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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


domingo, 29 de janeiro de 2017

010 - PRECIOSIDADES ANTIGAS DE VÁRZEA-ALEGRE - POR ANTÔNIO MORAIS

O grande empreendedor Antônio Temóteo Bezerra.

Em meados da década de 50 e inicio da década de 60 do século passado o empresário varzealegrense Chagas Bezerra era proprietário da maior empresa de transporte de passageiros do norte e nordeste.

Católico fervoroso, construiu do lado direito de quem entra na Paróquia de São Raimundo em Várzea-Alegre um altar e trouxe uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. 

Nesta época festejava-se a Santa no mês de Janeiro e era uma das maiores festas religiosas da região.

Chagas Bezerra destinava quantos ônibus fossem necessários para transportar os conterrâneos que residiam em São Paulo.

Ao desembarcar na terrinha, os ônibus faziam o transporte dos devotos da região: Crato, Juazeiro, Iguatu etc. Tudo sem custos algum, de forma gratuita.

Fotos:


01 - Parte da frota da empresa a época.


02 - Visita do Presidente Jânio Quadros a sua residência em Crato. Da esquerda para direita  a esposa dona Deta, Chagas Bezerra, o presidente da republica Jânio Quadros, o governador do Estado do Ceará Paulo Sarasate, Geraldo Lobo e o deputado Filemon Teles presidente  da assembleia legislativa do Ceará.


03 - A dimensão da festa se media pela quantidade de padres presentes. Chagas Bezerra ao centro.

2 comentários:

  1. Chagas Bezerra foi um pioneiro no transporte de passageiros no Brasil. Empreendedor corajoso e competente. Homem de reconhecimento nacional.

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  2. Falando de inveja.

    Chagas Bezerra, pioneiro no transporte de passageiros na nossa região, era proprietário da empresa Auto Viação Varzealegrense. Transportava seres viventes do Crato para São Paulo, a maioria fugindo da pobreza, dos períodos de seca inclemente e em busca de emprego e de melhoria de vida. Era mão de obra farta e barata, indivíduos com muita resistência física, porque afeitos ao duro trabalho na agricultura, e com grande capacidade de absorção de dificuldades. A vida os treinara para isso.

    Consta que o empresário, quando proprietário de apenas um ônibus, foi vítima de um princípio de incêndio numa de suas viagens. Rapidamente parou o veículo e fez uma promessa com Nossa Senhora Aparecida para conservar seu bem. A perda naquele momento seria a falência total da empresa e a frustração de um sonho que alimentara e que tornar-se-ia realidade nos anos seguintes. O fogo foi facilmente debelado, e a promessa era de patrocinar anualmente uma homenagem à Nossa Senhora Aparecida.

    Aquele evento que ficou conhecido popularmente como a festa de Nossa Senhora Aparecida, tomou proporções inimagináveis. “Seu” Chagas trazia em caravana, três ou quatro ônibus lotados de juazeirenses e cratenses na sua maioria. Então à época, Chagas Bezerra era “o cara”.

    Meus amigos quase irmãos - Ítalo, Giovani e Homero – chamavam Chagas Bezerra de tio Chagas. Isso porque o empresário era realmente tio de Luis Proto, pai dos meus amigos.
    Eu tinha que dar um jeito naquilo. Eu também queria ser sobrinho de Chagas Bezerra. Eu podia fazer um contorcionismo genealógico, uma vez que meu tio e padrinho Raimundo Luiz era casado com uma irmã de Chagas Bezerra. Não, não era a mesma coisa. A quem eu poderia chamar de tia, era tia Louzinha, a esposa do meu tio e minha tia afim, como se dizia em Várzea Alegre.

    Por que faziam isso comigo? Consumi-me de inveja durante todo esse período. E para
    aprofundar minha dor, ele em algumas ocasiões hospedou-se na casa dos meninos...

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