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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

360 - Preciosidades antigas de Várzea-Alegre - Por Antônio Morais.



A cultura e a historia de Várzea-Alegre muito devem ao Damião Carlos, o saudoso Damião dos Bonecos. Como todo varzealegrense, o Damião era inteligente, competente no que fazia e esperto.

Um dia contratou uma apresentação bonequeira prus lados da Fazenda Canastra dos familiares do Coronel Mário Leal. Por lá, a volta era dura, por nada a peia cantava. Damião chegou por volta das nove horas da manha e encontrou a casa toda arrumada, barraca montada, terreiros limpos e o mais importante: uma galinha caipira cozida para o almoço.

Depois de encher a pança, Damião se acomodou uma rede alva e cheirosa para tirar um deforete. Chega no local,  um caboclo montando num alazão e pergunta: O que vai haver aqui hoje,  que está tudo muito pronto! O dono da casa respondeu: Um artista da Rajalegre vai fazer uma apresentação dos bonecas e dizem que é muito engraçada.

Então, o caboclo completou: eu venho assistir e se não achar graça eu vou fazê-lo engolir os bonecos. Damião ouviu a promessa e dez minutos mais tarde, se mexeu na rede, e perguntou: de quem era aquela cavalo tão troteiro que passou? De seu Moacir Leal, responderam-no.

Damião se levantou e foi ao mato aliviar a descarga. De lá arribou pra casa deixando os teréns,  inclusive bonecos.

Quando se perguntava: Damião porque você foi embora? Ele respondia rindo: Eu lá sabia se Moacir Leal achava graça com facilidade.

Na duvida arribei.


6 comentários:

  1. Quem conheceu Damião e seu personagem Casimiro Coco sabe da capacidade do artista e das presepadas dos seus bonecos..
    Muito bom...
    Abraço...

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  2. Flavin de Luiz de Raimundo Silvino.

    Meu abraço.

    Voce já imaginou se o Nobilio Leal não gostasse da apresentação, o sufoco do Damião para engoli os bonacos? O negocio era arribar mesmo.

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  3. Muito, tem-se a contar desse irreverente artista; certa vez por tomar umas a mais, o Damião teve de pernoitar na nossa delegacia de policia. Ao sair; aquela tradicional conversa com o comandante da referida Unidade Policial. Um sargento recém chegado ao município. E o Sargento fala; Seu Damião o Senhor ontem tomou umas a mais e aí tivemos que trazer o Senhor pra dormir com agente; faça isso mais não nós sabemos que o senhor é uma pessoa de bem muito conhecida na Sociedade. Dando trabalho rasgou a camisa perdeu o relógio e aí? Agora o que o senhor vai fazer para rever esse prejuízo? Damião de bate e pronto respondeu. “ Vou botar boneco”. O sargento alterou-se quando um conhecido soldado interveio para explicar que o botar boneco do Damião era o teatro de bonecos, o nosso famoso Cassimiro Coco.

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  4. Tenho dois bonecos feito por Ele. Moro em Porto Velho , Rondonia e ganhei de presente de um amigo que morou ai em Vargea Alegre. Hoje pertence ao meu museu particular!

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  5. O "Damião dos Bonecos" tinha um irmão, que era folclórico por sua quase constante embriaguês, nas imediações da "Ponta da Rua" e "Frejo Velho". Tinha, contudo, fama por ser um exímio batedor de tijolo chamado "de adrogo", fabricado em holarias comuns à época.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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