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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quinta-feira, 6 de julho de 2017

“Quando alguém julgar o seu caminho, empreste a ele os seus sapatos”.


Nós somos a soma do que falamos, do modo como agimos, da maneira como tocamos uns aos outros. Mas também somos a soma de nossas emoções, pensamentos, alegrias guardadas e angústias não declaradas.

Ninguém sabe ao certo o que vai dentro do coração do outro. Ninguém tem a mínima noção dos fantasmas que assombram, da bagagem que carrega, das alegrias e saudades que abriga, das batalhas que trava, dos silêncios que suporta, das vitórias que celebra.

Porém, muita gente se acha apto para julgar o caminho alheio. Muita gente se considera assertivo para condenar as escolhas de terceiros.

Mas a verdade é que ninguém conhece por inteiro as batalhas que travo intimamente. Ninguém percorreu meu caminho com meus sapatos para saber onde apertam os meus calos. E por mais que imaginem conhecer, alguns passos dessa dança são só meus; e por mais que desejem ajudar, algumas pontes só eu posso atravessar.

Precisamos uns dos outros. Precisamos do olhar do outro que nos apoia silenciosamente ou nos faz recuar diante da gravidade das coisas e do mundo. Porém, não precisamos de juízes. Não precisamos de magistrados que decidem o modo como devemos viver ou habitar nossa própria história.

Cada um sabe o que carrega na bagagem. Cada um sabe de suas lutas íntimas e vitórias silenciosas. Cada um sabe onde seu sapato aperta, machuca, causa bolhas. Cada um sabe a hora de descalçar ou continuar. Cada um conhece seus limites, a necessidade de preservar a própria essência, a necessidade de ser coerente com seu coração. Então não é justo que alguém que nunca carregou aquela bagagem nem nunca calçou aqueles sapatos ache-se no direito de bater o martelo, intimar, condenar ou especular qualquer caminho ou escolha.

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