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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


domingo, 28 de maio de 2017

063 - O Crato de Antigamente - Por Antônio Morais.


Belchior Araújo, foi um iguatuense de família tradicional e abastada, que desviou-se da orientação familiar e quando em idade adulta passou a dar trabalho às autoridades de segurança.

Pelos conceitos  policiais ele não era tão valente como se dizia, mas, quando bebia criava confusões e não respondia pelos seus atos. Conta-se que quando estava "melado" e chegava num samba, saía tomando adereços  de homens e mulheres, embora, às vezes, no dia seguinte mandasse entregá-los aos donos. Segundo os do seu tempo, uma vez ele chegou num forró na localidade de Mata Fresca tomando óculos, cordões, relógios da matutada presente, até que chegando num jovem moreno, a conversa foi diferente :

Pare aí doutor, este relógio eu comprei com o meu dinheiro e não vou lhe entregar.

E ele olhando bem dentro dos olhos do matuto falou :

Até que enfim encontrei um homem disposto.

A partir daquela noite o rapaz ficou conhecido como Raimundo da Mata Fresca e passou a ser o lugar temente do arruaceiro.

Belchior, continuou assombrando os sambas e as viagens de trem que subiam para Fortaleza ou desciam  para o Cariri. No dia  em que resolveu ir de carro m para o Crato, o veiculo deu o prego nas proximidades de Barbalha.  Nisso passa um cidadão barbalhense de Jeep  e como este não concordou em ceder seu transporte para Belchior completar sua viagem,  levou um grande tapa na cara.

Recompondo-se o cidadão  foi até a cidade  e acionou a policia que saiu na direção da estrada para prender o agressor.  Quando chegaram no local não mais o encontraram, então saíram em perseguição. Quando chegaram no São José avistaram novamente o veiculo parado em uma elevação próxima, mas, não fizeram abordagem porque foram recebido a bala. A patrulha respondeu a agressão  com tiros de fuzil e Belchior foi atingido por um deles. Depois que identificaram o morto, o cariri viveu dias de agitação. 

Conforme tradição do sertão, no  lugar onde morre um cristão  uma cruz deve ser colocada,  e ali erigiram uma. 

A localidade  passou a chamar-se "Cruz de Belchior".

Um comentário:

  1. Neste local, por um bom tempo, era local dos turistas namorarem. A pergunta que se faz é : Se a policia soubesse que era Belchior teria feito a busca?

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