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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quinta-feira, 6 de abril de 2017

045 - O Crato de Antigamente - Por Antônio Morais.


O Beato José Lourenço.

O sinal para o fim do Caldeirão começou com a morte do Padre Cicero no dia 20 de Julho de 1934, aos 90 anos. A igreja católica reivindicou os seus bens e uniu-se as elites para destruir a comunidade.

Em 1936, uma reunião, em Fortaleza, de representantes da Diocese do Crato, da Ordem dos padres Salesianos, da Liga Eleitoral Católica, do Deops, da Policia Militar e do Governo do Ceará, buscava um pretexto para por o fim da comunidade.

Estavam todos assombrados pelo fantasma de Canudos, onde o exercito brasileiro fora seguidas vezes derrotado, até que, em l.897, promoveu o massacre de milhares de camponeses. Os participantes alegaram, também, o risco de o Caldeirão cair nas mãos de lideres marxistas.

O ataque foi definido, mas na hora da invasão o beato José Lourenço fugiu a Floresta da Chapada do Araripe.

De lá fugiu para o Exu onde veio a falecer em 1946 vitima de peste bubônica. Na morte a humilhação final. Seus seguidores carregaram o caixão por 70 km a pé até Juazeiro do Norte. Monsenhor Joviniano Barreto disse que não celebrava missa para bandido e não permitiu a entrada do corpo na capela.

Os seguidores então enterraram o corpo no Cemitério do Socorro. O beato José Lourença sobreviveu a tudo e hoje é referencia de resistência popular e como defensor das mais simples aspirações do povo nordestino: a de fazer brotar a paz e fartura do solo árido do sertão

3 comentários:

  1. O Padre Cicero errou numa coisa. No seu testamento. Devia ter deixado a propriedade para a comunidade. Não o fez. Deixou para os salesianos que pediram a posse na justiça depois de sua morte. A reação do Beato foi apenas ser indenizado das benfeitorias, o que era muito justo, os padres negaram. Deu-se o conflito.

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  2. O dr. Aníbal Figueiredo disse-me que o pai dele, José Alves de Figueiredo tinha terras vizinhas ao Caldeirão e quando necessário obeato colocava todos os seus seguidores para ajudar os vizinhos. Em um dia limpava ou plantava tudo.

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  3. Carlos Esmeraldo - Era pratica do Beato reuni os trabalhadores e prestar serviços , e, o mais interessante é que o pagamento era uma saca de feijão, farinha, uma mala de rapadura ou um simples muito obrigado.

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