Páginas


"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sábado, 8 de dezembro de 2018

HERANÇA - Por Wilton Bezerra, Comentarista esportivo


Quero falar de futebol ruminando sobre o entorno dessa prática e esportiva apaixonante.
Digo isso e penso nos idiotas da objetividade, irmãos siameses dos cronistas de resultados.
Esses, acham que no futebol tudo é resolvido dentro de campo, ignorando o seu gerenciamento por canais infinitos.
Desvinculados da idéia de se deixar uma contribuição nova, um olhar diferente para o jogo. Uma herança, digamos, em forma de novas idéias.
Assim como uma diva deixa para a posteridade sua obra musical antológica, criada para ficar.
Caetano Veloso se reportou à herança musical de Belchior como uma obra para não ser esquecida.
François Rabelais, escritor e padre francês que morreu em 1553, cravou no seu testamento: “Pouco tenho,devo muito, o resto eu deixo para os pobres”. Um cínico.
Remando contra uma maré, muitas vezes virulenta, afirmo que até nas derrotas o futebol nos deixa heranças importantes e inesquecíveis.
Por exemplo, como um time derrotado, a seleção brasileira de 1982 na Espanha, pôde ser mais lembrado do que posteriores formações vencedoras de Copas do Mundo?
E não se trata de uma lembrança ufanista. Guardiola se derrete ao falar daquela seleção.
Outra: a Hungria de Puskas, na Copa de 1954, jogando um futebol mágico, e ainda assim, perdendo a final para Alemanha.
E, agora, a mais importante: a revolucionária escola holandesa. Mesmo saindo sem a vitória em duas decisões de copa, deixou uma herança de alta relevância para a evolução do jogo nos últimos 50 anos.
Tudo o que vemos hoje, de mais alto nível no futebol, tem as digitais de Rinus Michels e Joham Cruyff.
Quem ignorar esses argumentos não deveria assistir futebol. Aguarda somente o resultado do placar após os jogos.

3 comentários:

  1. A geração Argentina de 1966 também deixou exemplos de grandes heranças. Cejas, Ramos Delgado e Ratin Fizeram historia.

    ResponderExcluir
  2. Legado revolucionário dos dois. Um fora de campo e o outro dentro de campo

    ResponderExcluir