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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Major Joaquim Alves, sua filha Clara e o casamento com Joaquim Correia Lima - Por Antônio Morais

Foto - Joaquim Correia Lima e Clara Alves Bezerra, ela filha caçula do Major Joaquim Alves.

Naqueles velhos tempos, a família era coisa sagrada e, como tal, resguardada e protegida a sete chaves. As mocinhas quando em casa aparecia um viandante estranho, eram trancadas no caritó, evitando-se, assim, comentários ou namoricos. Os pais, temerosos dos bilhetinhos que poderiam as filhas receber ou enviar, não lhes permitiam, sequer, a alfabetização. Bastava as moças aprender os misteres de dona de casa: cozinhar. lavar, passar, o crochet e de quebra, ter filhos, muitos filhos. Tal regra não havia de fugir ao lar do Major Joaquim Alves  e sua esposa Antônia Correia Lima, embora já com um pouco de liberdade.

Aconteceu que um dia, recomendado pelo pai, Leandro Correia Lima, residente no Brejo, apareceu na casa do Major um rapazinho de apresentável aspecto, desinibido e loquaz, que, ali, precisava pernoitar, numa das pausas necessárias, na viagem que empreendia com seus negócios. Era o futuro patriarca Joaquim Correia Lima. Na ausência do marido, que se encontrava na roça, Antônia Correia Lima, sua esposa, recebeu cordialmente, o recém chegado, mesmo porque se tratava de pessoa de sua família, os Correia Lima do Brejo. Não sei se as outras filhas, Tereza Maria, Gloria e Barbara, ficaram encafuadas, o certo é que a menina Clara, uma boneca loirinha, pequenina, de olhinhos claros e vivos, teve licença de aparecer e, até, conversar! Conversa puxa conversa, como se diz e, lá pelas tantas, o mocinho, na frente da mãezinha vigilante, pergunta a garota se ela sabe escrever. A resposta, naturalmente, com assombro -  foi positiva  e isto bastou para que o moço, tirando sua cadernetinha  de bolso e um toco de lápis, pediu  para provar a assertiva, escrevendo o nome dela. Sem maior embaraço e sem recato ela papocou no papel as três palavrinhas: Clara Alves Bezerra.

Quando o Major chegou, sem saber ou sentir que ofendia a dignidade de um lar... o mocinho, dizendo da boa acolhida que recebera, falou da surpresa que tivera, vendo uma mocinha tão bonitinha e tão novinha saber escrever. Inocentemente, mostrou a cadernetinha com o nome da princesa.

Ah, meu Deus, pra que ele fez isto? Nosso Major, possivelmente, torcendo as bagudas, se encheu de revolta e foi claro em dizer ao mocinho que sua casa não ficaria desmoralizada, ia escrever ao pai, exigindo pronto casamento. Tão parecido com hoje, né? Não houve, possivelmente, desentendimento maior, de parte a parte, convinha o casamento e sei lá se o nosso Major, com todo esse esparro, não estava apenas interessado em descontar uma promissória. O certo, na historia, é que houve um final feliz. Muito logo se casou.

Deste casamento em 1858  nasceram :

01 - Raimunda Correia Lima
02 - Coronel Antônio Correia Lima
03 - Coronel Joaquim Correia Lima
04 - Coronel José Correia Lima
05 - Pedro Correia Lima
06 - Gervásio correia Lima
07 - Dr. Leandro Correia Lima
08 - Coronel Gustavo Correia Lima
09 - Coronel Virgílio Correia Lima
10 - Petrolina Correia Lima
11 - Emília Correia Lima
12 - Maria Correia Lima.

Um comentário:

  1. Voltarei a escrever sobre o Major Joaquim Alves, filho de Papai Raimundo, sua influência na historia religiosa e política de Várzea-Alegre. Ninguém, em tempo algum, foi tão importante e decisivo quanto ele.

    Apesar do casamento "sugigado" dele surgiu uma das famílias mais importantes de Várzea-Alegre e do Ceará. Economica e politicamente.

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