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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Miguel de Lira III - A historia que corre os sertões.


Nascido em Serrita - PE, há 54 anos, Miguel de Lira deixou aquele município vindo residir em local onde hoje se encontra, por volta de 1954; casado, sendo pai de três filhos, com vocação e tradição agrícolas comprou aquele pedaço de terra, cujo documento jamais recebeu, e que agora se torna quase impossível conseguir, os fatos que o envolvem, nessa drama louco em que o destino o colocou; veio. construiu casa e botou roça, sempre tido como elemento trabalhador e pacato, Miguel de Lira ia vivendo modestamente do produto de sua lavoura, dentro dos padrões normais dos pequenos produtores da região; um problema familiar fê-lo separar-se da esposa e dos filhos, os quais foi deixar na casa do sogro em serrita.

Sua  vida tinha continuado calma e normalmente junto com a família, pois o que os separara nada tem de grave, se porem o acontecimento de pouca importância, não viesse mudar o curso de sua existência, e transforma-lo no que é hoje: Um alienado. Miguel de lira se dedicava, alem da agricultura , a pequena criação de porcos, previnindo-se para algum momento de aperto.

Um dia, dois dos animais cruzaram os limites da propriedade, indo invadir as plantações de um vizinho.; esse, como costumam fazer os homens daquela região na defesa de sua roça, os abateu a tiros. Tempos depois. algumas cabras do referido vizinho também cruzaram os limites das propriedades, indo invadir as roças de Miguel de Lira, dois desses animais foram da mesma forma abatidos a tiros, julgando-se Miguel portanto, em seus direitos e pago pela perda que tivera anteriormente.

O vizinho não gostou e por isso deu queixa as autoridades policiais de Ouricuri. Miguel de Lira foi intimado a comparecer perante a justiça. Negou-se, pois em sua ingenuidade cabocla ele se considerava certo, nada tendo por que prestar contas , ou porque ser preso. Negou-se também a segunda vez. E, sem esperar, um certo dia teve sua casa cercada.

Era 02 de Julho de 1967, mais ou menos as 06 horas da tarde. Nessas circunstancias trancou-se no rancho, previnnindo-se para o que desse e viesse, e dali ficou escutando as ordens para que se entregasse. No cumprimento se seu dever, corajosamente, um cabo  e um soldado, tentaram tomar-lhe a peito, o refugio, indo, respectivamente, um pela porta dos fundos e outro pela frente da casa; acossado , Miguel de Lira atirou. Ali tombaram feridos, o cabo Balbino Mendes e o soldado António, falecendo imediatamente um e o outro em poucas horas depois.

Com essa acorrencia, o restante da tropa, comandada pelo delegado civil que funcionava como substituto, voltou a Ouricuri em busca de reforços. Voltaram  á noite com um numero maior de praças e fizeram um cerco a Miguel de Lira, culminando com o incêndio de sua casa. Ele conseguiu escapar. Depois veio a caça a Miguel de Lira . O medo passou a agitar aqueles vidas calmas e pacatas de parentes e amigos; o barulho de um veiculo fazia com que o povo corresse para o mato.

Um comentário:

  1. Nas proximas postagens continuaremos com novos depoimentos a respeito do Miguel de Lira e sua historia, seus problemas etc.

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