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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Bar do Titico - Por Helder França

Várzea-Alegre tem um canto
Muito rico em freguesia
Eu da turma gostei tanto
Que bebo lá todo dia
E conversando lá fico
Na bodega do Titico
Que é mesmo um divertimento
Com mazile no balcão
Eu fico lá com BUJÃO
Gostando do movimento

Na bodega do Titico
Só entra gente de bem
Entra pobre e entra rico
Por isso entro também
Lá tem um ventilador
Que só serve pra doutor
Mas o dono tá direito
Acompanha o movimento
Diz que é racionamento
Que só liga pró prefeito

O bar é localizado
Bem no centro da cidade
Fica perto do mercado
Cheio de amor e amizade
Lá não se ouve mentira
Lá no Beco da Gobira
Beco estreito e pequenino
Com o nome hoje mudado
Por um decreto aprovado:
Travessa Zé Clementino

E foi lá que aconteceu
Êste causo interessante
E como isso se deu
Eu vou contar num instante
Sem pensar nada de mal
Bujão jogou no quintal
Um frasco seco, mas bom
Jogou o frasco no mato
Depois que usou êste extrato
Conhecido por Avon

Pedro Salgueiro encontrou
O frasco seco, no chão
Dentro do frasco mijou
Prá parecer com loção
Voltou no balcão dizendo
A quem estava bebendo:
Eu vendo um perfume bom
Eu tou liso e dou barato
É do melhor este extrato
É topázio, da Avon.

Macaúba se animou
Mesmo assim sem ter dinheiro
E o perfume comprou
Na mão de Pedro Salgueiro
Macaúba bebo e gago
Dizia: Pêdo eu lhe pago
Isso não tem confusão
Roubar não é meu costume
Mas só compro seu perfume
Se vender a prestação.

O negocio ficou feito
Tudo em boa condição
Macaúba satisfeito
Com o perfume na mão
Muito bebo e muito gago
Dizia: Pêdo eu lhe pago
Eu sou um cara bacana
E vou cumprir o meu trato
Eu vou pagar seu extrato
Dou cinquenta por semana.

E o bom é que ele cheirava
Encostava a narina
Não sei porque não notava
Que o cheiro era de urina
Foi mesmo uma palhaçada
Foi uma tarde animada
Que admirado inda fico
E tudo assim se resume:
Vender mijo por perfume,
Só lá no Bar do Titico.

8 comentários:

  1. O grande poeta e cordelista Cratense Jose Helder França, Dedé de Zeba, funcionario do Banco do Brasil, passou um periodo em Varzea-Alegre e deixou essa obra prima onde trata de uma historia envolvendo varios conterraneos, dos mais tolos aos mais sabidos, sempre com uma prosa divertida e cerveja gelada. Grande Dedé.

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  2. é eu ouvi esse comentário não sei se foi real, mais o dedé é cheio de prosa, o que gosto dele é que ele no verso passa todo humor da história ocorrida como se contasse naturalmente, parabéns dedé, saudades apareça na terrinha

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  3. Morais e José helder...
    Adorei os versos. Muito bom o causo. Eu frequentei o Bar de Titico nessa época e fui testemunha dessa animação na entrada do antigo Beco de Gobira...

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  4. Israel e Flavin.


    Certa feita cheguei em Varzea-Alegre acompanhado de um amigo, e o sujeito com uma indumentaria exagerada parecia um figurão, só falava em carangueijo, lagosta, Camarão, ETC. Fui a AABB e pedi uma cerveja. Foi servida no ato a mais gelada e, da primeira passamos para segunda até que pedimos um tira-gosto. O chefe do restaurante encabulado disse que não tinha. Como um restaurante não tem um tiragosto? Impossivel, logo em Varzea-Alegre? Depois de muita luta o gerente do bar disse que tinha preá. Mandamos torrar uns cico e traçamos. Ainda hoje quando me encontro com esse amigo ele faz questão de afirmar que foi o tiragosto mais gostoso que degostou em toda sua vida.

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  5. Esse eu conheço bem. Grande Dedé de Zeba, fisemos várias parcerias,
    inclusive um Indo e Voltando, onde um mandava uma charada em versos para o outro e o outro respondia rimando, já mandando outra charada também em versos.
    o nosso Indo e Voltando tem mais de 60 charadas rimadas. Vocês imaginem charada rimada como num é fácil.
    saudade do poeta roedor de piqui.

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  6. é quando não ter tira-gosto num restaurante aqui é natural pois na terra dos contrastes isso é comum abraços, mas preá assado é uma delicia

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  7. Morais, que bom que você está nos trazendo esses podemas de Dedé França. Ele agora mora em Fortaleza. Vou até falar pra Mônica, filha dele, que dê uma passada por aqui, que ela não deve estar sabendo...

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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