Páginas


"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 6 de junho de 2018

108 - Preciosidades antigas de Várzea-Alegre - Por Antônio Morais.



Antônio Alves, do Sanharol e Sá Zefa eram o casal  mais pobre da Ribeira do Machado. Bens materiais não tinham algum. Eram pois muito rico de humildade e resignação. No encantamento de uma alvorada, Sá Zefa disse: Antônio, não tem pó nem açúcar para eu fazer um cafezinho para você. 

Antônio se levantou da sua tipoia, foi até onde estava Sá Zefa, abraçou-a, beijou-a,  fizeram  amor e, se realizaram como homem e mulher. A seguir, Antônio foi comprar fiado uma quarta de café e outra de açúcar na mercearia próxima de sua casa.

Na mesma alvorada, a esposa de um fazendeiro rico quando deu por ela descobriu que tinha uma sócia. Escandalizar-se diante da sociedade e peitar a fera não era a opção mais recomendada. Então, resolveu rezar. Todo dia reunia as moradoras diante da imagem de "Mãe Rainha" e haja reza.

Depois do terço, vinham as intenções e ações de graças. Era reza pra tudo que era fim. Pra recuperar a saúde do doente, pró inverno ser bom,  para a safra do arroz ser "sufrive" e "tal que verei".

O sonso do marido "nem mode coisa", bem sossegado numa tipoia, no quarto ao lado, ouvia o clamor piedoso e chorão da esposa.

Em dado momento ouviu-se a dona da casa dar o seu depoimento : Agora nós vamos rezar "uma salve rainha, cinco pai nosso e doze ave-maria" pra ver se o meu marido larga aquela quenga : "que eu duvido"!.

E, repetiu para a doméstica na alvorada seguinte quando notou a ausência do marido no lauto café servido à mesa: "Eu tenho tudo que é bem material, fazendas, gado, joias, mas, não tenho o amor do meu marido :

"Ele ama outra".

3 comentários:

  1. Não chegue a conhecer Antonio Alves, mas por intermédio do meu pai, Raimundo Bitu tomei conhecimento de muitas histórias engraçadas do humorista Antonio Alves. Já sua espoca Zefinha por muitos anos servi de companheiro nas dormidas em sua humilde cozinha de taipo vizinha a nossa morada. Ela fazia renda em sua almofada de birro, eu como menino muito traquino gostava de mexer nos birros e ela dizia: tem modo menino!!!!, Tem modo menino!!!!!!!!.
    Mas, na verdade, o que me chamou a atenção no fato descrito pelo primo Morais foi o exemplo de amor recíproco existente no casal. Vejam o espírito de humildade, de conformação, de solidariedade e acima de tudo o relacionamento de vida, comparando com outros que esbanja riqueza, mas não perdura o respeito e o amor ao próximo.

    ResponderExcluir
  2. Prezado João Bitu.

    Muito interessante a historia do "Tem modos menino" ela serve de testemunha do que escrevi a respeito de Antonio Alves.

    ResponderExcluir
  3. QUERO E VOU TIRAR PROVEITO,DO EXEMPLO DESSE MEU CASAL DE CONTERRÂNEOS;SEU ANTONIO E DONA ZEFINHA: O! CASAL BOM!

    Abraço fraterno e cheio de saudades. Fatima Gibão.

    ResponderExcluir