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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sexta-feira, 24 de junho de 2016

“Busto” de dona Bárbara de Alencar contém um grave erro histórico – por Armando Lopes Rafael



Não vou falar aqui da feiura do “busto” de Bárbara de Alencar, colocado em frente à Coletoria Estadual, na Praça da Sé, em Crato. O autor da ideia (ou autores? Ninguém sabe) colocou na estátua quase anã, que fica rente ao chão (dona Bárbara deve estar se remexendo no túmulo) com a homenageada segurando uma bandeira da “Confederação do Equador”. Santa ignorância!

Dona Bárbara não participou desse movimento autodenominado Confederação do Equador, iniciado em 1824. Ele teve participação sim, na Revolução Pernambucana, no ano de 1817, quando o mentor deste movimento, em Crato,  foi seu filho, o seminarista José Martiniano de Alencar. Por conta dessa participação Bárbara de Alencar foi presa em 1817 e só foi libertada em 1821, quando regressou a Crato para lutar pela recuperação dos seus bens ilegalmente usurpados por um sacerdote inimigo dela.

Depois disso ela se recolheu a sua fazenda Touro, no limite do Ceará com o Piauí, onde faleceu em 28 de agosto de 1833, sendo enterrada na capela de Itaguá, distrito de Campos Sales. Em 1824, quando ocorreu a “Confederação do Equador”, Bárbara de Alencar residia na fazenda Touro e não teve qualquer participação no novo episódio republicano Quem participou da Confederação do Equador  foi seu filho Tristão Gonçalves, barbaramente assassinado em 30 de outubro de 1825, na localidade Santa Rosa, hoje alagada pelo açude Castanhão. Na Confederação do Equador, Bárbara estava recolhida na sua fazenda Touro...

No mais, Dona Bárbara merece sim um busto, mas um busto  de bronze, à altura do porte da cidade de Crato e não aquele arremedo de busto colocado na Praça da Sé.

             

Um comentário:

  1. Prezado Armando Rafael - Na história politica do Crato, tenho visto muitos candidatos se apadrinhando de Barbara de Alencar. É Barbara pra lá, Barbara pra cá nos seus discursos. Já vi candidato vencer e vi candidato perder. Portanto, falar ou enaltecer Barbara de Alencar não produz voto. Depois que li um texto seu numa revista de circulação regional fiquei desconfiado da condição de grande patriota que é atribuído a dona Barbara. É heroína pra uns e pra outros não. Engano como este que você acaba de reparar precisam ser denunciados para o bem da historia. Quanto ao busto nunca vi coisa mais feia.

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