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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 8 de maio de 2017

ESCOLHIDOS DE SÃO RAIMUNDO - POR ANTÔNIO MORAIS


Padre José Ferreira Lobo - Vigário de 1.928 a 1.932. Paroquia de São Raimundo Nonato - Várzea-Alegre - Ce.


Igreja demolida - Foto de 30 de Agosto de 1.918. Festa do padroeiro São Raimundo Nonato.


A cidade crescia e, com ela, sua fé, sua crença. A igreja matriz existente, aquele templo modesto, em cujo frontispício se havia gravado a data de 1.904, ia passar por seria reforma, tornar-se mais amplo e mais imponente.

Foi sempre e em qualquer lugar a igreja a edificação mais suntuosa, sua torre o ponto mais elevado e dominante. Assim devia ser entre nós. E, assim, se fez. Foi  na gestão do Padre José Ferreira Lobo, em 1.928. O povo se mobilizou, na sua totalidade, para consecução do trabalho, que era obra de todos. 

Sem os atropelos que sempre surgem, nesses movimentos, sem o formigamento desbaratado e improdutivo de operários sem conta, os trabalhos progrediam em ritmo certo, segundo cronograma traçado. Trabalho comum, nem por isto, merecedor de menos cuidados e atenções. Os adjuntos ou mutirões eram determinado o dia para cada sitio.

No dia do Sanharol, José Alves Bezerra, José de Chiquinho, casado com Raimunda da Santana do Sanharol, contou para os  amigos Pedro André, Antônio de Pedrinho e Antônio do Sanharol um sonho que tivera no qual a torre da igreja caía em sua direção e, enquanto ele fugia a torre seguia em perseguição. Antônio do Sanharol  foi bem claro: José eu fosse você não ia ao adjunto.

Era um primeiro de Março, Sábado. Não sendo supersticioso, apanhou seu chapéu e suas ferramentas e saiu. Trabalhou por toda manha em cima da parede derrubando tijolos, quando sentiu sede, tranquilamente, desceu e foi até a casa paroquial. No seu lugar, no mesmo serviço, ficou o seu cunhado Joaquim Alves Bezerra, Salgueiro. 

Ao voltar, sem que o cunhado o houvesse visto, derrubou este um tijolo que o atingiu na cabeça, matando-o no mesmo instante. Toda Várzea-Alegre tomou conhecimento, compungida, de fato e, muitos ainda comentam.

Lembrando a tragédia, associo o episodio que fulminou nossa já conhecida Tereza Maria de Jesus: Tomando nos braços o neto recém-nascido, ergueu-o num "Viva  São Raimundo" e tombou sem vida.  Modalidades diversas de chamar seus eleitos, os escolhidos de São Raimundo Nonato.

2 comentários:

  1. Todo trabalho de demolição e reconstrução da Igreja Matriz foi realizado em mutirão, adjunto. Cada semana um sitio, cada dia uma comunidade.

    Foram criados dois partidos para motivar a concorrência e arrecadar fundos.

    Sanharol e Cajazeiras, dois sítios próximos da cidade.

    As religiosas da cidade se dividiram entre os dois partidos e como sempre o campeão, quem mais conseguiu doações e fundos foi o Sanharol.

    Mundinha de Sanharol compôs algumas quadras, colocou musica que eram cantadas nos eventos exaltando os partidos, em especial o Sanharol.

    Exemplo:

    Dona Antônia Piau,
    Não sei se ela é Cajá
    Não digo nada com ela
    Só respeitando Dadá

    Ela mandou me dizer
    Cuidado com o Sanharol
    E eu respondi pra ela
    Não se importe que é melhor.

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  2. Morais:
    Muito interessante este artigo que resgata os frutos do trabalho do vigário Pe. José Ferreira Lobo. Vou imprimir e colocar a cópia no dossiê da Paróquia de São Raimundo Nonato existente na Cúria Diocesana de Crato. Parabéns!

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