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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

MOSTROU O PAU E NÃO MATOU A COBRA - Por Mundim do Vale


Certa vez Maria de Lourdes Sobreira ia para o Sanharol, quando chegou na ladeira de Pedro Beca, avistou uma rodia de cobra cascavel pronta para o ataque.

Muito assustada Maria desceu a ladeira mais ligeiro do que noticia de separação de casal. Quando chegou no pé da ladeira, encontrou Zé Terto vindo de uma pescaria com um landuá na mão.

Muito cansada Maria pediu: Zé Terto meu fi, me faça um favor!  Qualo? Vá lá no aceiro daquela cerca e mate uma cobra que tem lá. É pra já.

Terto pegou uma vara da cerca e foi até o local mas não teve coragem de encarar a cobra. A cascavel jogou um bote, ele soltou o pau e correu muito mais rápido do que Maria fez.

Maria não gostou da covardia do seu salvador e começou a fazer ofensas: Deixa de ser mole nego frouxo. Tu queria era sentar na cobra? Parece que não é ome? "Êpa! Num venha me insculhambar não. Eu sou preto mas sou ome.

Quer saber se eu num sou ome? Arrepare aqui"! Dizendo isso, ele arreou o calção e balançou os pissuidos. Foi nessa hora que ela viu a coisa preta.

Depois daquela cena Maria saiu indignada e foi fazer queixa a Antônio Costa, que era o Delegado Civil de Várzea-Alegre. O delegado mandou que um soldado fosse buscar o sujeito para ser interrogado.

Quando Zé Terto chegou o delegado fez a inquirição: Zé Terto eu tenho uma denuncia muito grave contra sua pessoa. Foi verdade que você mostrou o "dito cujo" a Maria de Lourdes? Foi divera seu Toim! Mas foi pruque ela me insculhambou, me chamou de nego frouxo e dixe qui eu num era ome, ai eu amostrei, que era prumode provar qui sou ome".  Pois eu vou lhe dar cinco dias de xadrez!

Depois da prisão, Borboleta que era amigo do preso, saiu correndo e foi até a ANCAR para contar a Nicacia, que era irmã adotiva de Zé Terto. Nicacia saiu a procura de Antônio Costa e quando o encontrou perguntou: Seu Toim! O que foi que Zé Terto fez para o Senhor botar ele na cadeia?

Resposta - Ele mostrou o pau e não matou a cobra!

4 comentários:

  1. Mundim do Vale.

    O Flavin vai dar boas gargalhadas com essa sua historia. Quem não conhece os personegens pode até imaginar ser lorota. Mas é verdade nua e crua o que relata o Mundim. As tiradas e proezas do avô do Flavin eram daí pra mais. Parabens ao Flavin pelo avô e ao Mundim pela memoria prodigiosa para refazer tão bem a historia de nossa gente.

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  2. Essa com cobra pelo meio fica um pouco complicado, mas até acredito que o Zé Terto não merecia o castigo, pois ele agiu baseado nos insultos. Essa história de dizer que você não é homem complica a moral de qualquer cidadão. Raimundinho, você realmente é um grande colaborador do blog do Sanharol, parabéns por ter esse bom humor e gostar tanto de sua terra natal.

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  3. Mundin e Morais...
    Realmente essa história é maravilhosa.
    Tudo visto, claro, com os olhos e conceitos da época. Eu não conhecia eesse fato. Adorei. Eu também fui delegado de polícia, mas logo deixei, pois nao tinha a coragem e perspicácia do meu querido avô materno.
    E muito obrigado pela dedicatória, que, com sua permissão, estendo aos mais de cem descendentes do nosso querido Avó, chamado carinhosamente de Pau Véi.

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  4. Dr. Flávio e João Bitu.
    Nós sabemos e o saudoso Antônio costa também sabia, que naquele momento exestia dois crimes. Um de preconceito racial e outro de atentado ao pudor público. mas o bom delegado sabia tambem da dificuldade de arranjar testemunhas
    para a defeza de Zé Terto. E como na época era muito difícil as provas técnicas, como câmaras e gravadores, o sentato delegado
    queria evitar os inquéritos.
    Mas a minha intenção na postagem, foi mostrar o lado humorístico e nunca o jurídico.
    Abraços.
    Mundim.

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