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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Senhor Morto - Por Dr. Mozart Cardoso de Alencar


Sou um assíduo leitor do Blog do Crato. Ultimamente, apesar do amigo Dihelson Mendonça pedir a compreensão dos autores no sentido de evitarem postagens de cunho religioso, os autores, estão se esmerando no sentido de mostrar a sua capacidade de fé, que já tem lugar garantido no céu. Diante de tamanha demonstração de formação religiosa, eu transcrevo um texto intitulado "Senhor Morto" da autoria do Dr. Mozart Cardoso de Alencar, medico, escritor, poeta e um dos homens mais cultos que esta região conheceu.

Segue o texto do Mozart:
"Quinta-feira maior, em Juazeiro do Norte. O poeta corre a igreja da padroeira, Nossa Senhora das Dores, para ouvir famoso orador sacro. Em meio a pregação, revolta-se com inúmeras beatas que, sacudindo as sacolas, despertavam os fieis com o tilintar das moedas, e, aquela cantilena já bem conhecida: "Esmolinha pro Santíssimo!? E mais indignado ficou quando, ao sair, presenciou aquela outra cena: O Senhor Morto exposto no santuário de vidro, tendo ao lado, uma bandeja, para qual apontava alguém, dizendo: Depositem suas esmolas aqui!. Diante do grotesco da cena, o poeta retirou-se da igreja, e ao chegar em casa expandiu sua revolta neste Soneto:
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Revivendo a tragédia do calvário,
A imagem do cadáver de Jesus,
Deitado em meio a Nave, sem a cruz,
É exposto no seu vítrio Santuário.
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Na coroa de espinhos, no sudário,
Nas cinco chagas, resplandece a Luz,
E, crente, a cristandade, ali, conduz,
As oblatas sublimes do Rosário.
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Mas, profanando aquele vulto santo,
A clerical bandeja aberta a um canto,
Avilta a grata tradição do Horto!.
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Um sacrílego Judas O vendeu
Há dois mil anos, vivo, a um fariseu,
E outros Judas, agora, O vendem morto!.

4 comentários:

  1. Morais, tem muitas verdades e muitas mentiras envolvendo o povo. Se fosse algum tempo atrás eu ia acreditar no que estar na página principal do Uol. Cristo pregado na cruz e a manchete:

    "Uma imagem de Jesus Cristo pregada na parede de uma casa em Sapopemba, zona leste de São Paulo, tem causado polêmica e atraído curiosos. O olho esquerdo da imagem está escorrendo mel desde o dia 19, segundo o dono da escultura de gesso, o missionário Anderson Freitas".

    Tem gente pra tudo, não?

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  2. Veja quanta "criatividade" não é lágrima incolor, é mel!!!

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  3. Gloria Pinheiro.

    Os tres primeiros bispos da Diocese do Crato, tiveram um comportamento com relação ao caso Padre Cicero. Todo mundo conhece a historia. Na Radio Educadora era proibido fazer qualquer mensão ao nome Padre Cicero. O Bispo atual, tem comportamento totalmente contrario aos anteriores. Há poucos dias apareceu um padre com um cardanapo novinho em folha, bem alvinho informando a população que era o pano da beata Maria de Araujo limpa o sangue. A pergunta que se faz é: Porque esse padre não saia com essa historinha na epoca do Dom Vicente? Onde já se viu um pano durar 120 anos sem mofar, sem mudar de cor ou sem se estragar ? E uma ultima pergunta: Em que epoca a igreja estava errada: Na epoca dos tres bispos anteriores ou agora? As posições eram totalmente antagonicas.

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  4. Morais, muito esquisito tudo isso. É aí que fica complicado aceitar todos os dogmas impostos.
    Mas, não devemos generalizar, porque na Basilica de Aparecida do Norte sinto a verdadeira fé cristã. Na Igreja Nossa Senhora dos Pobres, no Butantã, o próprio nome já diz, dos pobres, dos humildes, dá muito gosto de fazer doações porque eles mantem uma creche totalmente gratuita e um seminário para formação de padres. Ah, se todos os padres e bispos fossem como o polonês Padre Luciano, filho único de mãe viúva, na Polonia, que faz uma grande obra a serviço de Deus.

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