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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A pobreza do primeiro Bispo de Crato - Por Armando Rafael.

Quem via Dom Quintino vestido com sua indumentária de bispo – batina preta com faixa roxa à cintura, casas dos botões na mesma cor; cruz peitoral e anel, ambos de ouro – não podia imaginar que por dentro daquela imponência habitava uma pessoa pobre e de hábitos simples. Ele assim se vestia para cumprir as orientações da Igreja, àquela época. Na verdade, Dom Quintino nunca aspirou a ser bispo (chegou a rejeitar a nomeação para a Diocese de Teresina), mas levava a sério a altíssima dignidade desse cargo. Além do mais, sabia separar a função episcopal da sua pessoa. Tinha ciência de que a cruz peitoral e o anel episcopal não eram dele, enquanto pessoal, individual, e sim representavam símbolos da sacralidade da hierarquia, na Igreja Católica, da qual ele era um lídimo representante.

Sabemos que Dom Quintino era muito devoto de Santa Teresa de Jesus e se identificava com a espiritualidade carmelitana. Aí incluída a pobreza apostólica. No que consiste esta? Na imitação da pobreza de Cristo. Jesus foi pobre, desde o momento de sua concepção no seio da Virgem Maria. Depois, quis Ele nascer em Belém, na mais completa desnudez. E durante sua vida pública – conforme lemos nos Evangelhos – não tinha onde reclinar a cabeça, contentando-se, muitas vezes, com o dormir ao relento.

Todos os que escreveram sobre o primeiro bispo de Crato são unânimes em reconhecer em Dom Quintino uma pessoa desapegada dos bens materiais. Durante os quatorze anos, nos quais foi bispo, residiu numa casa alugada – pagava trinta mil réis mensais – a um rico proprietário de Crato, José Rodrigues Monteiro.
Padre Azarias Sobreira, no seu livro “O primeiro Bispo de Crato”, escreveu: “A muitos que só o conheceram superficialmente parecerá um paradoxo. Mas é fora de dúvida que Dom Quintino viveu pobre e morreu paupérrimo. Tirante os móveis de casa e as insígnias episcopais, o seu único legado foram os livros e um cavalo de estimação, que o vigário de Saboeiro, Padre José Francisco, lhe havia oferecido.

“Dinheiro? Nem quanto bastasse para as custas do seu enterro. Propriedades? Nem sequer uma casa de palha. No entanto, S.Exa. passou quinze anos regendo a melhor paróquia do Estado (à época, Crato e Juazeiro reunidos), e outros tantos anos no governo de uma diocese brasileira.

“Quando vigário de Crato, segundo teve ocasião de me dizer, mandou, diversas vezes, à casa do milionário José Rodrigues Monteiro, tomar de empréstimo o dinheiro necessário para a feira da semana (...) Vendo-o entrar na velhice sem ter feito a mais pequenina reserva pecuniária, tomei, um dia, a liberdade de aconselhá-lo a fazer seguro de vida. Deu-me a seguinte resposta o homem de Deus: “– Eu ainda não ouvi contar que um padre de boa vida morresse de fome. “E continuou a só pensar na sua querida diocese e nos alunos do seminário diocesano, esquecido de si mesmo e dos seus pelo sangue”.

Quando ocorreu a morte de Dom Quintino, a Cúria Diocesana não dispunha de dinheiro suficiente para seu sepultamento. Um cidadão cratense, José Gonçalves, abriu uma subscrição e saiu a percorrer residências e estabelecimentos comerciais angariando doações para o funeral do grande bispo. Graças a essa iniciativa, foram realizadas as exéquias daquele que, nos últimos quatorze anos, fora o homem mais importante do Cariri...

(*) Armando Lopes Rafael é historiador

10 comentários:

  1. Meu Caro Armando.

    Esse foi o lado exemplar, doutrinario, cristão e humano de Dom Quintino. Porém a resultante de sua administração a frente da Diocese de Crato é que foi valiosa. Construiu uma base de realizações que seguidas por Dom Pires dotaram a Diocese de estruturas que seus sucessores tiveram facilidades em administrá-la. A partir da administração Dom Pires, muito pouco acrescentaram haja visto o montante de ações já implementadas.
    Parabens Armando. Muito abrigado pelo belo texto.
    A. Morais

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  2. Sou cristão, mas não sou adepto de nenhuma igreja "institucional". Mesmo não sendo católico, seria injustiça de minha parte não reconhecer o belíssimo exemplo de Dom Quintino. De fato, ele foi um homem que entendeu qual foi a intenção do Senhor ao escolher a vida que levou na Terra. Para reforçar o que digo, transcrevo abaixo o trecho de um livro fantástico chamado A Infância de Jesus:
    "Outro jovem igualmente dirigiu-se a ela, dizendo: “Virgem agraciada!
    Reconheces também a mim? Não deve ter passado mais de um ano
    que te visitei em Nazareth!”

    Maria o reconheceu pela voz e disse: “Sim, sim, és Gabriel! Em verdade,
    não existe igual a ti, pois foste tu quem trouxe ao mundo a maior
    das mensagens, anunciando a salvação a todos os povos!”

    Respondeu o jovem a Maria: “Oh, virgem, no princípio erraste. Em
    minha pessoa, o Senhor começou a Se servir dos meios mais modestos
    para a execução da maior obra. Por isso sou apenas o mais simples e
    menos importante no Reino de Deus. De fato, trouxe à Terra a mensagem
    mais sublime e grandiosa, mas isto não quer dizer que não haja
    quem se iguale à minha categoria, pelo contrário, sou o mais simples no
    Reino de Deus.” Eis que Maria e José ficaram admirados da grande humildade
    do jovem.

    A Criancinha, porém, disse: “Sim, este anjo tem razão. No princípio,
    o maior Me era o mais próximo; revoltou-se, e quis ser igual a Mim,
    pretendendo superar-Me e assim se afastou de Mim. Por esta razão construí
    Céu e Terra estabelecendo a ordem de que somente o menor estará
    mais próximo de Mim. Agora escolhi para Mim toda simplicidade deste
    mundo; por isso, apenas aqueles serão os maiores que como Eu, no mundo
    e por si próprios são os mais modestos. Tu, Meu Gabriel, tens razão e
    também a Minha Mãe está certa, pois és o maior porque em teu íntimo és o mais insignificante!”.

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  3. Parabens Antonio André. Muito bonito e verdadeiro o seu depoimento.

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  4. Caro Morais:
    Além de pobre, Dom Quintino era um homem de coragem pessoal. No livro do Padre Azarias Sobreira (O primeiro bispo de Crato) consta o tópico abaixo:

    "A SUA CORAGEM PESSOAL

    Um caso, entre outros, será bastante para dar uma idéia do varão em foco.Está na memória de todos o que foi a revolução de Juazeiro de 1914. Sabe-se que, constrita, por mais de um mês, dentro de um imenso círculo de valados, a revolução, afinal, saltou fora das trincheiras, renunciou a simples defensiva e arremeteu contra o Crato, onde se haviam aquartelado as forças legais.Mil duzentos e sessenta e quatro homens de luta, jeitosamente escolhidos, tomaram, mais depressa do que era lícito prever, a cidade vizinha, um ano depois elevada a sede do bispado.

    Rendido o Crato, estava moralmente derribado o governo que ali pusera as suas tropas. Fácil é de imaginar o acabrunhamento dos vencidos e, sobretudo, a audácia dos vencedores.

    Pois bem. Em meio à cidade deserta, pela fuga em massa, dos seus habitantes, um homem ficou sereno, impertérrito, como a desafiar a fúria dos assaltantes. Esse homem era o monsenhor Quintino, então vigário, e, menos de dois anos depois, o primeiro bispo do Crato.

    Isto, porém, pouco significaria, se não fosse ele, como era, o alvo preferido de certa parte dos triunfadores, exatamente os mais ignorantes, fanáticos e impulsivos.

    Sentinela avançada, desde 1900, da autoridade diocesana, no alto sertão, executor de todas as ordens emanadas de Roma e Fortaleza, em relação ao Padre Cícero, grave e
    notória era atmosfera de prevenções e malquerenças acumuladas contra ele, ao explodir a revolução assoberbante.

    Apenas tomada a praça, um punhado de fanáticos, mesmo a despeito de formal orientação do padre Cícero, batia a coice de rifle à porta do pároco temerário.

    - Não quebrem, que vou abrir – soou, de dentro, uma voz firme e articulada.

    Logo após, franqueada a porta, penetrava na sala uma dezena de jagunços, em trajos berrantes de cangaceiros, agora defrontados com um sacerdote inerme, em cuja fisionomia ninguém leu um sobressalto.
    - Que pretendem os senhores? Indagou o vigário, quebrando tranqüilamente o silêncio.
    - Nós queremos é um dinheirinho.
    - Aqui tem o que lhes posso dar, replicou o ministro de Deus, tirando do bolso e entregando uma nota de 10$000.
    - Mas nós queremos, ainda, uma coisa, insistiram os recém-chegados.É que seu vigário deixe de mão meu padrinho Cícero. É, nhôr sim. Porque agora chegou o tempo de acabar com aquelas perseguições...

    Monsenhor Quintino, então assenhoreando-se do lance, interrompeu a arenga em tom imperativo:
    - Isso é com os meus superiores e só com eles. A mais ninguém tenho que prestar contas dos meus atos. E os senhores tratem, já, de desocupar minha casa.

    Desconcertados com o corajoso e imprevisto da réplica, os fanáticos foram saindo, um atrás do outro, sem mais adiantar palavras aquele homem superior".

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  5. Caríssimo Armando Rafael

    Gosto muito de narrativas de cunho histórico, especialmente aquelas que envolvem a nossa querida cidade do Crato no passado. Fico feliz quando o nome de um personagem que foi destaque, é carinhosamente mencionado.

    No nosso caso D. Quintino, seria bom que os leitores desse conceituado blog, conhecessem também o histórico por datas, quando ele nasceu, quando se ordenou, quando foi consagrado bispo quanto reinou e quando morreu. Isto ajudaria muito a conhecer o personagem de quem falamos e assim situaríamos no tempo e no espaço, o fato histórico.

    Não conheci D. Quintino, talvez fosse menino ou nem existisse ainda. Via o seu busto na Praça da Sé, nada mais. Mas ali nem si quer tinha um resumo da sua trajetória.
    O que você acaba de fazer é um grande resgate. Obrigado, gosto muito do Crato e fico feliz quando alguém divulga algum comentário dos seus verdadeiros heróis.

    São centenas, sendo você um historiador, que tal resgatar outros personagens, são tantos e tão esquecidos que faz pena.

    Abraços do
    Vicente Almeida

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  6. Caro Vicente:
    Obrigado por seu comentário.
    Eis o rsumo biográfico solicitado:
    Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva nasceu em 31 de outubro de 1863, na Fazenda Salgadinho, situada em terras do município de Quixeramobim, segundo a maioria dos que escreveram sobre ele. Era filho de Antônio Rodrigues Batista da Silva e Maria Rodrigues Batista Vaz, humildes agricultores, de poucas posses.
    Desde criança, Quintino demonstrou sinais de inteligência e vivacidade. Embevecidos com essas qualidades, e por não disporem de recursos financeiros suficientes para educá-lo, seus pais o entregaram aos cuidados dos seus padrinhos de batismo - um casal virtuoso e abastado que não possuía filhos - o major Cândido Moreira e sua esposa Maria Moreira, mais conhecida como dona Mariquinha. Foi este o motivo que levou o menino Quintino a deixar a zona rural, para residir na área citadina de Quixeramobim.
    Monsenhor Francisco Holanda Montenegro escreveu que o Frei Serafim de Catânia, missionário capuchinho, que percorreu os sertões nordestinos, pregando a Boa Nova do Cristo Jesus, de passagem por Quixeramobim, no terceiro quartel do século XIX, vendo o menino Quintino ao lado da sua madrinha, dona Mariquinha, dirigiu as seguintes palavras àquela senhora: “ ...mulher, cuida deste menino que um dia será grande figura da Igreja”.

    Acertou em cheio o visionário filho espiritual de São Francisco de Assis!
    Aos 17 anos, em 1881, ao entrar no Seminário da Prainha, em Fortaleza, graças aos conhecimentos adquiridos com esse mestre, conseguiu ser matriculado no 3º ano de Humanidades. E até a conclusão dos seus estudos eclesiásticos será sempre um dos alunos mais destacados da casa. Sério, responsável, logo Quintino se impôs aos seus pares. A ponto de o reitor o ter escolhido como regente dos seus colegas seminaristas.

    Ao se ordenar, em 19 de junho de 1887, o segundo bispo do Ceará, Dom Joaquim José Vieira, resolve envia-lo para o Cariri. Veio para a paróquia de Missão Velha, para ajudar o velho vigário, padre Manuel Félix Arnaud. Padre Quintino foi portador da carta do bispo ao vigário, na qual constava a seguinte frase: “Mando-lhe para seu coadjutor, um anjo, a pérola do meu seminário”.Fixou residência na povoação de Goianinha (hoje Jamacaru) e ali permaneceu por dois anos.

    Foi transferido para a cidade do Crato, em 1889, para exercer a função de professor no Seminário São José, à época um apêndice do Seminário de Fortaleza. Ali ocupou o cargo de Reitor, entre os anos de 1893 a 1897. Em 1900 foi nomeado vigário de Crato, sendo o seu parqoquiato um dos mais profícuos na existência da Paróquia de Nossa Senhora da Penha. ”. Finalmente em 10 de março de 1915 foi dom Quintino preconizado bispo do Crato. Sagrado em 31 de outubro do mesmo ano, em Salvador na Bahia, assume oficialmente a nova diocese no dia 1º de janeiro de 1916.
    Faleceu no dia 29 de dezembro de 1929 e foi sepultado no cemitério público local. Seus ossos, posteriormente, foram transladados para uma das colunas da sua querida Catedral, templo que durante 29 anos o teve como Bom Pastor. Igreja por ele dotada de tantos melhoramentos. Em 8 de dezembro de 2008 seus restos mortais foram transferidos para a Capela de Cristo Ressuscitado, juntamente com os despojos do 2º e 3º bispos de Crato, Dom Francisco e Dom Vicente.

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  7. AS REALIZAÇÕES DE DOM QUINTINO COMO PASTOR DIOCESANO

    O ano anterior, 1915, fora de seca. As perspectivas para o início do episcopado do nosso primeiro bispo não eram animadoras. Mas Dom Quintino enfrentou todas as dificuldades iniciais com muita garra, muita fé e uma confiança inabalável em Deus. Fé essa que havia ele alicerçado, ao longo dos anos, à custa de oração e trabalho persistente.

    Como bispo do Crato, além de priorizar as atividades espirituais, Dom Quintino foi o homem das grandes realizações que modificaram o cenário social e econômico do Cariri. Organizou em primeiro lugar a Cúria Diocesana, deixando-a apta a um bom funcionamento. Já no dia 1º de abril de 1916 reabriu o antigo Ginásio São José, agora com o nome de Ginásio Diocesano, destinado à educação da juventude masculina. Criou, em 1921, a primeira instituição de crédito do Sul do Ceará, o Banco do Cariri, que prestou grandes benefícios ao comércio e à lavoura da região, da qual ele foi o primeiro presidente.

    Fundou, em 1922, o Seminário Episcopal do Crato destinado à formação do clero. Vale aqui ressaltar que Dom Quintino foi o fundador do Seminário Diocesano do Crato, pois o primeiro bispo do Ceará, dom Luiz Antonio dos Santos, ao construir de forma heróica o prédio do educandário, em 1875, assim o descreveu, em carta de 8 de janeiro daquele ano, ao Padre Visitador da Ordem Lazarista:

    “ Advirto que este Seminário do Crato não constitui nova fundação, sendo apenas um suplementar ao Seminário Episcopal da Capital e dele inteiramente filial (...)”

    Criando o Seminário do Crato, Dom Quintino tornou-se o pioneiro do ensino superior no interior do Ceará, porquanto, no recuado ano de 1922, o educandário da diocese cratense iniciou suas atividades com o Seminário Menor e o Seminário Maior, ou seja, com o curso de preparatórios e o Curso Teológico. Este último sub-dividido em Curso de Filosofia, feito em dois anos e Curso de Teologia, em quatro anos, findos os quais o futuro presbítero recebia a licenciatura plena. Dom Quintino plantou, assim, a semente que viria a germinar, cinco décadas depois, na Faculdade de Filosofia do Crato, que foi, por sua vez, o embrião da atual Universidade Regional do Cariri – URCA.

    Fundou ainda Dom Quintino o jornal “A Região” que circulava em toda a diocese, bem como o “Boletim Eclesiástico” destinado à orientação do clero.

    Criou simultaneamente em 1923: o Colégio Santa Teresa de Jesus, destinado à educação da juventude feminina, e a congregação religiosa Filhas de Santa Teresa de Jesus, que viria a se espalhar por diversos estados nordestinos, chegando a possuir casas no estado de São Paulo.

    Dom Quintino chegou, ainda, a adquirir um terreno, na subida do Barro Vermelho, hoje bairro Pinto Madeira, para construir uma nova Catedral, tendo ao lado o Palácio Episcopal. Sua morte impediu que ele concretizasse esse intento.

    Criou, o nosso primeiro bispo, durante seu fecundo episcopado, cinco novas paróquias, o que correspondia a um acréscimo de 25% em relação às paróquias originárias da nova diocese do Crato. Ordenou, também, treze novos sacerdotes.

    Fez, como pudemos constatar, um trabalho hercúleo! E isso em poucos anos, no primeiro quartel do século XX, numa região distante cerca de 600 quilômetros do litoral, onde se localizavam os centros de civilização da época.

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  8. Vicente:
    Os 2 trechos acima constam de uma palestra que fiz em 2007, no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri, quando do lançamento da 2ª edição do livro "O primeiro bispo de Crato", de Padre Azarias Sobreira.

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  9. Meu caro Armando Rafael

    Muito obrigado pelo relato histórico.

    Agora sei que não sou da época de D. Quintino. Sei também que o Crato muito deve a ele.

    É muito curioso, mas, normalmente as pessoas que se destacam no serviço a um povo têm origem humilde. Por isso que gosto de rebuscar as fontes por que ai encontramos verdadeiros tesouros.

    Esses relatos de homens do bem são de grande utilidade para a nossa juventude de hoje, pois seus exemplos de simplicidade e vida laboriosa mostram muito bem que a conquista do futuro está no trabalho e não no ócio. Não está nas farras desenfreadas, nas gastanças, nos desrespeitos aos mais velhos e as criancinhas.

    Esses homens que se destacaram dando exemplos de simplicidade, também são encontrados nos históricos de pessoas do povo. Sem nenhum estudo, mas que no seu tempo, sem o saber, estava marcando a sua passagem em nossas vidas, para nunca mais esquecermos.

    Vou citar alguns, os mais simples do Crato, que conheci:
    Tandor (servo fiel);

    Mói Mói (um mendigo que batia a nossa porta apresentando-se com seu bordão e sua bandeija girando sobre o dedo indicador);

    90 (O chapeado mais simpático da cidade com suas respostas intrigantes e picantes);

    Pedro Cabeção (quando passávamos por ele nos assustava não pelo tamanho da cabeça, mas, por que usava a boca para simular um estalo).

    Conhecer os homens ilustres do passado nos mostra que nem tudo está perdido. Eles ainda existem nos dias de hoje, só que mais discretos e até temerosos.

    Relembrar as pessoas do povo nos remete ao saudoso passado e a nossa juventude.

    Um forte abraço do
    Vicente Almeida

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  10. Prezado Armando,
    Fiquei satisfeito em ler sobre a pobreza de Dom Quintino e de saber mais sobre a vida desse ilustre cearense. Não só as jovens essa história é válida mas a todos que pretendem refestelar a alma com algo construtivo. E parabéns pelo esmerado texto.

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