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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A fuga de Vicente Venancio do bando de Lampião - Parte II


Venancio olhou para o sol e exclamou: São seis horas da manha. Mal fechou a boca, ouviu um tropelar a distancia. Assustado, falou para os companheiros. Seu Mario. Seu Pedro, aí vem ou força de Pernambuco ou cangaceiros.

Sob uma onda de poeira, à frente a figura aterradora do capitão Virgulino Ferreira, o bando riscou em frente aos indefesos criadores. Incontinente, ouviram a voz de Lampião ao perguntar: Quem é Pedro Vieira? Sou eu, responde estarrecido e tremulo o velho sertanejo. A seguir, travou-se o seguinte dialogo entre Sabino, cangaceiro famoso e perverso, e Pedro Vieira: Vocês estão presos pelo grupo de Lampião. Só serão soltos depois que Pedro Vieira der cinco contos de reis. Nós somos pobres, o senhor deixe por dois contos.... Não quero conversa. Pode providenciar logo...Somos pobre seu Sabino, insistiu Vieira, deixa por tres contos... Já disse que não quero conversa. Caso repita lasco este fuzil na sua cara, velho safado e atrevido.

Um silencio enorme dominou a todos nós - afirma Venancio, para acrescentar - Nisso chega o gado para beber. Ao avistar os animais, Lampião começou a atirar indiscrinadamente, matando vacas e até animais de pequeno porte. Foi um estrago miseravel.

Diante do cruciante problema dos cinco contos de reis, Mario ofereceu-se para ir a Jardim tentar conseguir o dinheiro da exigencia de Sabino, a mando de Lampião. Montando um dos cavalos pertencentes aos companheiros, exatamente o mais gordo e ardego, Mario, depois de ouvir de Sabino a admoestação no sentido de que negasse para policia a presença do grupo nas Cacimbas, seguiu apavorado para Jardim, temendo pela sorte dos amigos que ali ficavam em situação tão dificil e perigosa.

Conta Vicente, ter ficado certo que Mario de São, logo fossem conseguidos os cinco contos de reis e deveria encontrar-se com o grupo em Caririzinho, hoje distrito do municipio pernamcucano de Sitios do Moreiras. Lampião ia com destino a Ipueiras dos Xavies, onde se deu o cerco do grupo e a sua celebre e precipitada retirada, por encontrar forte reação da familia Xavier. Foi aí que Virgulino Ferreira perdeu um de seus mais valorosos cabras. Tempero, morto por Dezinho Xavier.

Tempos depois, em conversa com Venancio, disse Mario que, ao ouvir o grito de Sabino previnindo-o para que nada dissesse a policia, teve vontade de correr, mas temeu um tiro nas costas. O grito de sabino foi, de inicio, interpretado como uma ordem para voltar. Venancio fala da existencia, no grupo, de um cangaceiro chamado Criança, que tinha 14 anos de idade, e usava rifle de seis tiros.

Proxima Postagem - Parte final.

Andanças e Lembranças.

Um comentário:

  1. Na ultima postagem contaremos a astucia de Vicente Venancio para fugir ao cerco do bando de Virgulino.

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