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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Monsenhor Montenegro – Por Armando Lopes Rafael


Na foto, Mons. Montenegro (de pé, de batina preta) conversa com o governador Adauto Bezerra e Dom Vicente Matos, General Raimundo Teles Pinheiro, Dr Luiz de Borba Maranhão. Atrás de Mons. Montenegro, o prof. José do Vale Arraes Feitosa.


Fui seu aluno. A ele devo os meus estudos, relativamente aos antigos cursos de Humanidades (ou Ginasial) e o Científico, como se chamavam, àquela época. Explico. Oriundo de família pobre, meu pai não tinha condições de pagar um colégio particular para o filho mais velho, pois tinha mais nove filhos para sustentar com o pequeno salário de funcionário público. Mesmo assim fui matriculado no Colégio Diocesano do Crato para fazer o antigo Exame de Admissão ao Ginásio. Concluído este, estavam em curso as providências de minha transferência para uma escola pública, quando, certo dia, Mons. Montenegro me encontrou, num intervalo de aula, e disse:

–“Vou conseguir uma bolsa de estudo para você. Só espero que, no futuro, você não me atire pedras, como têm feito muitos a quem tenho ajudado...”

E foi graças a essa “bolsa de estudo” que me eduquei no melhor colégio da cidade... E graças ao que aprendi no Colégio Diocesano do Crato, consegui, posteriormente aprovação em concurso público do Banco do Nordeste, no qual trabalhei por cerca de 36 anos, chegando a galgar, naquela instituição, elevadas posições.

Monsenhor Montenegro era austero, sério, mas sempre comunicativo! Em algumas ocasiões, tinha rasgos de generosidade que causavam admiração. Tendo dedicado quase toda a sua vida à educação, principalmente na direção do Colégio Diocesano do Crato, esta atividade lhe proporcionou conviver com pessoas de diversas categorias sociais. Nesse mister, conseguiu fazer dezenas de centenas de amigos. Foi padrinho de batismo de bom número de crianças, com cujos pais cultivou laços de amizade. O seu concorrido sepultamento é uma prova do que afirmo.

Nos últimos anos de sua vida, já na ancianidade, exerceu unicamente atividades pastorais, principalmente na Capela de Nossa Senhora da Conceição do Bairro Granjeiro, por ele construída e onde repousam seus restos mortais, à espera da ressurreição final.

Foi na sua residência, localizada no mais aprazível bairro da nossa urbe, onde ele escreveu sua pequena mas profunda produção intelectual.
Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

Um comentário:

  1. Armando.

    A historia do Colégio Diocesano se confunde com a história de Monsenhor Montenegro. Não se sabe qual a mais importante para o Crato. Quanto ao seu texto devo dizer que a gratidão é a memória do coração. Parabéns.

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