sábado, 18 de abril de 2020

E haja saco - Por Antônio Morais.


Todo dia, no mesmo horário o telefone tocava. Do outro lado, uma voz feminina, suave e maviosa dizia: "Nossa empresa aprovou um limite de crédito para o senhor". Com toda elegância que me é característica eu respondia : amiga, eu sou um velho, não posso ter cartão de crédito, eu tenho que viver do orçamento que minha aposentadoria permite.

No outro dia a mesma coisa, repetiam-se as ofertas por dias seguidos. Um dia eu falei para a ofertante : Quanto é o limite que sua empresa disponibiliza para mim?  Eu estou devendo o meu limite do Itau, do Bradesco, da Caixa e do Banco do Brasil, devo tudo que é cartão. Se  você me der um limite para liquidar todos os meus débitos e ficar devendo só a você eu aceito.

Nunca mais o telefone tocou. Voltei a ter sossego.  

Um comentário: