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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Francinilson Martins Azevedo - "In memoria"


Sentados da direita para esquerda: Francinilson Martins, Fátima Moreno e o filho Raul.
De Janeiro de 2000 a Dezembro de 2002, fixamos residência na cidade de Porto Velho, capital do estado de Rondônia.

Distante, no meio de estranhos, me encontrei com Francinilson Martins que se fixara por lá também. Daí por diante todo domingo nos encontrávamos, uma vez em nossa casa, outra vez na dele. Galinha caipira, cerveja gelada e muitas historias da Rajalegre para enganar a saudade. Só se tem ideia do valor de nossas historias quando nos separamos de nossa terra. Saudade, tristeza, solidão, a depressão, e não há doença no mundo maior do que depressão.

Um dia Nair e Fátima decidiram ir numa dessas igrejas que existem nas esquinas e que os pastores salvam a tudo e a todos.

Como bons e dedicados maridos fomos juntos. Pegamos uma fila quilométrica, e, quando nos aproximamos passamos a prestar uma atenção danada nos procedimentos. Chegava o fiel e o pastor perguntava: Qual é seu problema? Uma conta pra pagar! O pastor botava a mão na cabeça do endividado e respondia: você não deve mais nada a ninguém, vá embora e sapecava um empurrão. O próximo: O que você tem? Meu marido me botou um chifre!

O pastor botava a mão na cabeça da traída e respondia: Você não tem chifre não, isso é coisas que estão botando na sua cabeça. Outro empurrão e a mulher saiu cambaleando porta a fora.

O próximo, um velhinho - o que vovô tem? Perguntou o pastor: Eu estou fraco, quero um remédio para o palpite. Você não tem nada. Que historia é essa de palpite? Deu um pontapé no traseiro e o velho saiu levando as cadeiras nos peitos.

Nessa hora, Franscinilson observando aquelas cenas disse: Se vocês quiserem esperar esperem, eu vou embora, num tá vendo que eu num aguento um “sabacú” desses?

Diante de tão sabia decisão saímos todos nós da fila e fomos tomar uma sopa na soparia da rua Pinheiro Machado. Retornamos para o Crato, Francinilson e família continuaram por lá, e, ano passado ele faleceu deixando lembranças e muitas saudades eternas.

Somos, eu a minha família, uns eternos devedores da solidariedade e amizade de Francinilson e Fátima Moreno.

2 comentários:

  1. Prezados Azarias e Dona Maria.

    Obrigado pelo Francinilson, um bom filho, bom esposo, bom pai e acima de tudo bom amigo e camarada. Deus o tenho do seu lado em sua eterna morada.

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  2. Francinilson soube deixar bons exemplos durante sua passagem por esse mundo dos mortais.
    Denscanse em paz, primo.

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