o nosso Ribinha como protagonista da festa e da alegria.

Em homenagem ao Trio Nordestino, ao amigo Jose Alves de Freitas - Dr. Laercio e ao Ribinha.

Saudades dos velhos tempos.

Articulações - Por Antonio Morais.

Por mais inteligente que alguém possa ser, se não for humilde, o seu melhor se perde na arrogância.

A humildade ainda é a parte mais bela da sabedoria. Limite é aquilo que você precisa impor para não acomodar gente folgada.

Na minha idade, já não me doem as traíções, mentiras e decepções. 

O que me doem são as articulações.


Enviado por Amigos de Deus.

A vaidade tem sido a causa de muitas de nossas decepções. Cremos que somos melhores, mais competentes e superiores àqueles que estão ao nosso redor.

Achamos defeito em tudo e em todos, concluindo, logo a seguir, que poderíamos fazer o mesmo de maneira muito melhor. 

Quando somos humildes em nossas atitudes, os aplausos e elogios nos enchem de felicidade. Quando somos arrogantes e orgulhosos, muitas vezes os aplausos não aparecem e mergulhamos em profunda decepção e angústia. 

É melhor não esperar nada e receber tudo do que esperar tudo e não receber nada.

DANÇA LENTA - Postageem do Pedrinho Sanharol.

Alguma vez voce já observou crianças brincando num carrocel? Ou ouviu a chuva batendo no chão? Alguma vez seguiu o vou erratico de uma borboleta? Ou fixou o olhar no sol no crepusculo? É melhor voce diminuir o passo. Não dance tão depressa. 

O tempo é curto, a musica vai acabar. Voce corre atraz de cada dia voando? Quando você pergunta "como vai"? Voce escuta a resposta? Quando o dia finda, voce fica deitado na cama, com os proximos afazeres rolando por sua cabeça? É melhor voce diminuir o passo. Não dance tão depressa. O tempo é curto, a musica vai acabar.

Voce disse alguma vez a uma criança "vamos deixar para fazer isto amanhã?" E na sua pressa não viu a tristeza dela? Perdeu contato, deixou uma boa amizade morrer porque voce nunca tinha tempo para ligar e dizer "Oi"? É melhor diminmuir o passo. Não dance tão depressa. O tempo é curto, a musica vai acabar.

Quando voce corre tão depressa para chegar a algum lugar, voce perde metade da satisfação de chegar lá. Quando voce se preocupa e se apressa em seu dia todo, é como se fosse um presente que não foi aberto. Um presente jogado fora. A vida não é uma corrida. Leve-a mais devagar. Ouça musica. Antes que a canção acabe.

Vivamos sem odio, sem magoas, sem machucar pessoas, principalmente as pessoas que vivem mais proximas da gente. Pessoas que nos amam como somos e com as quais somos verdadeiros, sem mascaras, com nossas dificuldades e somos perdoados.

Que bela canção!

Aprenda - Por Antonio Morais

 


E de repente a gente vai ficando em silêncio. Cobrando mais nada, forçando mais nada, apenas observando.

Não perca seu tempo julgando a vida do outro, use esse tempo para melhorar a sua. Perdoe aquele que você ajudou um dia e hoje nem fala mais com você. 

Perdoe mas não esqueça.

Estou me tornando, pouco a pouco, a pessoa que eu deveria ter sido há muito tempo.

Conceito Travestido - Por José de Moraes Brito

Cada mulher que o encontra faz-se fã
Tão logo em algum lugar se faz presente,
Sem duvida que se trata dum galã
É só o que se ouve. É voz corrente.

Está demais á Pierre Cardim...
Que coisa linda. Exclama toda a gente.
E a camisa à Yves Saint Laurent
Como se veste! Incrível realmente.

Dos rasgos de elogios, aos ouvidos
Sobre homens elegantes, bem vestidos
Apenas uma verdade se deduz:

Nos dias em que vivemos, endoidecidos
Se os homens pouco valem, mal vestidos,
De certo, nada valem, quando nus.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Só o nordestino entende - Postagem do Pedrinho Sanharol.

Só o nordestino entende. Oxente! Vige Maria! É um verdadeiro dialeto.

Se é miúdo - É pixototinho.
Se é pequeno - É côtoco.
Se é alto - É galalau.
Se é franzino - É Xôxo.
Tudo que é bom - É massa.
Tudo que é ruim - É peba.
Rir dos outros - É mangar.
Bobo - É leso.
O Medroso - É frouxo.
Tá torto - É Tronxo.
Dar volta - é arrodeio.
Se é longe - É o fim do mundo.
Dinheiro - É Bufunfa.
Caba sem dinheiro - É liso.
Quem entra sem licença - Emburaca.
Sinal de espanto - É vote.
Quem tem sorte - É cagado.
Quem dá furo - É fuleiro
Sujeira de olho - É remela.
Agonia - É gastura
Gases - É bufa.
Catinga de suor - É Inhaca.
Mancha de pancada - É roncha.
Palhaçada - É Munganga.
Pessoa triste - É borocoxô.
E então - É iadispois.
Pois sim - É não concordo.
Confusão - É rolo.
Travessura - É presepada
Gente complicada - É nó cego.
Distraído - É aluado.

A glória do homem virtuoso é o testemunho da boa consciência. Conserva pura a consciência e sempre terás alegria.

A boa consciência pode suportar muita coisa e permanece alegre, até nas adversidades. A má consciência anda sempre medrosa e inquieta.

Suave sossego gozarás, se de nada te acusar o coração.

A velhinha e os sacos de lixo - Postagem do Antonio Morais

Uma velhinha caminhava pela calçada arrastando 2 sacos plásticos de lixo. Um dos sacos está cheio e de vez em quando caía uma nota de 20 dolares pelo buraco.

Um policial que passava a parou e disse: Senhora, tem notas de 20 caindo desse saco plástico. É mesmo? Que droga “ respondeu a velhinha. Melhor eu voltar e ver se pego as que caíram.. Obrigado seu guarda por me avisar.

Peraí senhora, onde conseguiu todo esse dinheiro? A senhora não andou roubando, não? Não, não... sabe seu guarda, o meu quintal dá para um campo de golfe e um monte de golfistas vem aqui e urinam por um buraco que tem na  minha cerca, direto no meu canteiro de flores. Isso realmente me incomodava; sabe... matava minhas flores.. então eu pensei..porque não se aproveitar dessa situação? Agora eu fico bem quieta, atrás do buraco na cerca , com a minha tesoura de jardim.

Toda vez que algum golfista enfia o “instrumento” através da minha cerca, eu pego ele de surpresa, agarro o instrumento e digo”: OK amigão, ou me paga 20 dólares ou eu corto essa coisa.

Parece justo, diz o policial rindo da história. OK e boa sorte ! Mas, a propósito, o que tem no outro saco?

Bem, você sabe... diz a velhinha: ...nem todos pagam!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O perfil forrozeiro de Xico Bizerra - Por Almerio Carvalho.


Foto do Almerio Carvalho.  Autor  do texto e tio do Xico Bizerra.

Com pouco tempo de carreira, Xico Bizerra é figura central na produção de pé-de-serra de Pernambuco. Destacamos no presente espaço, artigo de Bruno Nogueira, inserido na revista continente, da companhia editora de Pernambuco – Recife. Não precisa de muito esforço, numa manhã de pouca chuva no mercado da Madalena, ponto de encontro dos forrozeiros de Pernambuco, para perceber o quanto a figura de Xico Bizerra, Francisco Bizerra de Carvalho é central. Ele ao contrario da maioria, não está tocando nenhum instrumento ou mesmo cantando. Mas, quem se arrisca num acorde, sempre olha em volta, buscando uma aprovação.

Quem chega, faz questão de cumprimentar aquele que hoje é o compositor mais gravado do forró do Estado. São cerca de 160 interpretes. Apenas “Se tu quiser” sua musica mais emblemática teve mais de 65 regravações. Seus cabelos brancos comprovam a sua longa trajetória no forró de Pernambuco. Mas, na verdade, de carreira efetiva são curtos oito anos no currículo.
“Eu comecei a compor aos 15 anos, mas achava que não teria uma atividade profissional com isso. Preferi ganhar a feira, porque com musica não conseguiria, recorda. Quando eu me aposentei, no ano de 2000, comecei a pensar no que fazer para ocupar o tempo e lembrei-me das musicas. Xico Bizerra nasceu no Crato, interior do Ceara, mas veio para o Recife ainda jovem, no começo da década de 70”.

“Tenho mais tempo de vida aqui, por isso, sempre digo que sou cearense de paridez, mas, pernambucano de coração”. A primeira lembrança musical vem de lá. “ A poesia vem do meu avô, com quem me correspondia por carta, sempre em forma de sonetos, enquanto minha mãe Myrtes tocava bandolim. Eu compunha, mas não dava vazão. Guardava para mostrar a alguém, no momento correto”. Com o sucesso do primeiro trabalho, Xico Bizerra passou a lançar um disco por ano, sempre com uma temática central. A versão masculina veio no CD Forroboxe 4, chamado cantadores da nação do seu Luiz, com participação de Dominguinhos, Flávio José e Quinteto Violado.

Em 2008, ele consegue implementar o forró pé-de-serra como instrumento didático nas escolas publicas de Pernambuco, um disco com temática infantil, valorizando ritimos como xote, xaxado, baião, com temática mais lúdica, falando de céu, terra, sol e de outras coisas que não “chupa que de uva”, para tentar combater esse crime, que é essa musica que faz estimulo a drogas, bebidas, e a raparigagem.

“Eu, pessoalmente, recrimino e contesto a estética de forró que eles usam”, diz o compositor, acha que o Ministério Publico é omisso em algumas circunstancias, porque uma musica que fala dinheiro na mão, calcinha no chão, incita a prostituição, “ um orgão publico deveria impedir isso”.
Xico Bizerra é cratense, aposentado ( Banco Central do Brasil }, filho de Afranio Carvalho e, sobrinho do colunista.
Fonte –Jornal do Cariri.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

PADRE JOSE OTÁVIO DE ANDRADE



O Saudoso e respeitável Pe. Otávio. Se a Câmara Municipal de Várzea-Alegre não lhe deu o honorifico título de "Cidadão de Várzea-Alegre". Falta lamentável, eu lhe rendo homenagem muito justa, chamando-o o "Pe. do Seculo", em Várzea-Alegre. Dos primórdios de nossa Paróquia, 1863, com o Padre Benedito de Sousa Rego, às suas despedidas solenes em 25 de março de 1969, mais de um seculo decorrido, foi ele, o Padre Otávio, aquele que mais tempo serviu, 34 anos, com dedicação que era de esperar de figura tão respeitável. Em meio as futricas da terra portou-se como um divisor de aguas, mantendo a serenidade e a compostura, como já disse, sem atiçar as brasas, sem deixar queimar as fimbrias de sua batina. 

Transcrevo, para conhecimento de quantos o estimaram, os dados biográficos essenciais:

Filho de Antônio Cristiano de Andrade e Maria Pastora de Andrade, nasceu, aos 25 de Maio de 1896, em Bebedouro, hoje Aiuaba. Ingressou no seminário de Fortaleza a 29 de Maio de 1913. Deixou os estudos, em 08 de Dezembro de 1917. Casou-se, aos 25 de Maio  de 1918, com Maria Andradina Pais de Andrade. Primeira viuvez aos 26 de Janeiro de 1926. Segundas núpcias, aos 02 de Outubro de 1927. Segunda viuvez, em 26 de Setembro de 1928. Retornou ao Seminário do Crato em 11 de Julho de 1929. Ordenação Sacerdotal, em Crato, aos 30 de Dezembro de 1934. Chegou a Várzea-Alegre em 24 de Março de 1935, para auxiliar o vigário, Padre Raimundo Dias Monteiro. Vigário Ecónomo, 02 de Julho de 1935 a 15 de janeiro de 1936. Provisão de vigário, de 15 de janeiro de 1937 até 25 de março de 1969.

Alguns anos mais nos concedeu a "Providência Divina" tê-lo como nosso boníssimo e zeloso pastor. A morte o colheu, no Recife, dia 09 de Setembro de 1972. Rendo-lhe minha homenagem, eu que sempre lhe rendi meu respeito e admiração. Seu busto, à frente da nossa matriz, é testemunho vivo da nossa imorredoira amizade. Que o vejamos com os melhores olhos, tanto nos merece, por justiça e sem favores, o Pe. José Otávio de Andrade.

Dr. José Ferreira.

Nordestino sim, pobre não - Por Antonio Morais.



Tenho escrito alguns textos falando da politica praticada atualmente no país. Quem os lê deve imaginar que sou um anti-PT ou um anti-Lula. Não, meus amigos, não sou. Assim eu teria que ser um pró Collor ou um pró FHC e, eu absolutamente não sou.

Esperava do Lula, apenas o que ele prometia: Acabar com os vícios de seus anteriores. O que vemos? O pais está mais contaminado pela desordem. Como eu sei que o Cara é muito querido, não escrevo mais. Temo perder mais alguns amigos e vê-los se afastarem porque faço mal conceito de um nordestino pobre.

Semana passada, estive com um medico cratense radicado no Norte do Pais, que tem fazendas no Pará e ele me disse que é vizinho de uma das fazendas do filho do Lula e que os gerentes e capatazes afirmam que já são 700 mil bovinos o rebanho total das propriedades e que a meta para 2020 é alcançar os 1.000 milhão.

Dizem e não pedem segredo. O Cara continua nordestino, pobre não. Vou continuar contando as historinhas de minha terra, pelo menos elas não vão fazer perder amigos. Dedico esta ultima postagem politica ao Ex-senador Mário Covas o politico mais honrado que conheci nos tempos da nova republica. Só uma coisinha: ouça com atenção o que diz a Ana Carolina.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Congresso quer avançar com propostas que disciplinam conduta de ministros do STF - Diario do poder.

 


Ganha força no Congresso as movimentações para andar com propostas que disciplinam a conduta de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O fator propulsor é a estranhíssima ligação de magistrados e familiares com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e figura central no que se desenha ser a maior fraude bancária da história do País, como disse o ministro Fernando Haddad (Fazenda). Na esquerda, a proposta é andar com o projeto que cria o código de conduta para ministros do STF.

Pressão meia-boca

A oposição considera o “código de conduta”, proposto pelo Psol, pano de fundo para ajudar na criação de um código próprio, gestado no STF.

Só o começo

A ofensiva ainda quer avançar com textos como os que ampliam e hipóteses de crimes de responsabilidade e suspeição de ministros.

Engavetador

Já para o primeiro semestre, a pressão deve ser em cima do presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB), para criar a CPI do Banco Master.

Água no chopp

Motta não tem dado sinais de urgência para andar com a CPI, solta desculpas como pedidos mais antigos que estão represados na Câmara.

Alianças locais podem implodir candidatura do PSD.

O plano de Gilberto Kassab, dono do PSD, de lançar candidatura própria para disputar a Presidência este ano, enfrenta resistência de pessedistas de ao menos cinco estados, onde todo o diretório ou raposas tem vínculo quase visceral com o PT de Lula. No Piauí, por exemplo, o PSD já trocou juras de amor e fidelidade ao governador Rafael Fonteles e dificilmente caciques piauienses vão pedir votos para o paranaense Ratinho Jr ou para o gaúcho Eduardo Leite, pouco conhecidos no Nordeste.

Prefeito lulista

Mesmo no Sudeste, a questão não está pacificada. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), é o principal aliado de Lula no Estado.

Minoritários

Alas do PSD mineiro, ligadas ao ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) e ao senador Rodrigo Pacheco, também nutrem simpatia ao PT.

Carne e unha

Também há dissidentes na Bahia, onde Otto Alencar emplacou o filho no TCE, e em Sergipe, onde o neto de Lula arranjou boquinha no governo.

Pare - Por Antonio Morais.

Pare de acreditar em palavras e observe as atitudes. O comportamento nunca mente.

Nunca revide uma provocação. Deixe o circo só com o palhaço, ignore as armações pois sem plateia não há show.

Eu não cobro mais nada de ninguém. Eu vejo, fico triste, mas fico na minha. Está se achando certo? 

Continue.

O silêncio não é covardia, às vezes é prudência e outras vezes inteligência. 

O silêncio responde até o que não lhe é perguntado.

Gente ou objeto - Por Xico Bizerra.


"Desde cedo, tempos de escola, se mostrava capacho e treinava para o futuro denunciando colegas ao bedel. Agora, sua vocação se mostrava de forma mais nítida, mais acentuada. 

Uns na vida são gente, outros objeto e outros até menos que isso. Ria dos colegas, com um riso frágil como sua alma, sua postura, seu viver. 

Índole servil, não levantava a cabeça quando se tentava olhá-lo nos olhos. 

Ia às Assembleias dos trabalhadores onde todos arriscavam a pele. Ele não: ficava quieto, ausente, mudo, sem coragem de votar contra mas já certo de furar a greve que se aproximava. 

Sabia a quem bajular, não se importava com a omissão e traía quem não fosse pelego, como ele. 

À noite, na sombra da covardia, abraçado ao travesseiro da consciência pesada, se perguntava: em que dia dormirei?"

Dr. Francisco Alves Pereira - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.


Foto  - "Clínica de Dor", Campinas - São Paulo.

Nascido no Cariri, região do Nordeste ( Saara brasileiro), filho de um digno motorista de praça, Raimundo Alves Monteiro, o muito conhecido "Lasquinha" aquele da frase inusitada : "O carro deu o Doutor e o Doutor deu o carro". 

O médico Francisco Alves Pereira prova que o homem é viável. 

Trilhando, com altivez, o caminho reservado aos que tem coragem, Francisco formou-se em medicina pela Universidade Federal do Ceará no inicio da década de 70 do século passado.

Com residência na Unicamp e mestre em disciplinas na mesma Universidade, Doutor Francisco Alves Pereira CRM 20975, recebeu diploma e medalha pelos 50 anos de "Exercício Ético da Medicina", marcados pelos relevantes serviços, prestados à sociedade neste período 1970/2020, e, por princípios éticos que contribuíram para elevar o prestigio e a dignidade da prática médica. 

Criou em Campinas - São Paulo a "Clinica de Dor" com especialidade dedicada em minorar a dor dos seus semelhantes. A espécie humana tem salvação, sim. 

Há pessoas, como, o Dr. Francisco, para quem a dor dos outros importa.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Famílias Bezerra, Brito e afins - Por Antonio Morais.

Retornando de uma viagem ao Icó, o cratense major Eufrásio Alves de Brito, de passagem por Várzea Alegre, hospedou-se na casa de José Raimundo Duarte, no sítio Sanharol. 

Vendo aquela fartura de filhos - 24 rapazes e moças dos dois casamentos -, sugeriu: 

- Nós deveríamos casar um desses seus filhos com  uma das minhas filhas.

Logo saiu uma caravana, em lombo de animais, de Várzea Alegre com destino à Malhada, no Crato, onde  morava o Major Eufrásio.  

Chegaram no adiantado da noite; as jovens moças já estavam recolhidas aos seus aposentos. 

Ao amanhecer o dia, fizeram no fim do terreiro um pequeno fogo para esquentar as mãos. Quando se abriu uma janela e três jovens senhorinhas apareceram. O caseiro olhou para Vicente Alves Bezerra e disse: - O besta aí não sabe qual é a dele…

O casamento foi celebrado no sitio Malhada, de propriedade do pai da noiva, Major Eufrásio Alves de Brito, oficiado pelo Padre Manuel Joaquim Aires do nascimento.

Assim se casaram, em 25 de Novembro de 1869, Vicente Alves Bezerra com Isabel Pereira de Brito.

São os pais de José “Zuza” Bezerra de Brito, uma das maiores inteligências do Crato e região.

VALE A PENA VER DE NOVo - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Foi no dia 3 de Abril de 1974 que Pelé fez seu último jogo em gramados cearenses. 

Amistoso no Romeirão, em Juazeiro do Norte, contra o Guarani. Vitória do time santista por 2 X 0. 

De microfone na mão, entrevistamos o rei, na chegada ao Hotel Municipal. 

Na foto, no meio da conversa, o saudoso amigo Hermógenes Soares. 

E lá se foram 52 anos.

sábado, 17 de janeiro de 2026

A JANELA DA CASA DA FRENTE, do outro lado da rua - Por XICO BIZERRA

A JANELA DA CASA DA FRENTE, do outro lado da rua - Por XICO BIZERRA 

Estava tão perto, bastava atravessar a rua, no caso, a Avenida Teodorico Teles, onde morava Padim Zuza, meu avô. Do outro lado, ela e seu sorriso, à mesma distância, claro. 

A vontade de ir até àquela janela do outro lado só era menor que a timidez que impedia seu atravessar. Coisa de adolescente. Sempre, à mesma hora, o ritual repetido: debruçar-se à janela, aprumar a vista para a janela da casa de frente, sonhar. 

Sabia que ela tinha o mesmo desejo e a mesma timidez, por isso, o mesmo ritual. Era a melhor parte das férias. 

Numa tarde de um junho quase julho passaram pela rua que os separava quase 30 fuscas, duas freiras e uma carroça carregando móveis usados, puxada por um cavalo castanho. 

Seu irmão menor viu e contou. Ele mesmo nada percebera além do debruçamento da menina à sua frente. Apenas praquela janela tinha olhos. 

Nas férias seguintes, a casa da janela enfeitada foi alugada a outra família. Foi a pior parte das férias. Numa tarde, ele contou 41 fuscas passando pela rua, a maioria deles branco. Duas freiras voltaram a passar. 

À tardinha, bem lentamente, passou uma carroça de saudades puxada por um cavalo azul.

Como fazer uma boa campanha - Por Antônio Morais.

 

Todo aquele ou aquela que se propõe fazer política deve observar essas assertivas:

01 - Votos não se tem, se conquista. O fato de ter um mandato conquistado na última eleição não garante exito na seguinte. Cada eleição tem a sua própria história.

02 - A politica é a arte de somar. Soma-se um aqui, outro ali, e, quando se forma uma maioria de elege. Não há candidatura que nasça eleita, precisa ser trabalhada.

03 - Para construir a sua imagem não é necessário destruir a imagem alheia.  Cuide de suas propostas esqueça os outros.

VALE A PENA VER DE NOVO - Por Wilton Bezerra, comentaristas generalista.

 


Deram uma cor nessa foto e me enviaram. Entrevista exclusiva que o rei Roberto Carlos nos concedeu, na década de 70, em Juazeiro do Norte. 

João Hilário, que está no lance com Libério dos Águias de Barbalha, apresentou o show no Romeirão. 

Grandes momentos. E lá se foram 56 anos.

PATATIVA : EXEMPLO DE COERÊNCIA E DIGNIDADE - Por Joaquim Pinheiro.

A usina de açúcar Manoel Costa Filho logo após sua instalação, em Barbalha-CE, nos anos 70, enfrentou dificuldade com a oferta de cana de açúcar. Os plantadores resistiam entregar sua colheita por várias razões: desconfiança com o novo empreendimento, receio de romper vínculos de décadas com compradores de rapadura, ficar privado da moagem sobre a qual tinha o comando e até mesmo a dependência com um único comprador da sua produção.

No esforço de mudar a mentalidade dos agricultores caririenses, os proprietários da usina contrataram agência de propaganda para campanha de marketing visando convencer os potenciais fornecedores de cana-de-açúcar. 

A contratada realizou uma pesquisa para identificar personalidades da região que gozavam de simpatia e credibilidade no público-alvo da campanha. Deu Patativa do Assaré.

O jornalista e radialista Antônio Vicelmo do Nascimento, grande amigo do poeta de Assaré, foi então acionado para contratá-lo. Como sabia que o sonho de consumo do ilustre assareense era adquirir uma casa no centro da sua cidade, uma vez que morava na zona rural, a 10 km do centro, partiu para Assaré convicto que a missão seria fácil.

Lá chegando, foi logo disparando o que considerava seu grande trunfo: 

- Patativa, você ainda quer comprar uma casa na rua?

- Quero sim, estou ficando cansado, preciso de um pouso na cidade.

- Então receba logo meus parabéns. Pode escolher o imóvel. Vim lhe comunicar um jeito fácil para você ganhar o dinheiro e pagar sua casa. Basta você fazer umas poesias convencendo os canavieiros vender a cana para a usina Manoel Costa Filho.

“Faço não”. A imediata resposta, ríspida e sêca, surpreendeu Vicelmo. Meio atônito, tentou argumentar: Mas Patativa, eles vão pagar à vista, você pode comprar a casa que escolher.

Vicelmo, se aceitar a proposta estarei negando minha poesia “Ingem de ferro”, feita há mais de 40 anos.

Medo - Por F. NIETZSCHE.

Você não deve ter medo de alguém que tem uma biblioteca e lê muitos livros; você deve temer alguém que tem apenas um livro, e o considera sagrado, mas nunca leu.

A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.

As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O protesto do mel de cana-de-açúcar - Por Norma Novais Miranda.


Os nossos patrões não aguentaram a cobrança de tantos impostos para um produto tão barato. A nobreza dos engenhos "só nós sentia".

para me deixar assim num ponto cheiroso e efervescente, muita coisa se mexia : o corte da cana, os "cambiteiros", o transitar de burros, o espalhar do bagaço, os tanques de garapa, o curral com os chocalhos tinindo vida rural...Tudo era movimento.

Ninguém pôde fazer nada para que eu seguisse fervendo, tornando-me rapadura.

Na certa, os homens de Brasília e de outras terras não gostam de comer rapadura quente na casca do pau da lenha.

Eu, enquanto mel, achava bonito me derramarem na gamela para fazer mexido. Também, achava uma beleza as rapaduras se desprendendo das caixas em cima do bagaço.

Já não caia na gamela efervescendo-me. Evaporou-se o meu cheiro inebriante exalado do fundo do tacho. O mestre já não precisa dar o ponto para se obter a melhor rapadura, e, nem o tocador de fogo se esforçará para colocar o bagaço seco na boca da fornalha.

Patativa já dizia que os "ingem de pau" iriam se acabar. O engenho de ferro também, sábio poeta nosso.Aquela beleza da cana "pendurada". E eu choro um choro amargo de não puder fabricar a doce rapadura.

Os engenhos de pé de serra de Porteiras e muitos de Barbalha foram para a sepultura. Para o investidor sabido vale mais a cana, o açúcar, o álcool e outros negócios mais sofisticados e não artesanais.

Mas, achei mais que luto rural os trabalhadores e os patrões chorarem porque não teriam mais moagem. E a vida desses homens que aprendenram a acordar cedo e só sabiam o manejo do engenho ou de alguma rocinha feita com enxada? E as famílias deste povo de engenho?

Eu, como mel, esfriei no fundo do meu tacho e neste achado de falar, quero esquentar ferver as consciências dos que fizeram a destruição dos engenhos em nome do que se chama progresso ou coisa parecida.

A saudade, a memória, o aperreio de vida, a aventura desastrosa de ir para São Paulo... tudo torna-se uma loucura só nossa, amamos os engenhos.

Na verdade, no meu protesto como mel, que agora se deixa queimar de indignação, os engenhos tornaram-se uma bagaceira por parte dos poderes públicos e de tudo e todos que contribuíram para nossa sucumbência.

O verde vale continua fértil e majestoso. Talvês desgostoso de não escutar mais os apitos dos engenhos, o meu cheiro e o do bagaço fresco. 

O verde vale já não vale tanto. Deixou que o seu doce amor, a rapadura se acabasse. 

E eu, mel, como não fervo mais, sou uma frieza sócio-econômica e histórica que se cala nos engenhos abandonados.

NÃO SOU MAIS UMA CRIANÇA - Por Edmilson Alves


Não sou mais uma criança, sinto que cresci, fui adolescente, e, percebo que estou ficando adulto. Sinto saudades das paisagens encantadoras do tempo que se foi, quando a alma povoada de sonhos, eu tinha.  
Tive da luz da vida –, apenas, um reflexo! Sinto saudades de quase tudo. Na extrema curva do caminho incerto, a vida, por mim vivida, é um mar de mistérios. 
Vejo vultos que desaparecem,  similares a alma humana em movimento, mas, jamais me causa monotonia. As mutações vividas em caminhos passados marcam o meu espírito e minha caminhada, chegando aos 80... 
Bem vividos!
Hoje já não sou mais uma criança e apreciar a alma em movimento, sigo a intuição e a sensibilidade. Sinto saudades da bênção do meu querido pai quando, em 1974, deixando uma bela biografia, partiu –, com arteriosclerose desenvolvida prematuramente, sem dizer o habitual, Deus te abençoe, filho!  Seu vulto não desaparece e reaparece sempre, deixando-me fatigado, triste e fatigado, mesmo tendo a consciência de que foram bem vividos meus 80 anos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

MEU TIO ALMIR - Uma vez Flamengo - Por Xico Bizerra.



Seu Almir era um homem bom, só fazia o bem e nunca acreditou em Deus. Fazia uma exigência, metódico que era: quando morresse, que seu cortejo fúnebre desviasse pela rua de trás, evitando passar em frente à Igreja de Nossa Senhora da Penha. Fez até um mapa detalhando o roteiro a ser cumprido.

Estava tudo preparado para esse dia, por ele mesmo, desde a bandeira do Flamengo a ser colocada sobre o caixão até o discurso de despedida, por ele próprio redigido e que seria lido por Altamiro, seu amigo, aposentado do BB e flamenguista como ele.

Proibido estava que se fizesse qualquer oração, sequer um Pai-Nosso. Altamiro foi-se antes, coração atropelado por um enfarte desgovernado e sem freios. 

Seu Almir morreu num domingo, na hora da missa das sete e seu sepultamento foi às quatro da tarde, quando se iniciava a novena em louvor à Virgem Maria.

A rua estava lotada de fiéis e seus amigos o acompanharam da Pedro II até o cemitério pela rua que fica por trás da Igreja. Se houve reza, foi baixinho e ninguém ouviu. Mais tarde, o Flamengo ganhou do Vasco por 1x0. 

Da arquibancada do céu ouviu-se um grito de gol embrulhado num manto rubro-negro.

Solidéu - Dr. Mozart Cardoso de Alencar.



Ruy Maranhão do Rego Barros, um medalhão da Escola de Medicina do Recife, educado ali, em Colégio de Padres Jesuítas, muito rigoroso, foi companheiro do poeta e hospede na mesma pensão familiar, em Salvador, ao lado de outros colegas, nos três primeiros anos do curso médico.

Transcorria o aniversário do Francisco Chaves Brasileiro, o mais velho da turma, que estava sendo homenageado pelos companheiros.

Era um almoço lauto e festivo. Quando os cérebros estavam impregnados pelo vinho, o Ruy, extemporaneamente, começou a dissertar sobre a cerimônia do solidéu, aquele barrete chato e roxo que o bispo usa sobre a tonsura. E dizia : O bispo ao levantar-se pela manhã, após persignar-se coloca o solidéu sobre a tonsura. Daí em diante, durante todo dia, ao sentar-se a mesa para as refeições e após servir-se delas, ao persignar-se novamente, ele tira o solidéu.

Mais de uma hora o Ruy falou minuciosamente sobre esse ritual do solidéu. Calou-se, Fez-se profundo silêncio. Ninguém deu uma palavra. O poeta, súbito, levanta-se, limpa a boca com um lenço, empertiga-se, como se fosse saudar o aniversariante, olha para todos, volta-se para o Ruy e lhe pergunta :

Ruy, você que está ao par
Dessas coisas lá do céu,
Quando o bispo vai cagar
Também tira o solidéu?

Foi uma polvorosa. O Ruy danou-se, foi esse o último encontro da turma.