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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

403 - Preciosidades antigas de Várzea-Alegre - Por Antônio Morais.


Raimundo Nonato de Morais, filho caçula de Zé André e Tonha, foi criado muito mimado, tudo que queria os pais faziam um esforço para conseguir. Só tomava leite da vaca preta e só comia ovo da galinha pedrez.

Com apenas seis anos de idade, manifestou interesse por galos de briga. Vivia com um galo debaixo dos braços e outro na testa de tantas quedas que sofria para pegar os galos. Seus galos viviam na peia, apanhavam até de pardal.

Um dia seus primos, filhos de Pedro de Manuel, prometeram um frango de raça. Logo que a ninhada de pinto nasceu, Raimundo foi correndo na casa dos primos e pegou o que ele achava mais parecido com galo de briga valente.

Separou as cascas para um lado, botou o bruguelo no bolso e foi saindo.
Pedro vendo aquela arrumação perguntou:
Pra donde tu vai cum esse bruguelo Raimundo?
Vou levar pra mim. Num me dero?
Mais ele ainda não empenou. Deixe ele aí com a galinha que depois que  crescer você vem buscar.
Tá certo. Mais cuidado! Quem dar e torna a tomar, vira cacunda pru mar.
O pinto cresceu e quando ficou bom de briga, os primos começaram a dificultar a entrega, mas com a interferência do pai, resolveram cumprir a promessa.

Raimundo foi buscar o frango, botou debaixo do braço e partiu pra casa. Quando chegou no terreiro do oitão gritou:
Mãe! Aqui é galo Mãe!  E repetiu  varias vezes : Aqui é galo Mãe! Aqui é galo Mãe!  Num vai ter cu de galinha qui aguente.

Mundim do Vale.



3 comentários:

  1. Coisas de Crianças em Mundim. Raimundo é assim mesmo. Muito mimoso. Já é casado, tem casa e ainda almoça e janta na casa da mãe. Eu tenho um ciume danado, mas me apressei, fui nascer primeiro. Agora eu faço como Giovane: eu queria saber é quem te contou essa historia. hahaha

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  2. Ai como é bom dar risadas com essas histórias.

    Começou do título. Olha, que lá em casa a gente dizia muito isso ... e morria de medo de virar cacunda pro mar, um aguaceiro que a gente nunca tinha visto.

    Adorei essa frase:
    "Vivia com um galo debaixo dos braços e outro na testa de tantas quedas que sofria para pegar os galos".

    Pois é... "galos na testa", que criança não os criou?

    A história é muito hilária, mesmo.
    Valeu, Mundinho.

    Stela

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  3. Mundim.

    Raimundo tinha varios galos de briga, e os nomes eram extremamente originais: Lampião, Mundoca Juca, Belquior etc.

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